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YAMÊ ARAM

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DONA BINHÍ A GRANDE FEITICERA XIX

          Tudo naquela noite tinha um poder aterrorizante. Aquilo era poder da mata. Poder desconhecido para mim. Agora, para minha família era amedrontador. Mas, minha família já tinha visto algum tipo de manifestação. Eles só tinham medo. Mas, sabiam o que estavam buscando e a quem.

           Eu estava fascinada. Não conseguia controlar-me diante de tudo aquilo. Já tinha visto muita coisa. Na casa mal assombrada eu tive experiências bem significativas. Eu estava mais madura. Segura também. Mas, isso tudo que estava acontecendo ali não era uma guerra. Nada poderia sobreviver ao esplendor da mata. Tudo era dela. Ali, ela era a dona de tudo. Eu podia sentir ela se comunicando comigo. Era maravilhoso. Meu coração mal podia conter-se em meu peito. Tinha certeza que tinha sido levado ali para assistir e testemunhar toda aquela divindade manifestar-se.

           Olhei novamente para o caminho do porto da casa de Dona Binhí. A lua havia clareado tanto, que mais parecia um lençol prateado sobre as águas negras daquela grande cabeceira. As ondas na água pareciam reflexo de um espelho. O movimento d'água era perfeito. Não fazia nenhum barulho de água. Era como se aquele lençol prateado também fosse silencioso. Aquela visão era divina. Nunca havia visto algo tão belo e tão perfeito. Toda aquela beleza sendo mostrada a mim. Eu realmente pude sentir a selva. Pude vê-la por dentro de seus mistérios. Claro, aquilo era só o começo. Parecia eterno.

           Foi quando algo me puxou na direção do caminho do porto. Não houve resistência nenhuma em mim. Eu queria ir na direção daquelas águas cobertas com aquele lençol prateado. Flutuei em direção ao caminho do porto. Mas, não era eu caminhando. Uma força tão serena parecia está envolvendo meu corpo inteiro.

           Quando cheguei no meio daquela grande cabeceira, minha cabeça moveu-se tão suavemente para cima, como se nenhum músculo meu houvesse mexido. Contemplei o céu com uma lua que brilhava luminosamente prateada . Sua luz era tão forte que parecia impossível alguém conseguir olha diretamente, sem cegar-se. Já tinha visto luas magnificas, com luzes tão forte, que cobriam o brilho das estrelas no céu. Mas, aquela era diferente. Ela era cercada de estrelas, brilhantes como diamante. Estrelas que não eram ofuscadas por seu brilho divino. Pelo contrário, elas brilhavam junto com a lua.

           Não era um céu comum. Não era noite que eu já tivesse visto. Eu não conseguia mover nem um músculo do meu corpo, que continuava flutuando sobre as águas negras daquela grande cabeceira, cercada por mata de todos os lados. Não tinha vizinho por perto. O mais próximo era seu Jaboti, que morava cerca de uns quinze quilômetros.

           O vento que soprava naquela noite não agitava ás águas. Era com se ele acariciasse sua face. Também não fazia barulho algum. Olhei em volta e a mata também se movia com todo silêncio. Por um segundo achei que estivesse surdo. Mas, percebi que tudo parecia está em câmera lenta, e não era, só havia aquele silêncio cobrindo tudo naquele momento. Soube que nada fazia barulho, pois, o silêncio estava sobre tudo. Como uma névoa. Uma neblina.

            Agachei-me para tocar na água. Mexi minha mão dentro d'água, balançando-a de uma lado para o outro. A água movia, mas, não soltava nenhum som. Caminhei sobre as águas até a beirada do rio, indo em direção às árvores. Queria toca-las. A agitação de suas folhas e galhos indicavam que o vento era forte. Mas, por que não fazia barulho? Podia sentir sua força. Sua intensidade. O movimento que fazia na água. Quando cheguei à beirada do rio, peguei os galhos de uma árvores que tocavam as águas. Seus ramos eram tão grandes, que vergavam até suas folhas afundarem naquelas águas prateadas.

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