BOAS VINDAS!

Obrigada por visitar meu blog! Espero que tenha gostado! Dúvidas e comentários serão respondidos com atenção. Para ler todos os posts de uma história, é só clicar nos marcadores!



YAMÊ ARAM

domingo, 12 de junho de 2016

O SAPO GIGANTE DO AMAZONAS II


              No caminho de volta para nossa casa, seu Raimundo acendeu um cigarro de tabaco de mole, e baforava nuvens de fumaça na cara da gente, aquilo ao mesmo tempo que fedia no nariz e fazia com eu e irmão tossíssemos, era gostoso pois espantava os carapanãs de cima da gente. Dentro da mata, não tem como a gente parar de se bater o tempo todo, pois é a única forma de se defender das picadas de nuvens e nuvens de carapanãs chupando o sangue da gente.

              Eu nunca tinha visto tanto carapanã junto no mesmo lugar, chegava quase enlouquecer-nos de tanto que eles faziam barulho no nosso ouvido, zumbindo aos montes que chegava lembrar o som de um motor-serra roncando, coisa que obrigava a gente dá cada tapa no pé da orelha, que a dor nem de longe incomodava mais que o zumbido daquela nuvem negra que formavam os carapanãs querendo uma gotinha que fosse de nosso sangue. E isso só me fazia odiar ainda mais aquele lugar para onde minha família havia me levado, para sofrer no ferrão daqueles bichos desesperados para me picarem.

              Quando percebi que a fumaça do cachimbo de seu Raimundo espantava os carapanãs, andei mais depressa para ficar atrás de suas costas. Quando ele percebeu que eu estava atrás dele, deu um sorriso, e disse que ali era o melhor lugar para fugir dos carapanãs, informação que agradeci com uma risada tímida. Ele perguntou-me se eu estava com medo, respondi-lhe negativamente, pois na realidade estava era desesperada para fugir daquela quantidade de carapanãs, que estava me enlouquecendo.

              Então, seu Raimundo perguntou-me se eu gostava de histórias. Respondi-lhe afirmativamente, pois sempre fui fascinada por ouvir histórias. Era a coisa que eu mais gostava de fazer na vida, e que muito me ajudava a fugir daquela realidade que minha família estava me obrigando a viver. Meus pensamentos também se perdiam amaldiçoando o meu pai, por não ter feito nada para me livrar daquela condenação infernal na qual eu me encontrava, e por um pequeno espaço de tempo, eu esquecia-me que estava andando numa mata selvagem e hostil.

              Foto tirada do site noamazonaseassim.com.br

Google+ Badge

Google+ Followers

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Seguidores

Follow by Email

Google+ Followers