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YAMÊ ARAM

terça-feira, 1 de abril de 2014

SEU RAIMUNDO CAIÁ

Certa vez, estávamos passando gado do Paraná do Moura para o Paraná do Miri, um outro afluente do rio Andirá, que fica no outro lado da margem, uma região de beleza inigualável, onde pela primeira vez vi um pavão amazonense, do qual contarei sua história depois, hoje irei contar a história de Seu Raimundo Caiá, o marido de Dona Ana Caiá, uma parteira e encantadora da mata, da qual também contarei sua história depois. Hoje quero contar o que aprendi com Seu Raimundo Caiá. Nosso motor havia danificado-se durante a travessia do Rio Andirá, quase não deu pra chegarmos no nosso destino. Então, meu Avô mandou eu ir com o Seu Raimundo Caiá até a cidade de Barreirinha, um município do Estado do Amazonas, onde havia um mecânico que sempre consertava o motor do Barco Atalaia para meu avô. Mas, era viagem de mais ou menos um dia a remo, e muito perigosa, pois águas paradas são piores que águas correntes. Elas são pesadas e muito mais densas para se passar numa imensidão como era aquela travessia que iriamos fazer, eu e Seu Raimundo Caiá, cortando o Rio Andirá no sentido diagonal, e também, o tempo no interior do Amazonas é muito instável, e pode mudar de um minuto pro outro, e nossa canoa não era muito grande para atravessar aquela enormidade de águas pretas, como estavam as águas do rio Andirá naquela época. Saímos muito cedo, por volta de umas quatro e meia da madrugada, para que quando o sol Nascesse já estivéssemos entrando no rio Andira, e assim aconteceu, entramos nas águas negras do rio Andirá, assim que o sol nasceu, e apressamos o remo para que quando chegasse ao meio dia já estivéssemos no pelo menos no meio daquele rio enorme, o segundo maior em volume de água naquele estado. E como Seu Raimundo havia previsto, logo cedo, quando olhou para o leste e disse: -Vamos curumim, hoje o dia não vai ser fácil, teremos que contar com Deus e Santa Clara pra atravessarmos toda aquela imensidão do Andirá! Eu fiquei com vontade de ir ao banheiro só de ouvir sua voz sussurrante emitir aquelas palavras por entre os lábios que apertavam um cigarro de mole. Remávamos a toda velocidade, Seu Raimundo Caiá ia na proa da canoa, e eu na popa guiando. De repente olhei pro leste e uma tempestade vinha em nossa direção parecendo que iria acabar com tudo, ou como se o mundo estivesse acabando, e ele disse: -Rema curumim pois essa tempestade não vai ter pena da gente, então, é melhor remarmos com vontade pra gente chegar o mais perto da outra margem do Andirá, quando essa tempestade cair. Mas, já era tarde pra irmos mais à frente, a tempestade vinha se desenrolando no céu, engolindo todo o firmamento, e os raios começaram a cair nas águas negras do rio Andirá, e os trovões chegavam a estremecer aquela imensidão daquele rio enorme. O vento nos atingiu com toda força, e as águas negras daquele rio mostraram toda sua fúria, e começaram a bater-se uma contra as outras, fazendo com nossa pequena canoa quase virasse no meio daquele turbilhão de águas, e com certeza se nossa canoa virasse estaríamos mortos, pois era impossível nadar no meio daquelas ondas que chegavam a quase trinta metros de altura, e parecia que nada iria adiantar naquele momento. A força das águas, do vento, dos raios e dos trovões só estava aumentando e a água começou a encher aquela pequena canoa de madeira de lei. Foi quando Seu Raimundo Caiá levantou-se sobre o banco da proa da canoa e disse-me: -Fecha os ouvidos curumim, pois as palavras que vou pronunciar são negras demais para um espírito novo e inocente como o teu. Eu nem questionei e fechei meus ouvidos com as duas mãos. Ele então abaixou-se e pegou seu grande terçado, muito afiado, que chegava até corta cabelo ao meio, apontou para o meio da tempestade acima de sua cabeça e falou em alta voz: -Valei-me meu Deus! Valei-me Santa Clara, clareou! Que este terçado corte o céu, corte a terra, corte o inferno e corte também esta tempestade ao meio, e que estas águas também sejam cortadas com a lamina deste terçado, acostumada a corta mato, que também corte as águas negras desde rio bravo! Então, Seu Raimundo Caiá cortou com seu terçado uma cruz naquelas águas embravecidas e pronunciou palavras das sombras que não ouso neste momento pronunciar. E raios e trovões, vento e chuva, sessaram e aquelas águas foram acalmadas, e a mesma cruz que Seu Raimundo Caiá cortou em baixo nas águas do rio Andirá, cortou também em cima aquela tempestade, e as nuvens se dispersaram em cruz acima de nossos cabeças, fazendo com o sol voltasse a brilhar e águas ficassem calmas novamente.

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