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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 2 de julho de 2014

SEU RAIMUNDO DE PEDRAS III


           De repente Seu Raimundo interrompeu o que estava me contando. Seu cigarro de rolo havia apagado. Acendeu. Deu três trago bem puxado. Puxou mais um trago e soprou a fumaça em mim.

          -Isso é pra te proteger. O que vou te contar é muito pesado, e teu corpo precisa tá protegido. Se bem, que tu tem muita proteção. Mas isso, precisa que tu teja preparado, curumim! Vamos deixar esses antigos de lado. Quero te contar uma história, pra depois eu te contar a minha. -Então, ele deu mais tragos no seu cigarro, e o apagou no meio fio da calçada.

          Meu corpo parecia está flutuando. Minha mente parecia conseguir captar tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Até o canto dos passarinhos estava diferente. A correnteza da água parecia mais forte. As nuvens não se moviam do lugar, e uma sombra de uma nuvem enorme parou sobre nós. Seu Raimundo olhou para ela e disse:

          -Obrigada meu Pai por nos cobrir com a sombra dessa nuvem! Olha curumim, eu tinha três filhos, João, Maria e José. Os três eram terríveis. Viviam andando pelo meio do mato. Eles não tinham medo. Caçavam passarinho pra eles comerem, brincando de casa e cozinha no meio do mato. Todo santo dia eles sumiam de manhã cedo e só voltavam no finzinho da tarde. Eu sempre ralhava com eles. "Olha curumizada, parem de brincar no meio mato, principalmente meio-dia". Mas, os bichos eram teimosos, e nem ligavam pro que esse velho aqui falava. Isso era todo dia. Depois eu já nem ligava. Mas, me preocupava por saber que brincar nessas horas que as coisas tão solta, é perigoso topar com elas, e se o caboclo não tiver preparado, ou não tiver uma Reza Braba de proteção, é capaz dele ser levado pra sombra da mata, e nunca voltar. Eu falava isso todo dia pra eles. Mas, não tinha jeito. Um dia, eles saíram de manhã cedo sem tomar café. Acordei e cadê os curumins? Já tinham ido pro mato brincar. Aqui atrás de Pedras, tem um rio que seca na época da vazante, e eles atravessavam o rio seco, entravam na mata pra brincarem de caçar. A mata lá é fechada, e tem muito bicho. Fora os que olhos não veem. Como eles faziam isso todo santo dia, nem preocupei com eles. Fui pescar de anzol e vê umas malhadeiras que tinha colocado pra pegar tambaqui e surubim. Voltei. Cuidei dos peixes. Nesse dia Deus abençoou, que pegou foi muito peixe. Até salguei um bocado, e coloquei pra secar no varal. Curumim, fiz um surubim cosido, que curumins adoravam comer amassado com farinha. Eu fazia aquele capitão e dava na boca deles.

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