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YAMÊ ARAM

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A MORDIDA DA PIRANHA

Isso só acontece na mata, em rio de água preta e barrenta, essas pestes estão pra todo canto, lá então aquelazinha, tu não acredita! Um dia meu avô me mandou vê malhadeira. Eu morria de medo de ter que andar num casquinho do tamanho de uma moto, até o peso do pensamento fazia ele virar. Meu avô, que adorava me torturar, me mandou de manhã cedo, seis horas, olhar a madeira pra tirar os peixes que havia caído de noite na rede, não a minha, da qual eu era expulsa de madrugada, cinco horas. Meu avô, botava a gente cedo pra fora da rede, e cedo também pra dormir, essa é a vida de um caboclo, que tem uns que gostam, eu por exemplo detestava, aquilo lá não é vida, mas eu tive que viver, até hoje me lembro dos flagelos que essa experiências me causou, de bom mesmo, é mato...Nossa, tremo só de pensar que poderia ter um jacará açú, daqueles pequeninhos de oito metros de tamanho, -como que se mata um bicho desses? Perguntei pro meu avô. -Com cacete, porrada na cabeça dele! Respondeu meu avô, o caboclo! Matava qualquer coisa...só não matou eu! Mas já colocou espingarda na cara de pastor pra tirar minha mãe de lá de dentro da igreja. O pessoal até joelhou diante da dezesseis que ele empunhava com uma cara que até o diabo corria dele. O bicho era bravo, e ainda é, aquelazinha! Aquilo não tem jeito. E é porteiro hoje na igreja! Não sei se mudou. Mas naquela época minha filha, ele não era gente, também, trabalhava fazendo picada pelo meio do mato, varando aquele matagal horroroso no terçado, afiado, que uma vez quase eu torei minha canela, a perna, cortando uma vara de cana, a lâmina do bicho atravessou a cana acertando em cheia a cana da minha canela que osso apareceu. Fiquei até branca de medo, e nessa época parece que a desgraça me seguia, tudo de ruim acontecia comigo, nunca vi uma pessoa tão azarada, só levava paulada, até com lenha do fogão, só porque eu queria encher o pote de água de tarde pra não ter que fazer isso de manhã cedo, eu já tava pulando n'água mesmo, por que não encher naquela hor, mas não...o pessoal lá gosta de mandar, e se você não obedece, dormi com o lombo quente, na realidade, ardendo, as pragas batem na gente é com cipó titica, cabo de vassoura, galho de goiabeira assado, de cuieira, esse dói! Nossa Senhora, o troço tem uns caroços ainda, aquilo aquelazinha, entra nas costas do caboclo rasgando, isso quando não é com terçado, até arame farpado eles usam pra bater na gente, dia eles que estão educando, eu teria outra palavra, mas deixa pra lá! Dona Ana caiá também sofreu, uma vez o pai dela muito amável tentou afogá-la com um mara, uma outra vara grande que eles usam pra desencalhar motor, só não serve pra casamento, a forquilha do mara só empurra capim, mas tentou empurrar Dona Ana Caiá pro fundo. Diz ela que quando o pai dela falou aquelas palavras doces: -Eu te matar afogada sua filha de uma puta! E pegou o mara tentou enfiar a forquilha dele no pescoço dela, no meio do rio, e beirada tava longe, só viu a água na frente dela, e sumiu com um mergulho pro profundo do rio, e já boiou longe, ele então pegou o remo e jogou como um arpão na direção dela, que com outro mergulho Dona Ana Caia conseguiu desviar da ponta da pá do remo, então, o pai muito bem intencionado pra com sua exímio mergulhadora, tomou nas mãos uma sate com o arpão na ponta, uma vara assassina de pirarucu, peixe boi, cobra grande, se bem, que pra matar essa é preciso quatro, desse número é sempre bom saber qual sua posição em caso de urgência, e tentou arpuar Dona Aba Caia, que graças a Deus sabia mergulhar!

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