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YAMÊ ARAM

terça-feira, 29 de outubro de 2013

DONA BINHÍ A GRANDE FEITICEIRA XIII

             Dona Binhí começou a rodar em volta de minha mãe fazendo movimentos com os braços, como se estivesse unindo dois círculos. Lembrei do símbolo do infinito que tem a forma de um oito. Mas, percebi que a fumaça obedecia o movimento de seus braços formando uma forma de espiral em torno da minha mãe.

             Era impossível que o vento produzido por seus braços pudesse ser tão perfeito a ponto de fazer aquele redemoinho surgir envolvendo somente a cadeira na qual estava sentada minha mãe. Eu via muito bem o espiral de fumaça que saia de dentro da panela de barro que estava do lado esquerdo da cadeira onde estava minha mãe quase branca de medo.

             Meu avô também estava com os lábios esbranquiçados de pavor. Era óbvio que estavam todos apavorados com o que estavam vendo. Menos eu, que estava possuída por uma curiosidade monstruosa. Dona Binhí começou a cantar umas músicas que pareciam não ter harmonia alguma. Eram palavras antigas que misturavam línguas indígenas com o português.

             Ela começou a cantar com duas vozes diferentes. Uma parecia a voz de uma moça de uns vinte anos de idade. A outra já era de uma mulher de uns trinta anos. Quando as duas vozes se misturaram, a fumaça em volta da cadeira onde estava sentada minha mãe aumentou de tal forma, que mal podíamos vê-la entre a fumaça.

             Algumas palavras pronunciadas por Dona Binhí, também apareciam no meio daquela fumaça que parecia ter vida própria. Meus lábios tremiam. Minhas pernas estavam geladas. Mas não estava com medo. Parecia que uma energia estava passando por todo meu corpo. Quando a fumaça ficou completamente impenetrável para nossos olhares, parecendo uma parede branca erguida á nossa frente, meus olhos viraram-se para a brecha da porta que dava para o porto da casa onde estavam amarrados os dois cascos e nosso motor Atalaia, e vi uma onda enorme se formar a mais ou menos três quilômetros da beirada do porto da casa.

            Era uma onda de uns três metros de altura. Tomei um susto. Ali não havia onda daquele tamanho. Nem debaixo de um forte temporal, uma onda daquela poderia ser formada. Era do tamanho de uma onda da pororoca. Olhei pra beirada da cabeceira de um lado e do outro, e a onda atingia todos os lados daquela grande cabeceira de rio.

           Como o luar estava prateado no céu, dava para ver tudo o que estava longe e no meio da mata. Dava pra vê as pontas da onda arrancando pequenos arbustos das beiradas da cabeceira. Ela vinha varrendo tudo. Fazia um barulho de uma grande inundação. Dava pra eu ouvir os estralos dos galhos quebrando enquanto eram arrancados e arrastados por aquela grande onda.

           Faltando apenas um quilômetro para chegar na beirada do porto, o tamanho dela dobrou. Tomei um susto tão grande, que sentei na rede. Meu coração parecia que estava batendo na testa. Não era normal aquilo. Nunca tinha visto uma única onda formar-se no meio de um rio sem temporal algum. Quanto mais ela aproximava-se da ponte do porto, mais seu tamanho aumentava. Fiquei com medo dela arrastar os cascos e motor pra cima da terra. Não havia dúvida que iria causar o maior estrago na hora que chegasse no porto da casa. Pensei em avisá-los para segurarem os cascos e o motor Atalaia.

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