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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 22 de junho de 2016

FAZENDO PIRACUÍ DE BODÓ VI

Então os homens partiram rumo ao Saracúra, um paraná afluente do Paraná do Limão, também um afluente do rio Amazonas, onde segundo Tia Raimundinha, o tio Raimundo, o seu esposo, sabia ter vários poços de lama, que ficava numa restinga atrás do terreno da fazenda, que continham muito bodó, o peixe cascudo mais saboroso daquelas águas, e que dá o mais saboroso piracuí, o famoso piracuí de Bodó.

Uma semana depois os homens estavam de volta com mais de setecentos bodós, que segundo tia Raimundinha, dava pra fazer mais de cinco sacos de piracuí. Mais do que depressa nós começamos a carregar toda aquela quantidade  de bodós para o barracão de fazer farinha, e já começamos a tirar só o bucho de todos eles, enquanto tia Raimundinha e mamãe assavam os que já estavam limpos, mas a guelra deveria ser deixada, para que tia Raimundinha fizesse uma caldeira só com as guelras, parte desse peixe que é saborosíssima, e que também ela faria um pirão com guelra de bodó.

Tia Raimundinha era mulher que sabia aproveitar até as tripa do bodó, e também mandou separar o buxo do bodó para fazer uma espécie de pirão, que somente os caboclos de verdades gostam de comer, é o mesmo que comer ovo de tracajá batido com farinha de mandioca braba. Mas, depois que bate a fome a gente acaba sendo levado pelo aroma de comida do interior, feita no fogo de lenha, e ainda mais como era aquela ocasião, que seu Bené mandou até avisar o pessoal dos Jabutizadas, a família de seu Jaboti, para vir ajudar-nos com a fazeção de piracuí, que segundo tia Raimundinha, iria durar pelo menos uns sete dias.

Mas, pela primeira vez, em todo aquele tempo que eu estava morando ali naquele interior do município de Barreirinha, uma pequenina  ilha do Amazonas, eu estava feliz. Tia Raimundinha parecia gostar de mim, e isso era raro, e eu também estava fascinada por ela. Ela emanava um cheiro de sabedoria, assim como o cheiro dos queijos de búfalo, que fazia nas épocas que o gado estava naquela fazenda, e tomava conta de toda a casa, quarto por quarto, e ia acordando todo mundo, obrigando-nos a levantarmos da rede, caminharmos até a cozinha, e comer um pedaço de queijo de búfalo, recém saído do tacho, com uma xícara de café bem quentinho.


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