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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O ARACU E DONA ANA CAIÁ


 Minha irmã chamada Casola, apelido dado por causa de seu cabelo volumoso que imitava uma moita de mato, que lá no interior do Amazonas a gente chama de casola, vivia doente, pois sofria de asma e bronquite crônica. Suas crises eram de assustar, tinha vezes que eu achava que fosse morrer.

 Não havia remédio que adiantasse, ela tinha que ser internada toda vez, e era terrível pois a gente tinha que caminhar dezenove quilômetros de estrada de piçarra, pior era quando estava chovendo, aquilo atolava tudo, aí tínhamos que caminhar descalços, se não as havaianas arrebentavam todas.

 Certa vez, Casola teve uma crise horrível, pior que todas que já tinha tido, e precisou ficar internada um mês, meu avô, que amava Casola mais do ele mesmo, decidiu mudar para a cidade com medo que a pequena morresse, foi então, que do nada, uma canoona aproximou-se de nosso porto, era Dona Ana Caiá, uma cabocla, a única parteira que havia naquela região, uma encantadora de mão cheia, subiu nosso caminho do porto.

 Já dentro de casa e tomando seu café, Dona Ana Caiá disse:

 -Seu Bené, o que essa cuiantãe tem?

 -Nossa Dona Ana Caiá, essa menina tá doente demais, acho que vamos ter que mudar pra cidade!

 -Mas diga o que ela tem!

 -Ela tá com asma, aí ataca a bronquite, e essa menina só falta morrer!

 -Que isso seu Bené, tem um remédio ótimo pra isso, vai curar essa cuiantãe, e já já ela vai tá correndo pelo quintal e nunca mais terá nada, o senhor vai ver só!

 -Por favor Dona Ana Caiá, me diga que remédio é esse!

 -É simples, o senhor vai pegar um Aracu vivo, de preferência daquele preto e amarelo, e mandar a cuiantãe cuspir na boca dele, depois o senhor solta ele de volta n'água, e pronto, depois o senhor me fala se ela não sarou.

 -Mas é difícil pescar Aracu vivo na malhadeira, de manhã os peixes já tão todos mortos.

 Foi então, que seu Raimundo Caiá, resmungou:

 -Que isso seu Bené, lá perto de casa o que mais tem é Aracu, cada um gordo, que chega até pingar gordura no fogo quando o bicho tá assando! Leve a menina lá em casa, mas vão pra dormir que eu vou pescar um Aracu vivo pra cuiantãe cuspir na boca dele.

 E assim foi feito, lá fomos nós pra casa de Dona Ana Caiá e Seu Raimundo Caiá pra Casola cuspir na boca do Aracu, um peixe gordo que tem no Amazonas, e principalmente na Cabeceira do Jurupari, um braço do Paraná do Mouro, um afluente do Rio Andirá, onde mora essa parteira encantadora e seu marido pescador de Aracu vivo.

 Quando seu Raimundo chegou com o Aracu até se debatendo no anzol, Dona Ana Caia desanzolou o bicho, com uma destreza de pescador, abriu a boca dele e disse:

 -Traz a cuiantãe Dona Jojó!

 -Vem cá minha filha! Aqui Dona Ana Caia!

 -Cospe aqui minha filha!

 A Casola cuspiu na boca do Aracu, aberta por Dona Ana Caiá, e o soltou novamente para as águas negras da Cabeceira do Jurupari, e o Aracu levou pro fundo d'água a asma e a bronquite crônica da Casola, que viveu feliz para sempre e nunca mais teve nada!

 -Valei-me Dona Ana Caiá e seu Raimundo Caiá, traga um Aracu aqui pra me sarar, e pro fundo d'água minha doença levar!




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