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YAMÊ ARAM

terça-feira, 5 de julho de 2016

O MILAGRE DO ANINGAL III

As águas negras e paradas do Paraná do Moura estavam batendo nos meus joelhos, não havia nenhum reflexo na água, mais a noite estava muito barulhenta, como geralmente é uma noite escura, e todos os bichos acharam de cantar, e virou aquela sinfonia ensurdecedora com todos os bichos cantando juntos, tão alto e estridente, que chegava quase ensurdecer a gente, e naquela noite noite, todos os aruás resolveram também cantar, e saíram de dentro d'água, subiram nas árvores dos igapós que estavam com água batendo pela metade dos seus troncos, e enquanto desovavam, estrondavam todo aquele rio com seu som parecendo um ronco de um porco.

As corujas-rasga-mortalha começaram a voar sobre minha cabeça e rasgavam suas mortalhas com seus gritos estridentes e agudos, nenhum vento estava soprando, mas foi só elas chegarem, que o vento começou a mover a face da água com seu sopro, algumas serpentes desceram perto de onde eu estava, e entraram nas águas daquele rio, e por um tempo eu fiquei admirando aquele evento, e sentia que toda aquela natureza me observava, e parecia estar aprovando minha atitude.

Toda aquela manifestação me consolava no meio daquela noite escura, eu sentia sua vida pulsando, eu sentia que a natureza estava respirando enquanto me olhava realizar aquele ritual, e eu conhecia aquela sensação, meu corpo parecia estar enorme, minha pele das pernas não sentiam aquela água me molhando, meus pés não sentiam os capins mortos que forravam o fundo dos rios, e mal estava conseguindo piscar, mas não havia medo em meu coração, somente uma ansiedade enorme fazia meu coração bater acelerado.

Eu rezei todas as rezas que Dona Binhí havia me ensinado, e tinha chegado o momento de eu pronunciar o encantamento que invocaria as duas cobra grande que moravam debaixo do aningal que guardava a casa de Dona Ana Caiá, a maior parteira e encantadora daquela região, e que eu deveria invocá-las, pois Dona Binhí não teria mais forças para invocá-las pra curar os doentes que buscavam a luz na feitiçaria daquela que morava dentro da Cabeceira Grande, e que possuía o dom dado pela natureza, de invocar todas as forças que regem a tudo neste mundo.

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