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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A LENDA DE TORO DOIDO

Quando a internet emitiu seus primeiros sinais em Divinópolis, trouxe consigo também o primeiro chat e a primeira pegação online. Não há registro disso, mas é bem provável que a primeira mensagem trocada entre as primeiras monas online tenha sido um forte e gostoso muuuuuuu! Isso mesmo, um sonoro mugido. Era Toro Doido, o garanhão do chat da Horizontes, o único provedor de internet da época. Toro Doido logo se converteu em uma lenda viva. Todas as bichas que podiam ficar acordadas até altas horas se plugavam no chat e torciam para que Toro Doido aparecesse. Naquela época, internet pras pobrezinhas só depois da meia-noite e após as seis da manhã tudo virava abóbora e purpurina. Mas como toda lenda que se preza, Toro Doido era de lua. Só aparecia quando queria. Só se materializava em carne, osso e chifres para poucas escolhidas. E olhe que todas viviam a atiçar a toalha vermelha nas fuças do garanhão. Não era tão fácil. Não se pegava Toro Doido pelos chifres. O primeiro passo para se credenciar a um encontro com o desejado bovino era tê-lo no ICQ, o Facebook da época. E toda bicha tinha ICQ sempre alerta. Ainda lembro o dia em que ouvi a vidraça se quebrando. Era o famoso aviso sonoro de que alguém adicionara você ao ICQ. Meu coração disparou quando vi que era ele. Meu Deus, era Toro Doido. Eu fora sorteada. Corri a cumprimentar mas todos sabiam que Toro Doido não responde. Toro Doido manda. Aguardei dias que ele falasse algo. Nada. Contei para os amigos que tinha Toro Doido no meu ICQ e me advertiram para as fraudes, as invejosas. Sim, já havia fakes de Toro Doido. Como ousavam? Quis saber como ele era. Mas não existia uma descrição exata. Se era moreno, louro,malhado, listrado, alto ou baixo. Só se sabia que era arrebatador. Chegava, fazia o que tinha de fazer e desaparecia deixando para trás uma mona satisfeita e serena em seu abatedouro. Ah, au!. Um dia, quando não tinha mais esperanças, Toro Doido se pronunciara no ICQ. Foi rápido, direto, certeiro. Marcamos a tourada, quero dizer, o encontro, para as sete da noite. Não contei para ninguém que naquela noite eu teria um encontro com uma lenda. E foi assim. Eu me sentia como alguém que se prepara para encontrar a Cuca ou o Brad Pitt. Ele veio. Tocou a campainha, entrou, não disse nada. Me derrubou sobre o tapete e olé! Não ousei encarar Toro Doido. Não se encara uma lenda. Mas a apalpei, cheirei, lambi.... Foi muito rápido e nunca saberei se tive em minha arena ele, o Toro Doido ou um fake. Mas não importava era meu primeiro contato real com o virtual, com uma criação saída daquele mundo novo que mal se anunciava no horizonte, a internet. Não queria que acabasse, mas ele tinha de ir. “Tinha de buscar a irmã no balé”. Disse com voz e postura de toro que provê suas bezerrinhas. E se foi, como uma conexão discada que cai e nunca mais se restabelece. Ficou a lenda.

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