BOAS VINDAS!

Obrigada por visitar meu blog! Espero que tenha gostado! Dúvidas e comentários serão respondidos com atenção. Para ler todos os posts de uma história, é só clicar nos marcadores!



YAMÊ ARAM

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A LUA NEGRA DOS ÍNDIOS VERMELHOS III

O cacique estava apreensivo com a saída do pajé para fora de seu tronco, sua casa há a mais de  mil anos, de onde só havia saído uma única vez a mais de quinhentos anos atrás, e como bem conhecia a história desse acontecido, ele sabia que não seriam dias fáceis, aqueles que se passariam sob o poder daquela lua, aquela que somente o feiticeiro podia ver, e que por isso, traria divisão, dúvidas e medo sobre todos os corações dos índios vermelhos.

O cacique havia perdido a força de seu conhecimento, pois tinha mergulhado durante muito tempo na busca pela sabedoria, mergulhando todos os dias nas águas negras do grande rio Andirá, o rio da sabedoria sagrada para os índios vermelhos. Sua sede por sabedoria havia segado-lhe o entendimento, e também havia roubado-lhe o discernimento, pois o poder que a sabedoria lhe dava lhe era mais prazeroso que discerni-la, então, ele perverteu o poder do seu chá sagrado, o chá de Bereré.

O cacique sabia que estava enlouquecendo, por isso, havia fechado sua boca e a porta de sua oca para não contaminar o povo com sua mácula, pois era esse o único sentimento razoável que mantinha sua razão ainda, mesmo que só um pouquinho, liberta da treva total que já apoderara-se dele há algum tempo. O homem sábio que havia aconselhado, julgado e orientado aquela tribo com justiça e equidade, havia caído diante da tentação de possuir cada vez mais sabedoria, e ainda um erro maior, o de tentar manipulá-la.

Araué um dos índios mais antigos, mas tão antigo, que diante da loucura do cacique, fato que era ignorado pela grande maioria dos índios da tribo, que continuavam ouvindo seus concelhos loucos, foi escolhido por alguns poucos como o novo concelheiro, pois suas palavras possuíam sabedoria e entendimento, e em muitas das vezes, discernimento que ajudava em muito, os índios que procuravam seus concelhos.

Araué sabia que suas palavras serviam de luz para seu povo, mas também sofria em seu espírito o peso de sua responsabilidade, pois o seu povo cada vez mais procurava-lhe para aconselhar-se. Ele era um índio de noventa e cinco anos, novo para ser cacique, posto que só era passado ao que possuíam mais de cento e cinquenta anos, mas devido a necessidade de seu povo, estava desempenhando muito bem, mesmo com toda insegurança de seu coração, que sempre lhe colocava em claro durante as noites nas quais o sono fugia para não descansar seu corpo.


Google+ Badge

Google+ Followers

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Seguidores

Follow by Email

Google+ Followers