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YAMÊ ARAM

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O REINO DAS MENINAS II


       Nossa rixa era tanta, que as vezes ele me procurava pela igreja, isso, quando não era eu que passava por baixo de todos os bancos, atravessava a igreja inteirinha, -e olha que não era pequena, -continha quatro fileiras de bancos, cada uma com umas oito cadeiras, -já dá pra imaginar o tamanho da igreja, -e eu atravessava todos os os bancos enquanto eles estavam de pé orando, até achar meu arque-inimigo.

       Geralmente, ele também já estava me procurando com os olhos, e quando nossos olhares se cruzavam, saía até faísca. Ficávamos nos olhando durante um tempo, e depois voávamos um pra cima do outro, e quando o povo terminava de orar e abriam o olho, se deparavam com aquela cena horrorosa, dois garotinhos de cinco anos rolando no chão aos tapas, murros, socos, ponta-pés, puxões de cabelo e unhada, -dá minha parte, claro. -Ele era todo machinho, e eu, parecia mais uma menininha. Mas, na nossa batalha sangrenta, não havia diferença entre nós dois.

       O pastor da igreja um dia, chegou até proibir nossas mães de nos levarem para igreja, o negócio, era que quando não brigávamos na igreja, ele brigava com sua irmã em casa, e eu com meu irmão na minha, e o pau era pior ainda. Então, as coitadas eram obrigadas a nos levarem com elas para o culto. Todo mundo na igreja já nos conhecia, quando chegávamos na porta, o porteiro já olhava pra gente clamando pelo sangue de Jesus. E ainda falava com nossas mães "-Esses curumins não vão brigar hoje não, né irmãs?",  elas chegavam a ficar vermelhas de vergonha.

       Minha mãe então, que era branca, chegava ficar igual um pimentão de tão envergonhada que a pobre ficava. Aí, elas respondiam quase juntas "-Não vão não, irmão, eles já vieram avisados de casa, hoje. Se brigarem, vão levar uma surra na frente de todo mundo!".  Mas, nem uma surra daquelas de deixar a gente mole no chão era capaz de trazer a paz entre eu e o menino chato. Eu o detestava, e ele me odiava. Isso piorava tudo, pois jamais iríamos nos entender, e nem queríamos a paz.


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