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YAMÊ ARAM

domingo, 27 de setembro de 2015

ANACONDA NÃO É SUCURIJU

Mas nem de longe uma anaconda é uma sucuriju! Aquelezinho e aquelazinha, uma vez eu e meu avô estávamos atravessando o Rio Andirá, passando gado na época da enchente, do Paraná do Limão para o Paraná do Miri. -Ainda bem que o barco estava vazio! Se não, a gente tinha ido pro fundo com barco e tudo.

-Tínhamos acabado de passar do meio do rio. Quase já do outro lado. Quando meu avô pediu para eu dirigir o barco enquanto ele almoçava.

Fiquei toda feliz por ele ter confiança em mim para dirigir o barco, era a única coisa que ele acreditava que eu fazia direito.

-Olha curumim, tu põe direto naquela pontinha de árvore que aparece no meio da mata, lá longe. Tá vendo?

-Tô sim, vô!

-Pois é, dirige direto nela.

-Era uma minúscula pontinha de uma árvore, que se sobressaía muito distante. Lá no Amazonas, os rios são grandes e largos. O rio Andirá é o segundo maior rio em volume de água do Estado. Chega até perder de vista de tão largo que é!

Segurei o leme do barco com firmeza. Fixei os olhos na pontinha distante da árvore, e deixei o barco cortar a água. Quando já tínhamos passado bastante do meio do rio, avistei uma árvore enorme bem longe ainda, negra como carvão, mas brilhava mais que um espelho.

-Vô! Vem cá! Olha aquilo ali. -Meu avô veio mastigando com a boca cheia de farinha nos cantos.

-O que foi, curumim?

-Aquilo é uma árvore?

-Acho que é. Mas segue direto nela. Aí quando chegar mais perto tu desvia pra direita.

-Beleza, vô!

-Olhando de longe parecia uma grande árvore boiando. Era estranho, pois o Rio Andirá, é um rio de água parada, e geralmente, é muito difícil encontrarmos árvores boiando. Somente rios de água corrente é que se encontra grandes árvores passando, levadas pela força da correnteza. Aumentei um pouco mais a força do barco, com bastante cuidado pro meu avô não perceber. Ele detestava quando eu punha o barco pra correr, que o bicho até soltava uma fumaça preta pela descarga. Eu sempre amei velocidade.

Um bom tempo depois, chegamos a uma distância de uns três quilômetros da grande árvore preta que estava boiando no meio do Rio Andirá. Chamei meu avô novamente.

-Vô, vem cá de novo! Já dar pra gente desviar agora? -Meu avô olhou espremendo os olhos.

-Não. Chega mais perto um pouco, não muito, aí tu desvia. -Ele voltou novamente para a sala de máquina do barco.

-Segui  mais uns dois quilômetros na direção da árvore que estava boiando. À aquela distância, já dava pra gente ver que a árvore era muito maior do a gente pensava. Tinha mais de uns cem metros de comprimento. Só achei estranho, o fato de não haver galhos nem raízes aparecendo. Pensei que fosse uma árvore que se desprendeu de alguma balsa que transporta madeira. Meu avô voltou novamente para o leme onde eu estava, foi exatamente quando chegamos a um quilômetro de distancia da árvore.

De repente, a árvore afundou fazendo uma onda enorme. Meu avô arregalou os olhos, que parecia até que iam pular para fora. -E olha que ele é caboclo destemido, cabra-macho, daquele que faz picada pelo meio da mata sem se perder, e ainda sozinho se for preciso. -Mas naquele momento, eu vi pela primeira vez na vida, meu velho avô, caboclo-macho, branco de medo.

-VIRA! VIRA! VIRA O BARCO, CURUMIM, QUE É COBRA GRANDE! -Eu mais que depressa joguei o leme do barco todo para a direita e acelerei tudo que pude para aumentar a velocidade da curva que tínhamos que fazer.

Foi a única vez que meu avô não reclamou de eu ter feito o Atalaia, um barco de trinta e dois pés de comprimento, soltar fumaça preta pela descarga.

-Segura esse leme, curumim! A gente tem que sair daqui agora. Aquilo não é árvore coisa nenhuma. Isso é cobra grande, curumim! E eu vou falar uma coisa, nunca vi um bicho daquele tamanho. Se ela vir pra cima da gente, a gente tá lascado! -Meu pequeno coração de oito anos estava batendo na minha testa -como diz o outro!

-Nunca imaginei que pudesse existir uma cobra grande daquele tamanho. As ondas que ela produziu quando afundou bateram na lateral do barco Atalaia, balançando-o até quase virar. A única coisa que eu pensava era -se aquela cobra daquele tamanho vier pra cima da gente, chapéu! Não vai sobrar barco, avô, neto, não vai sobrar nada.- As ondas batiam com toda força na lateral do Atalaia. Nesse momento meu avô já estava me ajudando a segurar o leme para o barco não virar.

-Segura, curumim! Segura o leme! Se não a gente vai bater esse cima da cobra grande. Aí tu vai ver o que é medo! -Meu avô tentava de todas as formas tentar me acalmar, mas era em vão. O que eu tinha visto era assombroso demais para mim. Eu já estava pedindo ajuda a Deus e o Diabo nesse momento. Tudo que eu não queria era ser comido por cobra grande de trezentos metros. Segundo meu avô, era qual deveria ser o tamanho daquela cobra grande.

Com muito custo a gente conseguiu sair do alcance das ondas enormes que a cobra grande tinha feito quando afundou. Meu avô continuava branco -e olha que ele é negro. Mas não tinha uma gota de sangue na cara dele- Eu sou branco, mas naquele momento eu fiquei transparente. Era monstruoso o tamanho daquela cobra grande.

-Ainda tá com medo, curumim? -Perguntou-me meu avô, até suspirando de tanto pavor.

-Tô sim, vô! Será que ela vem atrás da gente?

-Não. Um bicho daquele se quisesse vir atacar agente já tinha vindo. Uma cobra grande igual a essa que a gente viu, não tem medo de nada, curumim. Nunca tinha visto sucuriju tão grande como essa! Viu que ela é toda preta que chega a brilhar? Toca o barco pra casa! Vamos sair daqui desse lugar.

Eu mais que depressa acelerei o barco rumo ao Paraná do Moura, onde ficava nossa casa. Havia me arrependido amargamente de ter querido ir passar o gado com o meu avô. Eu não conseguia nem respirar direito de tanto susto que havia sofrido. Minhas mãos estavam trêmulas e suando. Somente minha mente tentava pedir proteção a tudo que existe para que nós chegássemos em casa com vida, e aquela sucuriju não nos atacasse. Sucuriju geralmente é traiçoeira e usa o poder de hipnose que seu chiado provoca, para desorientar a presa, deixando-a imóvel ou rodopiando igual pião, no mesmo lugar. Aquela sucuriju era tão negra que chegava a brilhar no sol!






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