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YAMÊ ARAM

domingo, 12 de junho de 2016

QUITO O PERIQUITO QUE FALAVA II

   
        Eu estava certa que o Quito aprenderia a falar, com toda certeza. Eu tinha muita fé nas palavras e na sabedoria de Dona Ana Caiá, pois ela fazia mulher parir sem morrer, e ela nunca perdeu nenhuma criança em seu ministério de parteira, como encantadora também não conhecia a falha, era sábia e encantadora, e não tinha medo das águas do rio, nem dos bichos peçonhentos que rastejam sobre a terra, até mesmo sucuriju dizem que ela podia encantar.

       Dona Ana Caiá sabia lançar encantamento melhor que ninguém, tanto, que até mesmo Dona Binhí dizia que só socorria mulher parindo se Dona Ana Caiá não pudesse socorrer a coitada primeiro. Então, sempre que uma mulher sentia dor pra parir, todo mundo da redondeza procurava primeiro a Dona Ana Caiá, pra somente depois procurar a casa de Dona Binhí, mas sempre Dona Ana Caiá podia socorrer as paridas daquele lugar.

        Dona Ana Caiá sabia até o dia que as  mulheres iam parir. Sempre que encostava alguém no porto pedindo socorro, ela já estava com as suas coisas todas prontas, e esperando ser buscada para ajudar mais uma mulher com dor a dar a luz. Seus cabelos negros, lisos e longos, cabelo de cabocla, estavam presos pelo mesmo coque o tempo todo. Eu nunca vi seu cabelo solto, e ela estava sempre usando sua saia de crepe preta abaixo do joelho e sua blusa cor de vinho de viscose, pano que aquela parteira parecia gostar de usar. As vezes até mesmo um chapéu redondo de palha cobria-lhe o seu véu.

         Sua voz era aguada mas doce, e tinha um timbre doce e aveludado. As vezes tínhamos a impressão de que ela estava somente cantando baixinho, e acho até que ela sabia disso, pois sempre repetia o que falava, e lembrava a todos que já havia dito aquelas palavras antes, e ainda falava que não tínhamos lhe escutado.

        Umas  quatros horas da madrugada lá estava eu novamente levando a gaiola do Quito para o quarto do fogão, o lugar mais escuro e isolado da casa, para falar as palavras que eu queria que ele aprendesse a falar. Fazendo tudo exatamente do jeito que Dona Ana Caiá havia me ensinado. Ninguém estava comigo, nem mesmo meu irmão, o Renóca, que havia ficado debaixo do lençol, com medo me acompanhar a passar pela varanda vazia que circulava a casa, até chegar no quarto do fogão, o ultimo quarto da casa. Essa foi a segunda madrugada de aula do Quito.

         Foto tirada do site www.flickr.com

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