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YAMÊ ARAM

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A VITIMIZAÇÃO DOS GAYS

Tem horas que eu acho que os gays se vitimizam demais. Principalmente, as travestis e as transexuais que gostam de usar o discurso: De que não estudaram, porque sofreram bullying e acabaram abandonando a escola, onde está toda aquela força que todos sabem que as travestis têm? Eu sofri muito bullying no colégio, mas nunca me deixei abater por ninguém ou por qualquer situação que aparecesse na minha frente. Cheguei a estudar numa escola que se chamava 15 de Novembro, ficava localizada no Paraná do Moura, um afluente do Rio Andirá, no interiorzão do Amazonas, nossa casa era a mais próxima da escola, mesmo assim, tínhamos que remar três horas pra atravessar o rio e chegar na escola. Merenda escolar? A gente levava de casa, eu e o meu irmão, como éramos os mais ricos, segundo os nossos colegar e a nossa professora, ficávamos responsáveis por levar os biscoitos recheados, os filhos do seu Jaboti, levavam os beijus e a farinha, os filhos dos Caiazada, levavam os peixes, o Pezão e os dois irmãos dele, traziam as frutas, e dessa forma nós fazíamos nossa merenda, e ninguém reclamava por estar fazendo todo esse sacrifício. Então, diante disso, como podem as travestis e transexuais, que moram aqui no sudeste, onde há bilhões de possibilidades para uma pessoa como nós, estudar e seguir carreira dentro de qualquer área, reclamar que não pôde estudar?

"Ah, ninguém emprega uma travesti ou uma transexual!", também não concordo com esse discurso. Eu já trabalhei em lugares que jamais uma transexual ou travesti entrou. Privilégio? Não. Eu me vi capaz de trabalhar naquele lugar, entrei, dei um bom dia com um tom de voz que todos se sentissem cumprimentados por mim, dei um grande sorriso e entreguei meu currículo. Vinte dias depois, o diretor da escola me ligou, fui até ele, e naquele mesmo dia eu comecei a trabalhar naquele lugar, que eu quis e desejei trabalhar. Fui a melhor professora da escola, enquanto alguns professores ganhavam um chocolate, eu ganhava tantos que distribuía até com o vigia da rua. Nunca fui descriminada naquela escola maravilhosa que eu trabalhei.

Por isso, acho que na maioria das vezes as travestis e transexuais que dizem não ter opção para trabalhar, além da prostituição, na realidade, estão se escondendo e sendo covarde diante das adversidades. Não seremos respeitadas se continuarmos com medo de enfrentar o mudo de cara e com peito -desculpem o trocadilho!-pois, somente quando nos empoderarmos de nossa dignidade e coragem, é que realmente vamos ser respeitadas. Ninguém respeita um ser fraco e acoado. Somos pessoas capazes de vencer qualquer situação, pois somos os únicos seres humanos que enfrentaram e venceram a si mesmos. Se temos força para mudar nossos corpos, porque também, não teríamos para enfrentar o preconceito, a sociedade, a religião, a política, e assim, nos apropriarmos do que também é nosso direito, e ter uma vida digna, educação, um emprego, moradia, e porque não, andarmos de cabeça erguida?

Está na hora de nós travestis e transexuais nos despirmos desse pano de saco sujo com cinza, para vestirmos roupas brancas e brilhantes, como somos em nosso espírito, para podermos tomar posse de nossas vidas, dos nossos sonhos, e tudo aquilo que é nosso direito. Temos os mesmos direitos que qualquer pessoa hétera, também somos cidadãos como qualquer um, se estamos sofrendo privações e estamos sendo cerceados de nossos direitos, a culpa também é nossa! Quem mandou nos colocarmos como aquele cão que só come da migalha que cai da boca das criancinhas, em vez de sermos as águias que caçam do alto e veem longe? É hora de acordarmos desse sonho medíocre, onde estamos sempre acoadas e de escanteio, e nos levantarmos, poderosas e transmutadas que somos, e nos apoderarmos de nosso papel na sociedade, de nossos direitos, de nossa política e de nossas vidas!

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