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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 5 de maio de 2014

ZAGAIANDO À LUZ DA PORONGA

Zagaiar é uma das coisas que tive que aprender a fazer quando morei no interior do Amazonas. O ruim, é que só se pode zagaiar durante à noite sem luar. Imagine uma umbra, daquelas que você não vê nem sua mão de tão escuro que fica na beirada do rio.

Pra zagaiar você utiliza a famosa e mortal zagaia, uma espécie de arpão, só que com três ponta, diferente do arpão de pesca pirarucu que tem uma única ponta com dois ganchos. Ela que possui pequenos ganchinhos que entra fácil e sai rasgando, o pobre do peixe não tem a menor chance de fugir de uma zagaiada.

Aquilo atravessa o peixe de um lado pro outro, e tirar o peixe dos três arpões da zagaia com a mão, é coisa de caboclo que não sabe como pescar com essa arma. Caboclo bom de zagaia é aquele que zagaia o peixe, e arranca o peixe no banco de trás do casco, com uma velocidade incrível.

Outra coisa que caboclo usa pra zagaia é a Poronga, uma espécie de lamparina, só que um pouco maior, que aquela feita de lata de leite Ninho, que no vento apaga rápido. Já a Poronga, que tem uma aba atrás do seu corpo, é perfeita para zagaiar, e quando você foca com ela na água, a aba não deixa a luz lhe encandear, os pobres peixes é que ficam encandeados e não percebem o perigo devido a luz da Poronga que lhes cega sem que percebam o perigo de uma zagaiada.

Mas, o caboclo tem que ser bom pra saber zagaia com a Poronga, eu não conseguia vê nada com aquela luz fraca da Poronga, eu gostava mesmo era de zagaiar com lanterna. Mas, meu avô queria que eu aprendesse a zagaiar com a Poronga, não conseguia vê nem pau debaixo d'água, que dirá peixe. O Benben é que era bom com a zagaia, nossa ele conseguia vê até fantasma com a luz da Poronga, era impressionante a sua destreza.

 Em menos de duas horas zagaiando ele praticamente enchia o casquinho que tínhamos de todos os tipos de peixes, e ele era tão rápido que só dava pra escutar os peixes sendo arrancados no banco do casco, que ficava no meio do casco, que geralmente tem três bancos, um na frente, onde o Benben ia sentado, um no meio, onde os peixes eram arrancados dos arpões da zagaia e outro atrás onde eu ia sempre sentadinha só apreciando a bela zagaiada do Benbem à luz da Poronga que o vento não apagava.

 Foto de Paulo Borges, à quem agradeço muitíssimo!

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