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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O CABOCLO BEMBEM IV

O Bembem começou naquela noite na qual fomos caçar a me ensinar como é ser caboclo, como é viver como caboclo, como é perigosa a vida de caboclo, como e dura e difícil, e também, como tudo poderia ser mágico, e alegre, mesmo para mim, que adorava morar na cidade, e estava ali a força, se deixasse, ele iria me ensinar como era maravilhoso viver como caboclo, coisa que ele fazia com alegria e entusiasmo.

Ele começou dizendo que sua vó era uma feiticeira terrível, até com os netos, e que tinha fugido várias vezes das balas das espingardas, porque sabia conjurar encantamento das sombras para esconder-se de seus inimigos, e nunca fora pega em tocaia, e que até os filhos dela temiam desafiar a velha, mas, que também ela o tinha ensinado muitas coisas, inclusive pescar e caçar, e que a velha atirava bem demais, e não tinha mulher mais forte no terçado, deixava até homem pra trás, de tanto que a velha fazia aquele seu terçado de anos cortar mato.

Ele contou-me que tudo que tinha de bom como caboclo e como homem,  fora lhe ensinado por sua avó, e que ele era o único neto que ela tolerava que ficasse brincando no seu quintal, mas como todo curumim detesta brincar sozinho, ele preferia ir brincar noutro quintal, e ia lá só visitar a velha uma vez por dia, e assim, ele levava notícia da velha pros filhos, que morriam de medo, até de pedir benção, pois até abençoar, ela tinha que xingar todo mundo.

Seu relato me fazia lembrar de tudo que eu tinha vivido com seu Bené, o pai da minha mãe biológica, era exatamente a mesma coisa, só  tinha diferença porque seu Bené não gostava de me ensinar nada, ele queria que eu já soubesse de coisas que nunca nem tinha visto, era obrigada a aprender na porrada, na surra como eles dizem por lá, na vara, mas nunca conseguiu me ensinar absolutamente nada. Talvez por isso eu nunca penso nele, não que evite, é que eu não lembro muito dele. Mas, eu sei que isto é verdade, ele é que me fez forte, pois ele foi meu primeiro e mais perigoso, voraz e impiedoso inimigo, que tive que vencer.

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