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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 30 de abril de 2014

OS BEZERROS CAVALOS

Meu avô, incumbiu-nos de prender o gado todos os dias, coloca-los no curral, e isso é tarefa que se faz de segunda a segunda, prende-se eles à tardinha e solta-os de manhã cedinho. Ele queria que começássemos a aprender viver e fazer as coisas que todo caboclo faz, inclusive tirar leite das vacas, o que muito me aterrorizou, nunca havia pegado nem numa corda, que dirá ter que laçar uma vaca brava para trazê-la pra dentro do curral. Meu coração só não parou de bater, porque também tinha medo de morrer. Passei o dia inteirinho tremendo que nem vara verde na correnteza, nem consegui comer direito. Tentei pedir ajuda à minha vó, mas ela também queria que eu aprendesse a fazer coisas que só homem faz. Que maldição pra um pequeno curumim efeminado como eu! -Mãe, eu não sei nem gritar, que dirá dá um grito como vaqueiro pro gado ouvir e sair do meio do mato! -Deixa de ser medroso menino! Faz o seguinte, vai lá na casa da Dona Jovem, e pergunta pra ela, se ela deixa o Neto, vir ajudar vocês, até vocês aprenderem a fazer isso sozinhos. Não pensei duas vezes, o Neto era o filho único de Dona Jovem, a única professora de primário e ginásio que tinha naquela região. Neto era um verdadeiro curumim, caboclo nato, sabia fazer tudo, e não tinha medo de nada, era sagas e esperto, sabia andar no campo e manejava bem o terçado em suas mãos. Peguei o casquinho, aquele que não aguentava dois pensamentos dentro dele, se não afundava, e atravessei o Paraná do Moura, cerca de uns sete quilômetros de largura. Quando cheguei no porto da casa de Dona Jovem, seu Antônio, o pai do Neto, estava tomando banho com cuia, e de cara já me jogou uma caiada d'água, que fiquei toda ensopa, é assim que caboclo adulto trata curumim. -Pula n'água curumim, tem medo de mergulhar? -Eu não sei nadar seu Antônio! -Vem cá, deixa eu te ensinar! Entrei n'água junto com seu Antônio que ficou me segurando em seus braços, enquanto eu dava minhas primeiras batidas com os pés n'água. -Neto, vem cá curumim, mostra pra esse curumim como se nada! -Já vou papai, perai! Neto desceu correndo o caminho do porto, correu sobre a ponte de madeira e saltou pra dentro d'água, sumindo no meio daquele mundaréu d'água preta. Eu fiquei surpresa com sua coragem, só ali na beirada do rio já estava morrendo de medo de me afogar. -Ué, tu não sabe nadar, não? -Não Neto, nunca nem entrei n'água. -Perala, deixa eu trazer o casco mais pra fora, ai tu vem segurando na beirada do casco, é mais fácil aprender nadar mais lá fora no rio, do que aqui na beirada. -Tá bom! Segurei-me na beirada do casco com as duas mãos, enquanto o Neto nadando puxava o casco mais pra fora. -Neto, meu filho, cuidado, ele não sabe nadar! Exclamou Dona Jovem lá de cima da ribanceira de sua casa. -kkkkkkkkk Pode deixar mamãe, eu cuido dele! Respondeu Neto como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo. -Deixa Jovem, o curumim cuida dele, ele sabe nadar, e pode ensinar esse curumim da cidade a aprender nadar também! -Neto, meu filho, eu vou subir, quando vocês terminarem ai, venham pra vocês comerem! Disse o seu Antônio sem nenhuma preocupação comigo por não saber nadar, e já foi subindo só de cueca a ribanceira de sua, Dona Jovem continuava nos olhando lá de cima. -Olha, Neto o menino tá se afogando. Eu havia tentado nadar sem me segurar na beirada no casco. -kkkkk Tá não mãe, ele só tá querendo aprender nadar sem se segurar na beirada do casco. Respondeu Neto dando altas gargalhadas, Dona Jovem também rio lá de cima. E assim, Neto começou meus ensinamentos de curumim caboclo para que eu começasse a aprender a nadar naquelas águas negras do Paraná do Moura. -Por hoje já tá bom, amanhã tu vem de novo pra eu te ensinar a nadar, logo logo tu vai tá nadando igual pato. Eu aprendi sozinho a nadar, mas tem gente que tem que ser ensinada, como tu é da cidade, terá que aprender assim, mas o segredo é não ter medo d'água e sempre bater os pés e as mãos, e pronto, já tu vai nadando.

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