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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

COMENDO PAPAGAIO


        Todo mundo acha que o Amazonas é muito farto, de certa forma, sim, é um estado muito farto, inclusive de fome, principalmente na época da cheia, quando as águas enchem as cabeceiras, e os filha da puta dos peixes, adentram as cabeceiras até o mais profundo delas, exatamente, lá onde nenhum caboclo se atreve ir pescar, pois se não, volta todo cortado pelo maldito capim tiririca, e são moitas e moitas enormes que vão picando toda a sua pele, e aquilo arde, dói e sangra mais do pimenta no olho.

         É horrível, nem capeta quer entrar numa cabeceira cheia de capim tiririca, é uma praga! Aí meu filho, você pode colocar dez malhadeiras, que quando você vai vê de manhã, pegou um ou nenhum peixe. Então, você começa comer os bichos que cria, galinha, carneiro, bode, e quando a coisa tá feia mesmo, se come os bois,só não dá pra se comer tudo, se não, acaba, e comprar esse tipo de bicho pra criar é muito caro, e geralmente, caboclo não tem muito dinheiro. A saída é caçar e matar pássaros pra se comer.

         Uma vez, no Paraná do Moura, experimentamos esse tempo de difícil sobrevivência. Não pegávamos nenhum peixe. Podíamos tarrafiar, colocar malhadeira, corricar e pescar com caniço, que nada adiantava, dava até tristeza irmos pescar e voltar sem nada no fundo do casco. Então, meu avô no desespero para conseguir comida pra nós, teve uma grande ideia, esperar dá cinco horas da tarde, hora que os bichos vinham comer manga nas mangueiras carregadas de fruta, para poder vê se ele matava algum pássaro para jantarmos à noite.

         O pior de tudo, era que minha mãe estava de resguardo do meu quarto irmão, e não podia comer carne reimosa, por exemplo; porco, carneiro, bode, até mesmo galinha, algumas pessoas mais velhas e antigas, não aconselham dá para uma mulher de resguardo comer, ela cisca pra trás, imagino o que um veado deva fazer pra uma mulher nesse estado, então! Estava aí, o grande desespero do meu avô, a preocupação com o que minha mãe iria comer, na realidade, ele estava pouco se lixando pro que a gente ia comer, tinha muita fruta, e curumim come de tudo.

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