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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DONA BINHÍ A GRANDE FEITICEIRA XI

        Após jantarmos aquela paca maravilhosa, o que deixou meu avô um tanto quanto assustado, pois achava que eu por ser um "garotinho" chato pra cacete, iria dispensar aquele banquete dos Deuses. Mas, comi mais que todo mundo, apesar de gostosa a paca, minha atenção estava voltada para Dona Binhí, que comia com as mãos um pedaço grande de carne.

        Após todos jantarem, ela nos convidou para irmos pro terreiro da casa, que ficava na parte da frente. Haviam vários tocos de árvores que serviam de banco pra se sentar. Sentamos todos em roda debaixo de castanheira do Pará que estava cheia de ouriços, que logo iriam começar a cair.

        Dona Binhí pediu a um de seus filhos que pegasse a garrafa de café na cozinha. O menino correu e voltou rapidamente trazendo uma garrafa  vermelha que continha café apanhado de seu próprio quintal, o que não é exatamente certo pois sou daltônica e poderia ser verde. Enquanto tomávamos café, Dona Binhí concertou sua voz e disse:

        -Teremos que aguardar dá meia noite , antes disso não posso iniciar o trabalho. As forças que eu trabalho não agem antes de meia noite, no entanto, depois dessa hora elas saem para rondar e é quando posso invocá-las. Não fiquem com medo nem olhem diretamente pra mim. Fechem os olhos e peçam a Deus que nos ajude a curar sua mãe. Tenho certeza que Eles a curarão. Trouxeram tudo o que eu pedi?

        Minha vó logo levantou-se e foi até o barco buscar o que Dona Binhí havia pedido para que levássemos. Eram coisas para o ritual. Minha vó logo subiu rapidamente o caminho do porto, trazendo em sua mão direita uma sacola de pano branca com tudo que Dona Binhí havia pedido. Dona Binhí olhou para a lua que naquela semana era nova e disse:

        -Ainda bem que é lua nova, isso irá nos ajudar a curar sua mãe indiozinho. A lua nova é uma lua muito poderosa e boa para se fazer feitiços, principalmente os de cura. Ela tem a energia do renovo e isso irá nos ajudar com o feitiço, tornando-o poderoso o suficiente para curar sua mãe. Falta uma hora para meia-noite e tenho que começar a preparar o lugar do ritual. Venha comigo indiozinho-branco, sua ajuda será de grande valia pra mim neste momento. Até por que, você tem entrado em meus sonhos há muitas semanas, cheguei até a conversar com meu marido sobre você. Ele disse que deve ser você que está mexendo nas coisas aqui em casa durante a noite. Há barulhos na cozinha, no quintal, na sala, em quase todo lugar desta casa acontece barulhos durante a noite.

         Entramos na casa somente nós duas, Dona Binhí pediu para que eu pegasse um toco daqueles que haviam no lado de fora da casa e o colocasse no meio da sala. Mandou-me também buscar duas cadeiras e colocá-las atrás do toco de costas para o norte. Mandou buscar uma cuia preta sem pintura para ascender a vela branca. Pediu para eu colocar a garrafa de cachaça mo meio do toco, junto com um mole de tabaco virgem e uma faca nova com cabo de madeira amarela. Mandou-me jogar folhas de Cipó-Alho, São João Caá e Melão-Caetano, fazendo um círculo em volta do toco e das cadeiras. Pediu para que eu pegasse um pano-preto e colocasse na cadeira que estava do lado leste do toco, e um pano branco para colocar na cadeira que estava do lado oeste do toco. Também mandou buscar água nova na beirada do rio, mas a água deveria ser pega na cabeça da ponte e não meio nem dos lados da ponte. Assim foi feito, tudo segundo a vontade de Dona Binhí.

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