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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O ESTIGMA DAS TRAVESTIS E TRANSEXUAIS

Desde que eu era criança que vejo as pessoas falarem e associarem travestis e transexuais à prostituição, como se fosse a única oportunidade dada por Deus e pela vida à nós. Não que não haja muitas de nós prostituindo-se para ganhar seu sustento do dia, cada uma se vira como pode, ou melhor, como dá. Nem sempre as escolas aceitam-nos como somos, sempre há uma diretora ou diretor, uma professora ou professor, e também "colegas" de classe que nos chacoteiam o tempo todo, isso quando não nos agridem físicamente, enchendo tanto o saco que acabamos nos afastando da escola. Eu nunca cai nesse jogo do preconceito, sempre peitei todo mundo de frente, e nunca parei de estudar, mesmo quando a direção da escola dizia que eu não poderia ir maquiada para sala de aula. "Sempre perguntava se era melhor eu parar de estudar ou continuar meus estudo maquiada?", eles nunca tinham resposta para meu argumento, só respondiam que era norma da escola, que eu nunca respeitava, se homem ia vestido de homem, e mulher ia vestida de mulher, porquê que eu, que sou transexual, não posso ir vestida como transexual para a escola? Isso tudo me faz entender porque que as pessoas sempre vêm a nós travestis e transexuais como faxineiras, cabeleireiras ou prostitutas, pois na verdade, essas são as únicas portas que muitas de nós coseguem entrar, mas eu não, eu sempre quis estudar, e nunca liguei pro que pensavam as pessoas. Eu era uma espécie de extraterrestre na minha escola. Quando tinha doze anos de idade, fui estudar numa escola chamada Escola Estadual Professora Maria Belém, no município de Barreirinha, no interior do Amazonas, onde vivi dias terríveis, pois haviam colegas meus de classe que me perseguiam de todas as formas. Eles eram evangélicos da igreja Assembléia de Deus, mas, mais pareciam da Assembléia do diabo, era só o sinal de saída bater, que eu já saia correndo pra tentar despistá-los, mas como eram muitos, uns cinco no total, minha chances eram quase zero, eles agrediam-me fisicamente, verbalmente, moralmente, chegavam as vezes dar-me tantos tapas na cara que conseguiam quebrar meu óculos. Tentei falar com a diretora na época, mas ela disse-me que eu era a culapada por tudo, por ser tão gay e andar requebrando. Tentei também falar com o pastor da igreja onde eles congregavam, mas o pastor disse-me que ser gay era coisa do Diabo, e que talvez esses meninos estivessem sendo usados por Deus para ajudarem-me a mudar meu jeito de ser, acredita nisso? Então, um dia eu cheguei ao meu limite da paciência, peguei um canivete e coloquei em minha mochila, esperei anciosa pelo ataque daqueles covardes, não deu outra, assim que o sinal bateu, eles já saíram correndo atrás de mim, corri o máximo que pudi para afastar-me da escola e da região habitada, então, assim que eles vieram dando-me tapas e mais tapas, eu saquei o meu canivete de dentro da minha mochila e cortei todos eles, em regiões não fatais é claro, não queria matá-los, mas sim, mostrar-lhes o quanto era bom agredir os outros. Depois do acontecido catastrófico e infeliz, fui suspensa da escola e disciplinada da igreja, mas meus algozes nunca mais tiveram coragem para agredir-me. Nunca quis que isso tivesse sido necessário, queria só estudar, e ir pra escola como sou, travesti transexual, e não ser agredida e humilhada, e mesmo, expulsa da escola!

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