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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

TAJÁ OU TAIOBA?

             No Amazonas tem um Tajá bravo, daqueles venenoso mesmo. O caboclo entala na primeira bocada. Engoliu, chapéu! Não adianta fazer nada, é morte certa. E o bicho, o Tajá, dá em todo lugar e aos montes. Nada dá pouco no mato. Segundo os mais antigos, nesse Tajá, até o leite é venenoso.

             Gente, imagina se o leite que gosto fosse venenoso, eu iria chupar Amapazeiro. Mas, é verdade, do Tajá sai leite quando se quebra sua folha ou talo. Sim, ele também tem talo, e grande por sinal. Lá no Amazonas isso empesta o quintal inteiro e sai matando tudo que é plantação.

            Como tudo lá, esse Tajá também é assassino. Nossa eu tinha medo até de olhar pra ele. Sempre tive pânico de planta venenosa. No Amazonas é o que mais tem. Tajá tem de todo tipo lá, mas acho que o pior é Tajá Onça, entendeu por que? Depois eu explico. Mas, aqui em Belo Horizonte, um dia caminhando com a Edirlene, aqui perto de casa, vi um monte desse Tajá venenoso e assassino. Falei a ela: -Edirlene, nossa, aquele Tajá é muito venenoso, amiga! -A Edirlene me olhou assustada com os olhos parecendo que iam sair fogo.

             -Sério Edilene, nossa na minha terra isso mata só de olhar, gata! -Edirlene andou em direção do monte de Tajá Bravo. Arrancou uma folha, e outra, e mais outra, e quando vi suas duas mãos estavam lotadas do veneno do capeta.

             -Edirlene você é louca, menina, isso vai te matar! -Edirlene me respondeu puta de raiva.

             Ela não tem paciência com a burrice. -Deixa de ser boba, Yamê, isso aqui é Taioba, sua besta! -Eu preferi ficar muda. Sou jovem demais pra morrer entalada. Prefiro viver neste estado.

             Edirlene levou o Tajá venenoso para preparar em casa. Meu coração quase saiu pela boca tamanho era meu medo que todos morressem e eu ser culpada por tudo.

             -Yamê quer dizer que isso aqui é Tajá venenoso?

             -Demais Edirlene! -Respondi segura.

             -Cê é besta mesmo, Yamê! -Isso é Taioba. Uma delícia refogada. Com angu então, menina, ê... trem bom demais da conta sô! -Fiquei chocada com o que Edirlene estava falando.

             -Aqui, achei um monte de Taioba aqui pertinho da casa, e a besta da Yamê diz que é venenoso! -Todos começaram a rir de mim, dizendo que matava mesmo, mas a fome.

             -Yamê, eu ainda vou fazer uma farofa do talo dela, já comeu?

-            -Bom...talo sim, de Taioba não. -Fiquei olhando Edirlene cortando toda aquela Taioba e separando todos os talos.

              Depois ela cortou todos os talos em pequenas rodelinhas, jogou numa frigideira onde já estavam fritas várias linguicinhas, deixou refogar um pouco com manteiga e simplesmente encheu de farinha. Depois Edirlene pôs um pouco de manteiga numa panela e colocou toda aquela Taioba, o Tajá venenoso do Amazonas, adicionou uma pitada de sal e refogou por uns cincos minutos e desligou o fogo.

              Pegou um prato, colocou um pouco de angu, de franco com quiabo, um pouco de arroz soltinho e com muito alho, um pouco de feijão e encheu o resto do prato com a farofa de talo e Taioba refogada, deu uma grande bocada naquela comida totalmente mineira e soltou uma gargalhada.

              -Vem prova boba, não é venenoso não, isso é Taioba, então é assim que vocês chamam ela lá no Amazonas?

              -Acho que vou provar. A cara tá ótima e o cheiro melhor ainda. -Quando dei a primeira bocada na comida, fiquei louca com a farofa de talo e Taioba refogada na manteiga com sal.
             
              -Ah, se eu soubesse disso no Amazonas!

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