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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 19 de abril de 2017

QUITO O PERIQUITO QUE FALAVA III

Na terceira madrugada mais uma vez lá fui eu caminhando pelo escuro pois se meu avô me visse fora da cama naquele horário, com certeza me daria uma surra de cipó titica. Mas, eu sempre fui muito silenciosa para entrar e sair de casa. Estava acostumada a sair escondida durante a noite para falar ou invocar os espíritos que eu queria conhecer e falar. Adorava essas coisas que me davam a sensação de perigo, sentia-me uma verdadeira feiticeira nessas horas.

Quando cheguei no quarto onde ficava o fogão, vi que Quito dormia com sua cabecinha entre sua asinha esquerda. Ele adorava dormir na mesma posição desde que era um periquitinho pelado e todo transparente, que chegava dar para ver todas as veias do seu pequenino corpinho. Cobri a gaiola na qual ele dormia somente durante a noite para que nenhum bicho o comesse, pois pela manhã ele sempre ficava solto e andando pelos caibros e ripas que cercavam a varanda, com um pano preto como me ensinou Dona Ana Caiá.

Depois de cobri-la, falei a frase que eu queria que ele aprendesse a falar "Periquito rico da flor do bico, me dá um beijo meu Quito! Fifiu!", e assobiava bem baixinho para que ninguém ouvisse e soubesse que estava fora da cama em plena três horas da madrugada. Depois de repetir a frase por sete vezes como me foi ensinado, descobri a gaiola e voltei para meu quarto onde o Renóca aguardava-me com os olhos arregalados com medo de eu ser pega e levar uma surra junto comigo.

Durante várias madrugadas repeti o mesmo ritual. Até que numa bela manhã, meu avô que já estava apaixonado pelo Quito, acordou-me gritando e mandando que corresse para a cozinha pois havia uma surpresa para mim. Quando cheguei na cozinha, tomei um susto. Quito estava perto da mesa de café gritando com alto e bom som a frase que havia ensinado-lhe durante muitas madrugadas. Eu comecei a chorar de tanta alegria, e também por gratidão à Dona Ana Caia, a parteira que me ensinou como fazer o Quito, um periquito Asa Branca da Testa Amarela falar.

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