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YAMÊ ARAM

terça-feira, 29 de abril de 2014

O UIRAPURU E A JIBOIA II

         Realmente eu havia andado por aquele campo, escondida de todo mundo, por vários dias, estava procurando encontrar Aquilo que anda ao meio dia, e talvez trocar uma conversa quando a sombra se esconde debaixo dos pés, isto é um mistério, que revelarei mais à frente. Mas não imaginava que naquele dia meu desejo começaria a se realizar a partir daquela conversa que estava tendo com aquela Jiboia enorme.

         Não era atoa que tinha ouvido sua voz me chamar. Meu medo já havia passado, estava mesmo era deslumbrada com aquele animal monstruoso falando comigo, não sei se eu falava sua língua ou se era ela que estava falando a minha. Mas, isso era o que menos importava naquele momento.

        Queria mesmo era desfrutar de toda aquela conversa magnifica que estávamos tendo debaixo daquele sol a pino. A Jiboia começou a descer pelos galhos daquela goiabeira com tanta beleza, que meus olhos chegaram a encher-se de lágrimas, tamanha era a emoção que estava sentindo em vê-la escorregando como se fosse um belíssimo balé.

         Ela desceu contorcendo-se por todos os galhos daquela goiabeira que era maior que todas, embora seus frutos fossem os menores, mas, os mais saborosos. Quando sua cabeça tocou o chão, esperei até que todo seu corpo de seis metros estivesse contorcido sobre aquele chão, forrado por capim picuí, então, desci lentamente, me agarrando pelos mesmos galhos que ela havia escorregado, quando meus pés tocaram o chão, e soltei-me do último galho da goiabeira araçá, ela virou sua cabeça enorme em minha direção e disse-me suavemente:

          -Você fez o mesmo caminho que eu fiz. Sabia desde que te vi andando por aqui, que não eras um curumim qualquer. Vi coragem e respeito em teus passos. Quando falaram-me de ti, fiquei curiosa para poder conversarmos um dia. Depois de uns dias te observando, resolvi te chamar. Não imaginava que fosses ouvir minha voz de tão longe. Fiquei surpresa quando te vi chegando aqui no goiabal, e principalmente por escolher subir exatamente na árvore onde fica minha casa escondida de qualquer olhar. Venha, siga-me!

          -Então, aquela enorme Jiboia virou para o leste e começou a escorregar pelo chão em movimento ondulares entre às moitas de Murta, um arbusto, típico daquela região do Paraná do Moura, que dá uma frutinha preta, muito gostosa, e que mancha os dentes e a língua, seu sabor é de um doce-travoso, e seus frutos dão em pequenos cachos que a gente coloca inteiros na boca.

          Quando chegamos debaixo de uma árvore de Ingá Xixica, ela disse-me: -Vamos esperas aqui! -E levantou sua cabeça olhando para à copa do Ingazeiro Xixica.

           Eu também fitei meu olhar na mesma direção que a Jiboia estava olhando, colocando sua língua bifurcada em alta velocidade para fora o tempo todo. De repente um Uirapuru veio voando do oeste e pousou no galho mais alto do Ingazeiro, e começou a cantar sua canção simplesmente divina. Fiquei deslumbrada com aquele pássaro raro da mata amazônica. Nunca tinha visto um Uirapuru de tão perto, e principalmente, fora da mata.

           O Uirapuru é muito arisco, e nunca mostra-se tão facilmente. Ele cantava consecutivamente e incansavelmente, como se estivesse muito alegre ou chamando alguém, foi então que a jiboia falou novamente:

           -Chegou a hora de tua escolha, tu irá escolher quem vive e quem morre. Não poderá salvar dois, somente um viverá, isso é para o teu desejo se realizar, como escolheste neste caminho andar, uma grande escolha terá que fazer, não tenha medo de colocar tuas palavras no ar, somente escolha sabiamente para não errar.

           -Eu levei um choque enorme quando a Jiboia falou-me daquele modo, sua ternura havia desaparecido, e seu instinto de serpente estava latente naquele momento, podia sentir sua força e seu poder de quase uma cobra grande, era de arrepiar até os pelos da bunda do caboclo, realmente não era algo que se devia brincar, os bichos e algo mais que andam debaixo do sol do meio dia naquele campo enorme onde eu me encontrava!

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