BOAS VINDAS!

Obrigada por visitar meu blog! Espero que tenha gostado! Dúvidas e comentários serão respondidos com atenção. Para ler todos os posts de uma história, é só clicar nos marcadores!



YAMÊ ARAM

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

COMENDO PAPAGAIO V


             ...O cartucho tava mal socado, o chumbo espalhou, e mesmo com os milhares papagaios, periquitos, curicas e araras, meu avô errou o tiro. Eu e meu irmão até corremos de medo, quando meu avô errava, o primeiro que aparecesse na frente dele apanhava. E as surras dele, aquelezinho, era de deixar mole no chão!

              -ESSA MERDA DESSE CARTUCHO TÁ MAL SOCADO! ERREI A PORRA DO TIRO, NÃO ACERTOU UM SEQUER! QUEM SOCOU ESSA BORRA DESSE CARTUCHO, CURUMIM?

              -O senhor mesmo. -Disse o Renoca com uma voz fininha, que mal deu pra escutar o que ele disse.

              -Não é possível que eu tenha enchido uma merda dessa! -Meu avô detestava errar.

             Ainda mais que tava todo mundo olhando ele atirar. Seria a primeira vez que veríamos ele caçando, tínhamos mudado a pouco tempo pro Paraná do Moura, e já sentíamos na pele as dificuldades que iríamos passar pela frente. Nada lá estava fácil, só picada de Muriçoca, as bichas trepam na gente, que não tem como você aguentar um segundo sem se bater. É pá pra lá...É pá pra cá... Assim vai seu menino, a gente matando Carapanã o noite inteirinha! Na mata então é que o bicho come mesmo a carne da gente!

            Meu avô veio andando rapidinho, o passo dele era miudinho, tinha a perna meio cambota, torta na verdade, e com raiva então, aí que bicho andava torto, parecia até que o joelho ia quebrar, de tanto que entortava, menino!

            -Curumim, pega minha vareta de socar cartucho, e traz também um pedaço de estopa. -Uma espécie de pano que eles usam lá pra fazer o tampão do cartucho.

            O Renoca correu mais que depressa e pegou o que meu avô havia pedido, e voltou correndo. Quando ele tava chegando perto do vovô, este já gritou. -Porra curumim, tu foi fazer a merda do que eu pedi, praga? -Renoca já ficou todo branco, o curumim. Meu avô era muito brabo, como se diz no interior do Amazonas.

            -Não, já tô aqui, óh! -Respondeu meu irmão, quase mijando nas calças.

            -Me dá aqui essa porra! -Exclamou meu avô, puxando a vareta e a estopa da mão do Renoca, e ainda lhe ameaçou dá um tapa nele.

            O Renoca se desviou do tapa e saiu correndo, se agente esperasse, ele batia mesmo na gente. O bicho era violento, nem mesmo o Renoca que era seu xodó escapava de levar uns tapas pelo pé do ouvido.

            Quando chegou perto de mim novamente, Renoca tava até suando de tanto medo de apanhar. A gente evitava o máximo irritar nosso avô, as surras dele, a gente tinha que tomar banho de sal pra poder dormir, isso quando o gente não ia pra rede de lombo que quente, como eles dizem por lá, quando se apanha no final da tarde.



Google+ Badge

Google+ Followers

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Seguidores

Follow by Email

Google+ Followers