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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O UIRAPURU E A JIBOIA

        Um dia eu havia saído para andar pelo campo da fazenda, coisa que fazia corriqueiramente, principalmente ao meio dia. Eu sempre tive um fascínio por andar pelos caminhos do campo nos horários de meio dia, seis horas da tarde e à meia noite, claro, que sempre escondida de todo mundo, minha família era meio medrosa, e além disso, evangélica, e jamais concordaria que eu ficasse mexendo com coisas que a sua religião condenava.

         Mas eu sabia que não havia nascido para ficar presa à nenhuma religião, e sentia a força da natureza me chamando, as visagens que assombravam todo mundo, vinham sentar e conversar comigo por horas a fio.

          Nesse dia, senti que o campo me chamava, havia um ingazal e um goiabal que ficavam a uns cinco quilômetros da fazenda, e a voz que me chamava vinha de lá. Meu coração começou a acelerar de tanta curiosidade, quando todos se distraíram, eu peguei o caminho de trás da casa e fui em direção ao local de onde a voz me chamava.

          O dia estava lindo, ensolarado, e com poucas nuvens para esconder aquele azul reluzente do céu. O gado estava no outro campo, e o campo onde eu estava parecia desértico, não havia nada andando por lá, a não ser eu.

          Quando me aproximei do ingázal e do goiabal, percebi que as goiabeiras estavam cheias de frutos, lá havia goiaba de todo tipo, goiaba vermelha, goiaba branca e a que eu mais gosto, a goiaba araçá, ela é uma espécie de goiaba silvestre do Amazonas, seu tamanho é do tamanho de uma uva, mas seu sabor é divino, é bem azedinha, uma delícia, chega doer os dentes de tanto que você come, é viciante.

           Subi numa das goiabeiras, a mais alta e mais cheia de goiaba que tinha, e comecei a comer todas as goiabas araçás que minha mão podia pegar, o bom é que você pode colocar várias na boca ao mesmo tempo. Fui subindo nos galhos, até chegar na sua copa, quando levei a mão para pegar num galho mais alto que estava acima da minha cabeça e agarrei o galho com toda força para puxar meu corpo para um nível mais alto naquela goiabeira imponente, maior que todas as que haviam naquele goiabal, senti algo gelado em minha mão, tomei um susto tão grande que quase cai no chão, soltando o galho às pressas, mas, segurei-me rapidamente, agarrando outro galho mais embaixo.

           Quando olhei para cima para vê o que era que eu tinha agarrado, assustei-me mais ainda com o que meus olhos estavam vendo, uma Jiboia enorme, mais ou menos de uns seis metros de tamanho, uma cobra grande praticamente, olhando fixamente e colocando sua língua bifurcada em minha direção, gelei dos pés à cabeça, e comecei a descer lentamente, evitando movimentos bruscos, pois sabia que se ela quisesse, poderia engolir-me tranquilamente, foi quando tomei um susto maior ainda, a Jiboia falou:

            -Não desça, fui eu que estava lhe chamando! Achei que você não viria, ou talvez ficasse com medo. Quero lhe mostrar uma coisa, talvez um enigma, vai depender de sua coragem. Não irei lhe comer, já comi, e posso ficar meses sem comida. -Disse-me aquela enorme Jiboia que estava enrolada em vários galhos daquela goiabeira, sua cor creme com manchas marrom, torná-vão-lhe quase indetectável no meio de todos aqueles galhos da goiabeira.

             Eu então, respirei profundamente, e respondi-lhe: -Nossa, quase morri de susto, por que você não me avisou antes que você estava ai em cima? -Perguntei-lhe respirando mais tranquilamente.

             Ela então, moveu-se para o galho onde eu estava agarrada, um metro abaixo de onde estava, com aquele corpo enorme movimentando-se tão lentamente, e de forma tão precisa, que parecia fazer parte daquela goiabeira, trazendo sua cabeça para frente do meu rosto, tocando o meu nariz com as duas pontas de sua língua bifurcada, e disse-me:

             -Sou a guardiã desse goiabal, ele me dá o que comer, quando os pássaros vêm comer de suas goiabas, e eu o guardo dos homens e animais destruidores como os búfalos. Mas, quero lhe mostrar algo que você precisa saber. Tenho lhe visto vagar por este campo por vários dias.

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