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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 16 de abril de 2014

SEU RAIMUNDO DE PEDRAS II

          Ali na beirada do meio fio sentados, ficamos durante umas horas, eu ouvindo e ele falando, tudo que muito sabia sua mente velha de caminhada dura e dolorosa.

            Não era um simples velho, era um espírito vivo e muito iluminado, sua luz era própria, e era também das sambras. Meu olhar muito arregalado, não dava uma piscada, nem se quer coçava, tanto era o interesse despertado por Seu Raimundo de Pedras em meu coração.

           Esqueci-me completamente de tudo, nem passava mas na minha cabeça que haveria, ainda, outro compromisso que eu deveria está presente. Minha vontade, era ficar ali para sempre, ouvindo e me deliciando com as histórias misteriosas e muito bem contadas por aquele caboclo, que já era todo desdentado, deveria ter uns sete dentes só dentro de sua boca. Lábios bem escuros. Cabelo todo desarrumado, mas isso, devido o uso de chapéu de palha.

          Nada na realidade podia apagar sua luz. Toda sua beleza estava dentro do seu espírito, no conhecimento acumulado durante anos, com os mais velhos, com a noite, com o dia e principalmente com a mata. Esta ensina muito, quando se quer aprender, não é fácil ouvir sua voz, e geralmente, seus mensageiros, também não são.

          É tudo muito misterioso no interior, onde as casas são cercadas pela mata, e a onça vem esturrar na beira  do rego da casa. Sucuriju engole porco e bezerros sem a menor dificuldade. Jacaré Açu de doze metros de comprimento. Gavião enorme pega galinha grande e as vezes até cachorro, carneirinhos, cabritinhos e se eles forem grandes mesmo, como o Gavião Real, leva até criança, a gente tem que ficar de olho aberto com esses bichos.

           Seu Raimundo de Pedras, sabia que havia perigo muito pior vivendo na mata selvagem daquela região, nos observando dia e noite, e pela primeira vez, eu estava ouvindo a História Oculta da Mata, que em meu pequeno coraçãozinho, nem imaginava que existisse.

           -Olha curumim, vou te contar coisa feia, coisa que até o Diabo corre de medo. Quando me ensinaram isso, eu fiquei dias sem dormir direito, parece que a coisa tava atrás de mim o tempo todo, e quando  ia cagar no mato, não saia merda nenhuma de tanto medo. Mas, na verdade, a coisa tava atrás de mim mesmo. Comecei a vê vulto se mexendo na mata, o tempo todo. Me caiu uma tremedeira de repente, com calafrios que cortavam minha espinha, e eu suava igual farinha no formo, quando ensopa. Minha mãe, mandou chamar uma benzedeira que tinha lá perto de casa, uma velha que mascava tabaco o dia inteirinho. Ela benzia muito bem, curava quebranto dos meninos todos dali, até doenças feias ela curava. A velha era perigosa na benzeção, só era braba demais. Detestava curumim correndo no quintal dela, onde só tinha planta pra remédio, tudo o que você pensar de remédio, ela tinha naquele quintal. Dizem que até planta que mata ela tinha, aprendeu com a mãe dela, que segundo o pessoal fala, era muito pior do que filha, só dela te olhar, você já caia na cama. Eu acredito muito nessas coisas curumim, e acho que tu também, e o bom é a ausência de medo, mas essas coisas, só temem respeito, o caboclo que acha que pode dominar isso, se perde numa Mata que ninguém mais acha. Esse povo antigo era terrível, diz minha mãe que ela conheceu um homem, que andava por sobre as águas pretas durante o noite de lua minguante. Ela conta que esse homem nem precisava caçar, que simplesmente ele chegava na beirada da casa, de frente pro mato e começava assobiar, rapidinho aparecia tatu, cutia, paca, tudo no quintal dele. Pra pescar com a malhadeira, ele simplesmente colocava a malhadeira na água, e começava assobiar, com menos de meia hora, ele olhava a malhadeira, e quando levantava ela d'água, tava cheia de peixes, e só peixe grande. Mas, ele não gostava que ninguém fosse com ele pescar. Diz ele, que era pra não fazer barulho, mas, minha mãe contava que não, era por que ele rezava Reza Braba, pra poder ele pescar sem dificuldade, e também, ele não gostava muito de gente, vivia isolado lá na casa dele!

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