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YAMÊ ARAM

domingo, 3 de julho de 2016

O PUXIRUM DA FARINHA II

Eu adorava ficar perto dos mais velhos, é mais rápido e menos sofrido roçar o mundaréu que era o raçado de seu Bené, ouvindo as belas histórias dos caboclos mais antigos, a gente fica tão hipnotizada, que nem sente o terçado doer nas palmas das mãos. que depois de umas duas horas sofrendo o atrito dele cortando mato, a gente já começa a sentir ela queimar, e no outro dia o calo já te dá bom dia.

Mas, trabalhar perto dos caboclos mais antigos, era maravilhoso, e também mais seguro, eles ficavam de olho em tudo, e viam as cobras antes de qualquer um, seu Raimundo então, sabia quando tinha alguma surucucu por perto, somente por sentir o pitiú delas, aí, era só procurar as bichas com cuidado, que não demorava muito, um caboclo gritava dizendo que já tinha achado a surucucu, e depois matavam-na.

Desde de que saímos de casa eu já havia comprado uma briga com minha família, por que queria ficar perto do Seu Raimundo e de Dona Ana Caiá, principalmente dele, pois era o único que não parava de conversar, e estava sempre contando histórias de caboclo, que envolviam sua feitiçaria, sua cultura indígena e africana, e que me fascinavam pois me revelavam realmente a beleza do espírito caboclo, os segredos das águas, o encantamento das cobras, o veneno dos bichos peçonhentos, do espírito da mata, dos bichos que encantavam e falavam com os caboclos, que as vezes ficavam até loucos com as visagens que a mata braba as vezes mostra.

Eu havia levado muitos ralhos, e também, quem sabe, quando chegássemos em casa, ainda levaria uma surra. Mas eu não tinha tempo a perder, sabe lá quando eu teria outra oportunidade de estar perto daqueles caboclos, e ouvir suas histórias, que eram cheias de sua sabedoria e conhecimento, o que eu mais precisava naquele momento morando ali naquele lugar, para sobreviver com segurança, e ainda conseguir entender meu dom de feiticeira, que desde que mudei para o Paraná do Moura, tinha se tornado muito mais forte, e sua voz estava completamente audível, que as vezes quando ela soava, eu confundia com a voz de alguém da minha família me chamando.

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