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YAMÊ ARAM

sábado, 26 de março de 2016

"O MARIMBONDO PICOU A TRAVESTI"

Não tem jeito de ela não cagar o pau logo na entrada.  A Travesti chega sempre se sentindo poderosa, entra com toda sensualidade exibindo o biquíni  novo que ganhou de uma amiga, na piscina, dá um mergulho, e assim que ela boia com suas longas madeixas de índia Sateré Mawé, a praga de um marimbondo já lhe pica o peito esquerdo. Ela é alérgica a picada de marimbo, ou seja, iria inchar inteira, uma vermelhidão seguida de um calor infernal se apoderaria de seu corpo por completo, os olhos iriam ficar completamente vermelhos e as veias iriam todas dilatar sem controle, a ponto de em dois minutos não estar mais conseguindo piscar.

Sua voz desapareceria em trinta segundos, uma coceira começaria a irritar toda a mucosa de sua garganta a partir desse momento. Seus olhos começariam a fechar em dez minutos, e depois começariam a descer pelo seu rosto até a altura do nariz, ou então, chegariam até sua boca, que neste momento já deveria estar tocando o peito. Sua respiração daria sinal de que o veneno da picada do marimbondo espalhou-se muito rápido, e estaria completamente dificultosa, pois é necessário muita força física para puxar um tantinho só de ar numa crise alérgica da travesti. Suas roupas teriam que ser tiradas e seria enrolada num lençol enorme pois estaria do tamanho de um elefante, aquela que pesa só sessenta quilos.

Todos os seus anéis teriam que ser retirados,  pois seus dedos ficariam da grossura de seu braço quando está normal. Sua crise assustará a todos, pois nunca viram ninguém ter uma crise alérgica igual essa que irão ver, na qual a travesti se transformará numa Fiona três vezes maior que a do Shrek.  É assustador, e não pense que é brincadeira! De sua garganta não sairia mais som, somente um chiado provocado pela força que estará fazendo para puxar cada vez menos ar. Suas orelhas estarão do tamanho de suas mãos. Não conseguirá mais respirar nem falar mais nada. Sua língua estará pesando tanto dentro de sua boca, que seu queixo cairá escorrendo pelo seu peito, e seu lábio superior estará acompanhando e descerá até o osso do queixo inferior.

Ela só poderá contar a velocidade para chegar a um hospital e receber o antialérgico, mas ali, na beirada daquela piscina, e principalmente no lugar ela estava, não chegaria há lugar nenhum em uma hora, e sua crise não lhe dará dez minutos, com certeza, por ser um marimbondo, e ela conhece suas crises, que tanto tenta esconder das pessoas, pois são assustadoras quando acontecem, e sempre quando não convém, provocam terror e pânico em todos. A Travesti vai inchar, inchar, inchar...em cinco minutos já terá triplicado de tamanho, e estará completamente irreconhecível.

Sua última crise alérgica por picada de marimbondo foi quando ainda morava no interior do Amazonas, e ficou três meses internada tomando choque anafilático três vezes todo santo dia, sua cabeça ficou toda cheia de buracos raspados, pois seu cabelo era muito e grande, e os médicos precisaram raspar para poder conseguir atingir alguma veia para ministrar o tratamento, pois devido ao inchaço de seu corpo, estava impossível achar veia nas outras regiões corporais.

Como estava muito longe de um posto de saúde e de uma farmácia, a Travesti sabia que veria sua vó pela greta. "MARIMBONDO...NÃO! Agora que entrei na piscina, essa praga vem me atormentar! Isso só pode ser os GAFANHOTOS DA QUINTA TROMBETA DO APOCALIPSE, porque não é possível que isso tenha acontecido comigo! Os  gafanhotos do apocalipse já foram libertados pela Estrela Caída que possui a chave do inferno, e isto, essa picada dolorida dos diabos, só pode ser o anuncio." -A dor da picada do marimbondo bem em cima do peito esquerdo estava tão aguda, que até pra respirar estava doendo. Ela sabia que naquele momento ela teria, talvez, pela primeira vez, fazer em si mesma uma traqueostomia, pois com certeza ninguém ali possuía antialérgico.

Se tivesse sido picada por uma abelha, levaria apenas quinze minutos até sua laringe fechar-se por completo. Mas como foi uma picada de marimbondo, ela tinha no máximo sete minutos, antes que toda a sua respiração extinguir-se totalmente.  "Tô fodida pra caralho dessa vez! Com certeza esse marimbondo veio do abismo mandado diretamente pra me atormentar. Só pode! Ou é muito azar dessa Travesti se foder aqui no meio do nada!" -Ela estava um tanto quanto apavorada mas não podia agitar-se, se não, o veneno se espalharia mais rápido pela sua corrente sanguínea, e em vez de sete, ela teria somente cinco minutos, antes de ter que furar com uma caneta sua própria traqueia.

Foi quando a Travesti azarada, lembro-se do que disse Dona Binhí, uma feiticeira que conheceu no quando morou no interior do Amazonas, que em uma de suas conversas ocultas de sua família, por ser totalmente evangélica, e ela estava em contato com a feitiçaria cabocla, que renasceu entre os habitantes das beiradas longínquas e ocultas, nas entranhas mais profundas daquela região selvagem e hostil, que a travesti foi obrigada a sofrer durantes alguns anos de sua vida como cabocla. "Curumim quando tu estiver em perigo na mata, e bicho peçonhento te picar, tu só tem uma coisa pra fazer: Se for marimbondo, e já que tu é alérgica, tu pega o marimbondo que te picou, espreme com a ponta da unha a bunda dele até sair o ferrão, cospe um pouco de saliva na mão, e amassa ele com junto com a saliva, e passa em cima da picada. Isso vai fazer com que o veneno seja cortado, assim tu não terá nenhuma alergia. Experimenta pra tu vê só!"

A travesti mais do que rapidamente olha dentro da piscina e vê o marimbondo ainda n'água. Nadou até ele com um único mergulho, já estava confiante pois sabia o que fazer, e com certeza, daria certo. Pediu para que o Neneca, seu sobrinho-príncipe de quatro anos fosse pegar um chinelo para ela poder pegar o marimbondo da água da piscina e espremer o rabo dele até o esporão sair pra fora, que correu rapidamente gritando que sua tia havia sido picada por um marimbondo, todos presentes naquele dia assustaram-se com o que os pais do Neneca contaram assim que souberam do acontecimento, e relembraram o dia que tiveram que fazer trinta minutos de estrada de chão em dez para socorrer a travesti de outra picada de marimbondo que quase a matou dessa vez.

Neneca quase na velocidade da chegou trazendo o chinelo dourado de mãe, e assustado e preocupado com sua tia, entregou-lhe o chinelo e sentou-se perto para observar sua tia usar de sua feitiçaria para curar-se daquela picada de marimbondo, que com certeza dessa vez a mataria. A Travesti chamou seu sobrinho-príncipe para aprender como curar uma picada de bicho peçonhento usando o próprio bicho que a picou. "Neneca vem cá que eu quero te ensinar como cortar o veneno da picada de um marimbondo. A tia aprendeu isso lá no interior do Amazonas onde ela nasceu, e é feitiçaria, mas vai curar a tia do veneno do bicho."

Neneca então se aproxima para vê a tia Travesti espremer o rabo do marimbondo para retirar-lhe o ferrão. Ele está excitado com toda aquela situação, e fala sem parar, o que não parece incomodar sua tia enquanto arranca o esporão do bicho. Com o ferrão arrancado, a Travesti cospe em sua mão e amassa o marimbondo morto e sem ferrão junto com a saliva, e faz uma pasta com tudo, e depois coloca sobre o local da picada. Ela não sabe se irá funcionar pois nunca lembrou-se dessa feitiçaria cabocla, mesmo já tendo sido picada várias vezes por marimbondo, ela nunca lembrou-se de usar esse conhecimento de feiticeira que aprendera com Dona Binhí, a feiticeira mais temida do Amazonas.

A travesti e Neneca sentam-se na beirada da piscina, enquanto esperam pelo efeito do feitiço aparecer. A Travesti está muito preocupada pois não quer que seu sobrinho-príncipe presencie uma sena horrorosa como a que ela está esperando que aconteça. "Tomara que faça efeito, meu Deus! Se não eu tô é muito fodida mesmo! O Neneca não pode vê isso, ele é só uma criança, e nunca me viu ter uma crise alérgica.".  Ela já nem estava preocupada consigo mas sim o seu sobrinho-príncipe que pode assustar-se com o que ela virará em minutos. Os dois permanecem sentados na beirada da piscina esperando o desfecho daquela situação fatídica.

Enquanto conversavam sobre o que tinha acontecido, a Travesti percebe que passaram-se alguns minutos, e nada de vermelhidão nem coceira nem calor nem inchaço nem reação nenhuma à picada que levara do marimbondo em seu peito esquerdo. Ela se alegra e beija seu sobrinho-príncipe na testa, agradecendo-lhe pela ajuda e companhia, pois ele sempre diz que amigos cuidam uns dos outros, e ele estava cuidando de sua tia Travesti. O antídoto feito com saliva e o marimbondo amassado sem ferrão deu certo. Finalmente a Travesti respira aliviada e feliz por não tido uma crise alérgica, graças ao antídoto que aprendera com a maior feiticeira do Amazonas, Dona Binhí. Depois ela vai ensinar como se curar de uma picada de cobra peçonhenta. Aguardem!



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