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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O CABOCLO BEMBEM V

O casco e o remo do Bembem cortavam aquelas águas negras da Cabeceira do Jurupari silenciosamente, caboclo é assim, rema sem bater o cabo do remo na beirada do casco, flecha em pé da proa do casco no meio do igapó e não erra, só dá o peixe na flecha rodopiando na água, e quando ele puxa ela, o peixe vem atravessado, aí só se ouve o estralo do arpão dela rasgando a carne do peixe, e depois o barulho dele caindo sobre o chão do casco, que sempre vasa água, e a gente sempre tem que que jogar água pra fora do dele, se não, uma hora o bicho afunda.

Quando o Bembem calava, eu ouvia nitidamente a calada da noite, o som do rio, o som dos bichos noturnos, guaribas cantando muito longe mas parecendo estar a um metro da gente, aruás roncando como moto-serra, peixes batendo n'água, onças esturrando na beirada do rio, corujas rasgando mortalhas, mas quando elas gritaram, o Bembem disse que eu não precisava ter medo pois ele já havia aberto nosso caminho naquela noite, assim que o seu Bené deixou eu ir com ele caçar.

Ele começou me contar que a vó dele o colocava  na popa do casco, em cima de um estrado igual aquele que eu estava deitada, e levava-o para ser sua companhia, enquanto ia caçar na noites sem lua, e matava paca, veado, tatu, até anta ela conseguia matar, enquanto caçava numa cabeceira que ficava umas duas horas de remo de sua casa, e que assim, ela o ensinou tudo que sabia para viver, e que nunca nenhum dos seus ensinamentos lhe foram inútil, que nem mesmo cobra peçonhenta o picava quando andava descalço pela mata, e era assim que ele sempre vivia, descalço.

Ele contou-me que sua avó não gostava de levar ninguém quando ia caçar ou pescar, nem seu marido que morreu muito cedo, gostava de atormentá-la sem motivo, pois sabia que ela detestava ser incomodada, e quando saia para caçar ou pescar, era porque nenhum homem havia pegado ou matado nada, então, depois de xingar todo mundo, ela pegava seu casco e seu remo, e também sua espingarda de calibre dezesseis, e voltava só de manhã cedo com muito peixe e muita caça, e que seu nome era Dona Jandira. 

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