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YAMÊ ARAM

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

TACACA AMAZONENSE

Hoje, a visita de minha irmã, a Puraqué, me inspirou. Lembrei que a gente tomava tacaca na praça da Igreja São Benedito. Uma igreja linda, com uma praça maravilhosa, que fica na orla de Parintins, de frente pro rio Amazonas, no bairro que leva o nome do santo. Se bem que sempre preferi a escadaria São Benedito. Por quê? Ah minha filha, lá acontecia tudo o que santo ojerizava em sua penitência! Eu não. Sempre fui adepta de uma orgia. Devo ter rezado pra muitos caboclos atormentados pelo desejo latejante. E lá na escadaria o inferno deve ter uma porta direto lá de baixo. Eu vivia lá, principalmente no fim da tarde. Segundo minha desculpa, era pra vê o por do sol, que de lá é lindo, mas, nunca vi, as ocupações dentro de umas moitas de capim canarana e dentro d'água nunca deixaram. Mas, na realidade quem não deixava era os devotos do santo que tem casa no lado vermelho da cidade. Por isso, que eu adoro a cor vermelha. Bom... mas também, quem mandou São Benedito ser padroeiro do Boi Garantido! Tadinho, será que ele teve escolha! O povo tem mania de achar que santo protege qualquer coisa. A única que nunca quis ser protegida foi eu. Adorava correr o perigo de subir e descer... a escada longa e de muitos degraus que encobria os olhares do povo caboclo e fofoqueiro daquela cidade, que parecia me perseguir com as más-novas contadas às pressas para meu pai, que ficava atordoado com seu filho, que segundo o povo era ela. Eu não deixava faltar motivo para uma boa fofoca, e olha que sempre fazia tudo às escondidas,lá tem muito onde se esconder, pelo menos eu achava, dentro daquela moita de capim canarana que ficava do lado direito da escadaria São Benedito, lógico que descendo. Por que tudo que é bom fica embaixo! É pra onde eu olho sempre. Depois, de todo esse sobe e desce na escadaria, na moita de canarana, dendro d'água barrenta do rio Amazonas, essa cor de água é boa por que o caboclo não vê nada, só eu sentia tudo, e subia atravessando a praça, passando pela frente do santo com a cara mais deslambida, e ainda me benzia, quanta perversão, e ia tomar uma cuia do tacaca de Dona Maria, lógico que eu sempre escolhia a cuia grande, sempre gostei desse aumentativo. Dona Maria vendia cuias de tacaca pequena, média e grande. Aquele tacaca de São Benedito era o melhor da cidade. Muito camarão. Muito tucupi. Muito Jambuí. Cebola. Cebolinha, e muita pimenta murupi,típica do Amazonas, e muito mais forte que a malagueta. Ela é grande. Torta e cheia de gomos. Tá vendo por que gosto dessa palavra! Tem murupi vermelha e amarela. Mas, não se engane, a amarela é mais taiosa, Google Caboquês: Taiosa; Mais ardida. Mais quente, isso segundo os baianos. No mundo da murupi, vermelho não tem vez. E caboclo gosta da que arde mais. A primeira pergunta que se ouve quando se oferece um garrafão de tucupi é "Essa pimenta taia?". Resposta "Essa é das brabas!". Bravo eles não sabem o que é. Lá no interior do interior como diz a puraqué, se fala assim. Ai meu filho, o caboclo cai de boca. O olho lacrimeja. A boca arde. E o pior é quando a pimenta desce e sai por um orifício que não aguenta muito ardor. Eu nunca tive essa deficiência. Minha mente já deve está cauterizada. Aliás, tudo em mim é cauterizado. A verdade é que murupi faz sucesso na mata. Exatamente onde o olho não vê nada. Elas ficam lindas dentro de um garrafão de 51. Uma boa ideia é deixar a murupi no sol e sereno durante uns sete dias, penduradas num pau grosso e grande, chamado esteio. Depois conto o por quê! kkkkkk

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