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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SEU RAIMUNDO DE PEDRAS

          No Amazonas,no município de Barreirinha, existe uma comunidade chamada Pedras. Mas, subir pra Pedras não é fácil. São cento e lavai pedrada de degraus. Da preguiça só de olhar. Nada é mais alto, nem Deus. Mas, eu tive que subir, preferia descer que todo santo ajuda. Penitência, aquelazinha! Pra trás não deve olhar. A água corre demais. Cai aqui, boia ali, rapidinho. Degrau a degrau eu subi.

          Lá de cima é bonito de se vê tudo lá embaixo. Conheci nessa comunidade um caboclo antigo que possuía uma capacidade de se esconder atrás de qualquer coisa, inclusive agulha. Acho que isso é mais difícil do que vê um camelo passar pelo fundo de uma.

     Ele passava sem dificuldade, seu Raimundo, na sombra e na claridade sem ser visto por qualquer olhar de sagacidade. Ele era um sábio conhecedor de orações ocultadas de crianças inocentes e sem nenhuma responsabilidade pra invocar forças como a sombra das ciosas. Essa força é tudo que existe, e por esconder segredos sem nenhuma luz, são mortais pra se brincar, principalmente ao meio dia.

     Conheci seu Raimundo no porto da comunidade, que a agora é distrito de Barreirinha, uma cidade que morei na época. Ele estava em pé olhando pra beirada do Rio, vendo a água correr com velocidade. Fiquei olhando pra ele por de trás, olhando suas costa. Ele contemplava com beleza aquela natureza selvagem da água, da mata e a da força espiritual daquela comunidade. Ele virou-se e me olhou com tenacidade.

      -Vem cá meu filho, sente aqui na beirada. -Disse séria essa autoridade.

      Sentados no meio fio que passava na ribanceira, conversamos sob o pôr do sol que banhava aquela tarde.

      Haveria um culto à noite na Assembleia de Deus, igreja que estava festejando o aniversário de fundação de setenta anos do templo da congregação. Seu Raimundo estava só com uma bermuda cinza e uma camisa branca, chapéu na cabeça, e cigarro de rolo aceso no dedo.

      Seu Raimundo me contou sua história. Sombria como a noite no interior à luz de lamparina, onde a poronga também não alumia muito. Depois que se apaga, o que fica é um breu danado de escuro, e ouve-se todos os sons da calada. No início fiquei muito espantada com toda aquela verdade por ele contada. Sentada fiquei, olhando pra água correr com força, arrancando árvore da beirada.

      -Você me parece um bom ouvinte. Acho que vou te contar o que tenho aprendido nessa vida danada, curumim, tu ainda não sabe de nada! Mas, gosto de vê criança que gosta de ouvir boa história, se aprende melhor olhando de baixo e escutando de cima. É bom conhecer curumim sábio com pouca idade. -Afirmou-me isso, aquele homem maltratado.

       Eu disse sem temer uma encarada: -Já ouvi Matin cantar de madrugada. -Ele assustou-se e disse tirando o chapéu da cabeça, que de suor estava molhada.

       -Tens que ouvir o assobio dele na estrada, fala mais coisas que peixe na água. -Eu nessa hora arrepiei os pêlos da cara.

       -Não sabia que Matin assobiava, sempre pensei que só cantava, e já fiquei apavorada. -Eu realmente tinha ouvido a cantada, mas, agora, queria o assobio desse mistério da mata.

       -A pedreira é de difícil escalada, curumim. Agora quando se mora em cima, ela serve de muralha. Parece simples essa charada, mas, não sabes como a noite é de difícil caminhada. Não é bom tá sozinho na estrada. Quando não se deve nada, é bom ficar parado e vê o tem na encruzilhada, antes de continuar com a jornada. Viajante como você, já deve ter visto muitas coisas da mortalha rasgada. Estou realmente agradecido, por Deus mandar pra aprender comigo, alguém tão iluminado e sem uma mente travada!

        E isso foi só o início de nossa longa conversa na beirada daquele rio numa tarde muito ensolarada.

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