BOAS VINDAS!

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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A PORQUINHA TOLINHA

         No interior do Amazonas, quando se muda da cidade para o interior onde ninguém lhe conhece, é uma sensação, todo mundo da região vem te conhecer, trazendo presentes de todas as formas e tamanhos, é realmente impressionante o que se ganha dos caboclos numa recepção mais calorosa que já vi em minha vida, e olha que já rodei mundo, mas, igual à recepção que vi no Paraná do Moura, tá pra nascer outro povo igual.

           Nossa, naquele dia todo mundo de toda aquela região enorme, incluindo os que moravam perto da comunidade São Francisco e da comunidade Santa Luzia, e outros que moravam no rio Andirá, vieram nos conhecer e nos dar as boas vindas no modelo caboclo, trazendo desde beiju d'água, beiju cica, pé-de-moleque, crueira, tapioca, quebradinho-de-tapioca, borra-de-tapioca, só fruta que não, pois na fazenda onde iríamos morar tinha um pomar enorme com uma diversidade grande de frutas silvestres, que eu nem sabia que existiam, trouxeram também muitos animais, galinha, carneiro, bode, só boi que não, mais ai também já é querer demais, né!

           E junto com tudo isso veio uma porca gravida que iria dá cria por aqueles dias. Eu somente observava aquela atitude com muita curiosidade, e começava a entender um pouco sobre como os caboclos vivem e como eles se ajudam mutuamente para o bem-estar de todos na comunidade.

           Não há nenhuma casa de caboclo que não tenha criação desses bichos domésticos, de manhã cedo, quando se vai no quintal, é lindo vê a dona da casa jogar milho pras galinhas, "TÔCO! TÔCO! TÔCO! TÔCO! TÔCO!", o chamado das galinhas, faz com elas venham voando pra comer, e olha que se diz, "que galinha não voa", mentira, elas voam sim, e quando dão pra voar meu filho, elas são terríveis e dão o maior trabalho pra entrar no galinheiro, a gente tem que correr feito louco atrás dela, as vezes é até melhor matá-las, antes que bicho coma, e no interior o que mais tem é bicho que come galinha,é onça, cobra, gavião e mucura, um tipo de gambá que tem no Amazonas, gostoso de comer, sua carne é melhor que carne de galinha, mas o bicho fede demais, nossa mãe!

          Eles geralmente andam em bando, onde tem uma mucura, pode apostar que há um ninho, geralmente um buraco na terra, e a peste adora galinha, se deixar, eles comem tudo, acabam com as pobrezinhas das galinhas, ai...é melhor comer ele também, a gente tapa o nariz e mata o bicho, depois arranca uma glândula que ele tem debaixo das axilas, e fedor do bicho desaparece, depois disso, é cortar os pedaços e colocar na panela com fogo alto, daqueles que cobrem até a tampa da bicha, e deixar cozinhar, quando tá pronto, é que a gente sabe o quanto é bom o bicho, não sobra nem pros cachorros.

           Duas semanas depois da festa de boas vindas, a porca que tava pra pari, que a Dona Raimunda do seu Jaboti nos deu, deu cria a treze porquinhos, foi uma festa pra gente. Eu e o Renoca, que ficávamos vigiando o chiqueiro dela todo dia, fomos os primeiros a vê os filhotes, e logo o Renoca percebeu: -Essa porca só tem doze mamas, tem um que vai ficar sem mamar, nossa! Tem um porquinho que é tão pequeno, que nem o bico da mama da porca entra na boca dele! -E ele já estava com o porquinho minúsculo na mão, e corremos para mostrar para o pessoal em casa, o porquinho do tamanho de um dedo anelar de gente adulta, meu avô muito amoroso, logo disse:

             -Vai ter que matar esse bicho, ele não vai sobreviver, é muito pequeno e não tem como a mãe dele amamentá-lo, ela só tem doze bicos de mama, e o bico não entra na boca dele, dá pro seu irmão matar ele, Renoca! Eu fiquei chocada naquela hora que meu avô me mandou matar aquele porquinho, foi quando meu irmão rapidamente me passou a responsabilidade de por fim ao sofrimento daquele bicho, meu coração chegou a bater na testa, tamanho foi meu susto, preferiria nem ter mostrado o porquinho para ninguém, se eu soubesse que seu fim seria tão terrível assim.

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