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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DESCOBRINDO A TRANSEXUALIDADE


Sempre fui um menino completamente efeminado. Minha voz era fina, andava rebolando, isso, desde que eu era criancinha. Lembro-me que quando tinha uns três aninhos, a Solange, minha mãe biológica, estava deitada na cama com umas amigas, e desenhou na sua mão alguma coisa, e me chamou para ver e tentar adivinhar o que era. Quando olhei o desenho, não consegui compreender nada do que estava desenhado. Então, ela tornou desenhar outro desenho, quando olhei, entendi imediatamente.

-É um pênis de um homem! -Respondi quase que gritando.

-Não te falei Solange? Ele só sabe o que é o segundo, o  primeiro ele nunca viu! -Exclamou a Teca, uma das amigas da Solange.

-Mas ele sempre toma banho comigo. Troco de roupa perto dele. É claro que ele já viu uma vagina! -Respondeu a Solange, completamente intrigada com as palavras da Teca.

-É...Mas ele só lembra do pênis. Eu já te disse que esse menino parece uma menina. -Rebateu Teca à Solange com um certo tom de ironismo.

-Não é não, boba! É porque ele só convive com mulheres. É por isso! -Respondeu Solange com uma expressão de decepção em seu rosto.

Desde criancinha que sei que sou gay. Nunca tive curiosidade, enquanto criança, para ver uma mulher pelada. Mas morria de vontade de ver todos os homens pelados. Sei que parece que sou extramente pervertida, não que eu não seja, mas meu desejo era tanto, que mau conseguia ficar sozinha com um homem ou um menino, que fosse!

Quando completei vinte e sete anos, eu tinha acabado de fazer um concerto que iria  me introduzir completamente na música erudita. Era pra eu estar super feliz  com o sucesso do concerto. Minha performance havia sido magnífica e elogiada por todos que assistiram. Mas eu estava completamente aérea. Parecia que a voz das pessoas que vinham para falar comigo, não chegava até meus ouvidos. Havia um buraco dentro de mim. Um silêncio opressor estava me sufocando. Mau consegui conversar com as pessoas, direito.

Resolvi pegar um taxi, e passar na Casa Rio Verde, em Belo Horizonte, para comprar um vinho pra comemorar meu sucesso. Comprei três garrafas de vinho do porto, queijos e duas baguetes italianas. Cheguei em casa, mas meus amigos não estavam. O bilhete na porta da geladeira dizia que iriam dormir na casa de um amigo nosso. Abri uma garrafa de vinho. Enchi uma taça que bebi de um único gole. Enchi novamente. Fui para a sala. Liguei o computador. Coloquei uma seleção de músicas para tocar. Não satisfeita com o silêncio dentro de mim, resolvi ligar tudo que fazia barulho dentro de casa. Som, ventilador, máquina de lavar roupa, microondas etc. Mas nada conseguia desfazer o silêncio que estava me sufocando.

Já na segunda garrafa de vinho, lembrei que havia ganhado algumas roupas femininas de uma amiga, pelas quais eu a tinha xingado. Abri o guarda-roupa. Avistei a sacola com as roupas no fundo, embaixo das caixas de sapato. Rasguei a sacola. Peguei uma blusa vermelha e uma saia branca, e vesti. Quando olhei no espelho, tomei um susto. Foi a primeira vez que vi refletida  num espelho, minha verdadeira imagem. Eu estava me vendo pela primeira vez na vida. Aquela era eu. Eu era ela. Lágrimas começaram a molhar meu rosto. A alegria que inundou meu coração naquele momento desfez completamente o silêncio que estava apertando-me por dentro. Corri para desligar todos os eletrodomésticos que estavam ligados, pois consegui ouvir a barulheira que estava dentro de casa.

Voltei para a frente do espelho, e continuei namorando-me por horas. Nasci naquele momento. Foi a primeira vez que eu, Yamê Aram, me vi vestida e bonita. Aquilo que eu tinha sido durante todos os anos de minha vida, não era eu. Eu estava ali, refletida no espelho e linda. A liberdade e paz que senti naquele momento não há palavras que possam expressar. Eu era uma mulher, presa durante vinte e sete anos dentro de corpo masculino. Mas eu havia me libertado naquele momento. Corri pro computador para começar a procurar um nome que fosse capaz de me nomear. Aquele que todos conheciam, e me chamaram até aquele momento, era outra pessoa. Dener morreu naquele exato momento. Na verdade, ele nunca existiu. Ele era uma sombra deformada de mim. Uma roupa suja e rasgada que tinha escondido minha beleza feminina, por tanto tempo suprimida por mim, e por quem me rodeou. Não culpo ninguém. Mas agradeço a Deus por ter me dado um espelho capaz de me refletir, e acima de tudo, me fazer nascer para o mundo, e para mim, mesma!

Sou uma mulher transexual com um corpo de trinta e cinco anos. Mas eu nasci, somente, há sete anos atrás. Ainda estou deslumbrada com a mulher que descobri que sou. Conheço-me a pouco há pouco tempo, mas, já é tempo suficiente para eu saber que não sou homem,  sou mulher. Minha luta agora é para transformar meu corpo em como é minha mente, e principalmente, em como é minha alma. Sou uma mulher livre e destemida. Tenho ciência de minha condição física, de todo o processo que terei que passar para dar-me o corpo que necessito, para que eu seja por fora como sou por dentro. Amo-me por ser mulher!



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