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YAMÊ ARAM

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A APARIÇÃO DE YEMANJÁ

   
      Certa vez, durante uma noite de tempestades, com raios, trovões e ventos tão fortes, que várias casas foram arrancadas do chão, eu estava deitada em minha cama, enrolada com uma coberta enorme e grossa devido o frio que fazia, vendo a força do vento quase quebrar a janela do meu quarto, quando um dos relâmpagos iluminou o céu inteirinho como se fosse uma rede de raios, criando caminhos como teias pelas nuvens escuras que cobriam o firmamento naquela noite.

       Dei um pulo da cama, assustada com o poder daquele relâmpago. Então, quando o trovão soou depois do relâmpago, uma voz soou dentro de casa. -Está pronta, Yamê? -Era uma voz grave e forte, tão forte quanto o trovão.

       Aquela voz assustou-me grandemente, que cheguei quase cair em cima da cadeira que estava à minha frente, de tão desorientada que fiquei quando aquele som soou em meus ouvidos. Não era uma voz comum, demonstrava ser a voz de alguém que possui muita autoridade. Meu susto foi tanto que o frio até passou.

        -Estou pronta sim. Quem está falando comigo? -Minha esperança era que o dono da voz aparecesse. Mas, para minha decepção, somente o som de sua voz falava comigo.

        -Que bom! Então, venha comigo! -Assim que suas palavras chegaram aos meus ouvidos, meu espírito foi puxado para fora do corpo, e quando olhei para trás, meu corpo estava caindo sobre a cama. A voz que falava comigo soava por toda minha volta, e conduzia-me para algum lugar de onde vinham muitos sons de relâmpagos e trovões.

       -Para onde estamos indo? -Perguntei ansiosa por uma resposta, afinal de contas, somente aquela voz poderia dizer-me alguma coisa.

       -Desculpe-me pela curiosidade! Mas é que nunca andei por esse lugar antes. Tudo aqui me muito estranho. -A voz respondeu-me com um sorriso que mais parecia uma gargalhada debochada.

       -Não pense que conhece todos os caminhos. Há muitos caminhos que você não viu ainda. Este mundo para onde estou te levando, fica entre a terra e o mundo espiritual. Sabemos que você tem vistados muitos lugares espirituais. Mas, este local que é novo para ti. Queremos que veja e escute tudo o que você ouvirá. -Eu estava hipnotizada pela voz grave e sombria que falava comigo, que nem atentei para o local onde havíamos chegado na beirada do mar. Era uma praia de areia muito branca, até me lembrou as praias do rio Andirá e do rio Uaicurapá, que também são tão brancas, que chegam a cegar os olhos sob o sol do meio-dia.

     O céu estava muito azul, e o mar estava tão agitado, que as ondas quebravam uma sobre a outra. Não havia sol nem nuvem no céu. Tudo estava sereno em volta. Mas o mar estava bravo demais. Olhei para minha direita, e vi que havia uma pequena cabana de palha, perto da beirada da mata que ficava depois da praia. Haviam alguns espíritos escondidos dentro da cabana, e por algum motivo, eles estavam nos observando.
      -Por favor! Diga-me seu nome. -Mas a voz continuou em silêncio.

      Percebi então, que as águas do mar falavam. Eram muitas vozes saindo de dentro das ondas enormes que se levantavam e depois quebravam fazendo um ruído estrondoso. As vozes falavam mistérios e segredos das águas e dos homens. Olhei novamente para a Cabana, e decidi ir até lá.

      Quando cheguei perto da porta de pau amarrada com cipó titica, pude olhar dentro da pequena cabana. Haviam muitos espíritos escondidos na escuridão da cabana. Entrei, e conversei com alguns espíritos que estavam ali há muito tempo. Todos haviam caminhado muito, outros já haviam encarnado algumas vezes. Mas quando chegaram ali na beirada daquele mar, não conseguiram entrar nas águas das quais saíam vozes medonhas e horripilantes.

       -Saia daí, Yamê! Você não irá conseguir ajudá-los. Todos são prisioneiros do medo, foram vencidos pelo pavor noturno. Você foi trazida aqui para ver e ouvir tudo o for lhe mostrado e dito. -Disse-me a voz com autoritário. Era uma voz assombrosa. Parecia ser uma voz de um homem, mas alguma coisa em suas palavras, me faziam perceber a sombra de uma mulher por detrás da voz.

      -Vamos! Temos que ir pra beirada do mar. Vocês não querem atravessar aquelas águas? -Disse-lhe quase gritando. Mas nenhum deles teve coragem para se levantar de onde estavam sentados e cabisbaixo.

       Um estrondo enorme estremeceu todo aquele lugar. As areias da praia começaram a ser levantadas pelo vento e formavam nuvens de areia que varriam e batiam em meu rosto. Mas não entrava nenhuma areia em meus olhos. Olhei para o mar, e vi que do meio do mar uma onda enorme, maior que todas, levantou-se poderosa sobre as águas. Uma nuvem escura começou a tomar todo o céu. Relâmpagos e trovões começaram a rasgar o firmamento azul daquele lugar. Raios saíam da nuvem como se fossem destruir tudo, e rasgavam as águas do mar, que estava mais bravo ainda.

       Quando os espíritos que estavam dentro da cabana viram que a onda estava vindo na direção da praia, comeram a gritar para que eu voltasse para dentro da cabana. Mas eu já estava caminhando na direção na beirada do mar. Sabia que eles não sairiam dali. Aquela velha cabana era a prisão eterna deles. Sabe-se lá, quando eles conseguiriam sair dali! Meu caminho era diferente, e eu tinha ver aquela onda bem de pertinho. Os espíritos continuavam gritando, e quanto mais perto da onda eu chegava mas eles gritavam para que eu não fosse.
     
        Raios começaram a cair perto de mim, abrindo buracos enormes na areia. Trovões tão poderosos começaram soar, que até meu espírito estrecia e tremia junto com tudo que era afetado por aquele som. As vozes das águas aumentaram mais ainda seu volume. Eram vozes magníficas e cheias de segredos e mistérios. O vento também falava sobre a onda que estava vindo na minha direção e me dizia em mistérios quem estava dentro da enorme onda. Os espíritos continuavam ameaçados e presos dentro da cabana velha, prisioneiros do pavor noturno.

         -Quem está vindo na onda? -Perguntei curiosíssima para a voz sombria que falara comigo a pouco. Mas, mais uma vez silêncio.

          Eu não cabia em mim de tanta excitação. Eu estava tão eufórica, que mal escutava os espíritos gritando para eu não ir na direção da onda enorme, que agora já estava a menos de um quilômetro da praia onde eu estava em pé, olhando admirada e ansiosa para que ela chegasse logo na beirada do mar. Só podia ser uma divindade muito poderosa para fazer toda aquela manifestação poderosíssima.

          Eu já tinha visto e ouvido tantos espíritos poderosos, tantas divindades, arcanjos, anjos, demônios, e outros que não posso ainda falar sobre eles ou mesmo pronunciar seus nomes, mas nenhum se aproximou de mim, fazendo toda aquele fenômeno. Mas eu os vi e ouvi. Eu estava louca para que a onda tocasse meus pés, e pudesse entrar dentro dela.

          -Está com medo, Yamê? -Disse-me finalmente a voz sombria. Já havia algum tempo que ela não me respondia as minhas perguntas.

          -Não. Quem está na onda? -Os espíritos gritavam desesperados, dizendo que eu não devia ir ao encontro da onda monstruosa que já estava há quinhentos metros da praia.

          Aqueles espíritos não eram com eu. Eu não tinha medo de nada. Desde os meus três anos que vejo muitos espíritos e viajo por mundos, ou dimensões, como queiram chamar. Não perderia a oportunidade de ver quem estava na onda. Eu tinha certeza que era um espírito muito poderoso, e eu sou fascinada por isso. Nem por um instante em pensei em desistir de entrar naquela onda medonha. Não há medo em meu coração. Já cheguei a ser repreendida por alguns espíritos, que inclusive, advertiram-me sobre o perigo de minha curiosidade. Mas eu sempre sigo meus instintos, e por isso, eu iria entrar com certeza naquela onda.

           Os raios caiam com toda fúria sobre as águas e sobre a areia, os trovões soavam violentamente sobre nós, as ondas haviam aumentado tanto, que mal dava pra ver o horizonte por detrás delas. Mas meus olhos estavam fixos na onda infernal.

           -Se você não está com medo, entre no mar agora! -Falou-me a voz sombria novamente.

           -Mas a onda ainda está um pouco longe de mim. Não seria melhor esperá-la aproximar-se um pouco mais? -Respondi à voz que falava comigo.

           -Entre agora, ou, retorne por onde viemos! Essa onda não chegará a essa praia, se não, tudo será destruído. Se você quiser mesmo saber quem está dentro da onda, entre sem demora! -Alertou-me a voz.

            Imediatamente eu corri e entrei no mar. A água estava muito gelada, e o vento havia aumentado sobre maneira. Pude ouvir mais claramente o vento revelando sua voz. Eu estava tão feliz por estar ali, que já havia até me esquecido dos espíritos aprisionados na cabana velha e o grito deles já não me alcançavam mais.

             Quando cheguei próximo à onda, a água já estava pegando no meu pescoço, ela parou bem diante de mim. O vento também parou de soar e falar. As águas também pararam de pronunciar os segredos e mistérios da água e dos homens. Então, uma voz de mulher soou de dentro da onda.

             -Se seu coração não estiver maculado pelo medo, entre na onda agora, Yamê! Mas já vou lhe avisando que irá doer muito. -Alertou-me a voz de mulher que saía, da onda.

             Sem pensar em nada, atirei-me com um mergulho para o meio da onda. Quando meu corpo submergiu completamente, eu fui puxada para dentro da daquela enorme onda. Raios e trovões nasciam dentro da onda, e alguns comeram a atingir-me. Uma dor imensa tomou conta de todo o corpo. Entendi o porquê dos espíritos aprisionados terem medo de entrarem na onda e estarem aprisionados para sempre dentro daquela velha cabana. A dor que percorria meu corpo era imensa, e parecia querer destruir-me. Mas eu já tinha suportado dores muito maiores, e aquela que agora torturava meu corpo, não iria impedir-me de seguir em frente.

              Depois de eu ser atingida por sete raios, a dor parou completamente. Eu fui novamente puxada para o meio da onda e levada para cima dela. Quando meus pés tocaram a superfície da água da onda, uma mulher divina estava em pé sobre o onda. Era ela que estava fazendo toda aquela manifestação que assombrava os espíritos. Suas duas mãos estavam abertas um pouco a frente de seu corpo. Seu vestido emendava-se com a água do mar. Seus olhos brilhavam como fogo e eram de onde saíam os relâmpagos. Sua voz era doce, mas também extremamente poderosa. seus cabelos eram tão longos e ondulados, e sumiam para dentro das profundezas do mar escuro abaixo de nós.

              -Seja bem vinda, minha filha! Seu coração foi provado e não foi achado medo nele. Ninguém com a mácula do medo pode entrar em minha onda, muito menos mergulhar em minhas águas. Mas fico feliz que tenha tido coragem para atravessar a onda. É bom ver um espírito corajoso como o seu. Eu sou Yemanjá! Este é o meu nome. Queres conhecer meus segredos e os segredos das vozes de tudo que você ouviu?

             


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