BOAS VINDAS!

Obrigada por visitar meu blog! Espero que tenha gostado! Dúvidas e comentários serão respondidos com atenção. Para ler todos os posts de uma história, é só clicar nos marcadores!



YAMÊ ARAM

segunda-feira, 26 de maio de 2014

JARAQUI NO MEXERICO


 No Amazonas, entre o meses de novembro e março, acontece uma coisa nos rios chamada Piracema, que é o período de reprodução dos peixes, onde eles sobem cachoeira acima ou embrenham-se cabeceiras a dentro em busca dos lugares mais escondidos possíveis para reproduzirem-se com segurança. O problema é que nessa época eles sobem em cardumes, e ficam vulneráveis à pesca predatória.


 Os pescadores não tem dó, na realidade suas redes não tem dó, saem arrastando tudo, lá a gente chama isso de arrastão. No arrastão não há diferença de tamanho, qualquer coisa é levada, ou seja, arrastada, até mesmo folha podre no fundo do rio, acho que daí vem "O que caí na rede é peixe". Já o caboclo, só pesca pra comer, não destrói nada. Eles as vezes nem tem redes de pesca, é muito caro para fazer uma, e comprar fica mais difícil ainda.


 Na época da Piracema, tem um peixe que aparece, chamado Jaraqui, que também anda em cardume. Mas, ao contrário da destruição provocada pelo arrastão, não o da praia do Rio de Janeiro, o caboclo pesca Jaraqui com um Mexerico, uma isca feita com Tucumã Piranga, amarrado numa linha de mica, segura por uma boia, não dessas que enche o bucho, mas uma feita de vidro de Elixir Paregórico ou Molongó, como quase caboclo não toma remédio, então vai o molongó mesmo.


 O caboclo amarra uma linha ao Molongó, de mais ou menos uma braça e meia de comprimento, e no final coloca uns treze anzóis, em cima desses anzóis, ele amarra algumas fatias de Tucumã Piranga, e amarra o Mexerico numa moita de arroz agulha, uma espécie de arroz silvestre, ou melhor aquático - que adora dá nas beiradas do rios de água preta - e fica com o casco, de longe, esperando a hora que a boia de Molongó começa subir e descer na água, provocando pequenas ondinhas, que indicam que vários Jaraquis estão chupando o Mexerico de Tucumã Piranga.


 Então, com muito cuidado e sem fazer barulho, o caboclo rema em direção ao Mexerico, e com a mão, puxa sem dó a isca de Molongó, e quando consegue trazê-la para a superfície da água, uns oito a dez Jaraquis vem anzolados, o que já é uma janta servida para uma família de treze pessoas. As vezes só se precisa colocar três Mexericos n'água, para garantir a comida de todo uma família por uma semana. O Jaraqui,é bom de todo jeito, assado, cozido, frito ou então, ensopado, o famoso Escabeche de Jaraqui.

Google+ Badge

Google+ Followers

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Seguidores

Follow by Email

Google+ Followers