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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MARCOS E MÁRCIO

De certa forma sempre estive num beco sem saída. De um lado, a família, a droga da escola exigindo que eu fosse o que esperavam de mim. Do outro, eu mesma, exigindo que eu fosse. Mas chega de metáforas e analogias.Naquela tarde de verão, tudo o que eu queria era me refrescar sob o pontilhão, nas águas cristalinas do Rio São João, em Santanense, bairro de Itaúna. Mas entre o sol escaldante e as águas frescas havia um longo e estreito corredor que que se espremia entre o grêmio recreativo e o muro de uma propriedade particular. Eu já estava no meio do caminho quando no fim do beco apareceu Marcos, um colega de escola que vivi em função de me agarrar, baixar minhas calças e enfiar sua piroca no meu cu apertadinho. Eram palavras dele, um menino de 12 anos, por favor, não pensem que eu era essa boca suja. Márcio me perseguia por onde eu fosse. E eu fugia o quanto podia. E lá estava ele, já com aquela coisa na mão, apontando para mim. Dei meia volta, que se dane a água refrescante. Nunca ia ter nada com Marcio e com ninguém. Mas quando me virei para tentar voltar à rua, eis que Marcos bloqueava a outra saída com seu pênis enorme. Na verdade, devia ser um pintinho de nada. Marcos era primo de Márcio. E a dupla tinha vindo ao mundo com a única e exclusiva missão de me perseguir. Mas como personagens de desenho animado, nunca conseguiam. E foi justamente o espírito de Penélope Charmosa que se apossou de mim naquele momento e me deu poderes para escalar o muro chapiscado, chegar ao teto do grêmio recreativo e de lá voar até minha casa. Estava livre. Só em sonho. Na realidade, eu tentei correr e passar pelo pinto pulsante e gigantesco de Marcos mas fui bloqueada com uma mão. Márcio veio do outro extremo e os dois juntos me imprensaram, um de cada lado. Depois gritavam "delícia!" e se dispersavam satisfeitos. Era sempre esse o desfecho quando eu não conseguia fugir. Nunca entendi bem aquele sanduíche sem qualquer sabor para mim. A coisa durou segundos e parece que meus algozes se deram por satisfeitos. Deixaram-me ir. Aí sim, vooei até minha casa e fui chorar no porão, meu refúgio de virgem perseguida. Chorei por horas e depois fui dormir e sonhei com Marcos e Márcio e seus pintos cor de rosa olhando para mim. Na manhã seguinte levantei e fui brincar com os casulos de borboleta presos aos muro. Minhas amigas de todos os dia. Tão misteriosas quanto previsíveis; tão constantes quanto mutantes; tão eu.

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