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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A SOMBRA

Eu passava o dia inteiro dentro de um paneirão de ferro de uns quatro metros de tamanho, que ficava armado debaixo de um pé de abacateiro que tinha no quintal de nossa casa localizada na rua Júlio Belém, rua de um bairro lindo da cidade de Parintins, protegido por São Benedito, um dos  padroeiros daquela linda ilha tupinambarana, tão grande que nem o era o paneirão para mim naquela época, que meus amigos eram meus brinquedos, principalmente um elefante azul de pelúcia que costumava carregar para todo lado segundo-o pela tromba, e claro, meu amado paneirão de ferro.

Nessa época eu já entendia tudo que os adultos conversavam perto de mim, achando que por eu ter um ano de idade não entenderia nada de suas complicadas conversas, as vezes até riam olhando-me enquanto achava chato ficar ali sentadinha no chão de cimento queimado, vermelho como sangue de tanta cera que minha mãe passava nele, e depois encarava com uma enceradeira antiga, que pesava toneladas para mim, que sempre insistia para derrubá-la no chão mas nunca conseguia, embora eu já andasse há três meses.

Então, foi nesse momento de tédio que tinha dos adultos que o paneirão entrou em  minha vida e mudou tudo, tirou-me daquela situação desconfortante, e deu-me um mundo debaixo da sombra daquele pé de abacateiro que ficava no meio do quintal de casa, e ali o sol nunca batia de tão grande que era a copa dele e fazia sombra para mim o dia inteiro, até umas seis horas da tarde, que era quando alguém ia tirar-me de dentro daquele paneirão de ferro, e a guerra começava, pois eu nunca queria sair de dentro dele, e aos berros e aos gritos agarrava-me na beirada, e não tinha quem conseguisse arrancar-me dali.

A guerra era tanta que eu fazia que quando eles davam por conta o quintal estava cheio de gente, mas eu não soltava a beirada do paneirão de ferro, e quando isso acontecia, eu já estava morta de cansada de tanto chorar e fazer força segurando a beira dele, mas eles sempre conseguiam me vencer pelo cansaço e eu acabava soltando.


                                                                                                                                                          

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