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YAMÊ ARAM

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DONA BINHÍ A GRANDE FEITICEIRA XII

       Após arrumarmos tudo, Dona Binhí chamou todos para dentro da casa. Seu marido atou redes para todo mundo do meio da casa para a cozinha, segundo ela ninguém poderia ficar entre a sala e o quarto. Perguntei a ela por que, ela respondeu dizendo que quem iria vir nos atender não gostava que pessoas sem espiritualidade evoluída ficassem perto do toco onde estava preparado o ritual.

       Minha rede foi atada numa parte da casa que me permitia olhar direto para o porto onde estavam amarrados dois cascos e o nosso motor chamado atalaia. A lua estava tão prateada que parecia um dia, dava pra vê a luz da lua refletindo sobre aquelas águas negras da Cabeceira Grande onde ficava a tão abençoada e enigmática casa dessa feiticeira tão temida por todos naquela região.

       Ela mandou-me deitar na rede que seu marido havia atado pra mim, e disse-me:

       -Indiozinho-branco, não olhe para o porto quando eu começar a cantar, a não ser que queira vê o que irá subir para curar sua mãe, mas vou lhe avisando, que não será uma visão humana, muito menos qualquer coisa que seus belos olhos castanhos-escuros tenham visto. E talvez, você não esteja preparado para vislumbrar o que irá subir. Algumas pessoas ficaram loucas só de ouvir a voz delas, imagina se eles tivessem visto quem falava, enquanto subiam lentamente o caminho desse porto. Sei que sua rede está de frente para a brecha da porta que dá de frente para o porto da casa.

        Assim que todos estavam deitados em suas redes, Dona Binhí, chamou minha mãe para sentar-se na frente do toco, de costas para o sul. Olhei no relógio e faltavam trinta e três minutos para meia noite. Dona Binhí ascendeu uma pequena fogueira dentro de uma panela de barro que seu marido trouxera contendo folhas de Pé Café, São João Caá, Cipó Alho, Pimenta Malagueta e ossos de sucuriju, a famosa anaconda do Amazonas.

        Perguntei-lhe por que ossos de sucuriju, ela não respondeu nada. Seu marido veio calmamente até minha direção e disse-me que não adiantava mas falar com ela, pois não haveria mais resposta, pois o trabalho já estava começando.

        Quando o relógio badalou meia noite, todos os galos cantaram e um vento forte começou a varrer o quintal, parecia que uma grande tempestade estava começando. As castanheiras batiam-se uma na outra fazendo um barulho enorme, aponto de meu irmão corajoso começar a chorar de medo.

        Meu avô estava com os olhos tão arregalados que cheguei a ter vontade de rir. Meu coração começou a bater tão forte, que a rede onde estava deitado tremia embalada no ritmo dos meus batimentos cardíacos, mas não estava com medo. Minha curiosidade era maior pra dá lugar ao medo.

        Quando olhei pela brecha da porta que dava de frente para a ponte da casa, as águas espelhadas estavam tumultuadas e faziam ondas enormes com se fosse normal para um rio de águas calmas, mas não havia uma nuvem no céu estrelado daquela noite.

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