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YAMÊ ARAM

quinta-feira, 21 de março de 2013

TRAGÉDIAS DA SELVA AMAZÔNICA

Tenho lembranças terríveis de minha terra. Lá a natureza é cruel e mortal e não perdoa bobo. Não se aplica a lei do "olho por olho, dente por dente" na selva amazônica. Ela tem sua própria lei. Ela abriga e mata. Suas águas são traiçoeiras. Correntezas perigosas e imprevisíveis. Águas negras e barrentas, que em dias de tempestades produzem ondas com mais de três metros de alturas. Vira barco. Quebra canoa. Arranca árvore. Mas, isso não é tudo de pavoroso que pode acontecer na selva. Há coisas mais assombrosas e horripilantes. Certa vez presenciei uma das mais horríveis senas que já vi na vida. Estávamos no período da passação de gado da terra firme para a várzea, mais especificamente para o Paraná do Limão, que como todos no Amazonas sabem é enfestado por piranhas vermelhas. Nossa família reuniu-se, tias, primas, umas quatro famílias juntas. Na época eu tinha uns cinco anos de idade, e havia muitos primos com a mesma idade que eu. A fazenda era linda, e minha Tia Raimundinha estava fazendo queijo de leite de bufalo, o melhor queijo que alguém pode no Amazonas é feito por suas mãos. Geralmente crianças ficam longe dos adultos quando eles estão conversando, então, é melhor brincar de esconde-esconde no terreiro cheio de árvores e moitas onde é facil se esconder por muito tempo. Minha prima filha da Tia Raimundinha falou-me que iria se esconder no caminho do porto da casa, onde havia muita cana caiana, e era quase impossível ser descoberto no meio daquele canavial. Quando todos que estavam brincando foram descoberto, minha prima parecia ser nossa única salvação, pois todos do meu grupo já haviam sido eleminado, somente minha prima ainda não tinha sido pega, contávamos com ela. Após o tempo de trinta minutos que a estávamos procurando-a, Tia Raimundinha ficou preocupada e também se juntou a nós na procura. Eu sabia que ela havia se escondido no canavial e não podia contar seu escoderijo por ser do meu grupo. Quando a procura tornou-se mais intensa, eu fiquei com medo, ainda mais que se tratando da selva amazônica, o perigo não é constante, é eminente e todos sabem disso. Foi então que resolvi falar onde ela havia me dito que iria esconder-se. Fomos todos para o porto da fazenda, quando chegamos perto da ponte, o desespero tomou conta de todos, e foi uma gritaria só. Todo mundo correu para ver o que era. Tia Raimundinha eloquecida correu para cima da ponte do porto e tentou jogar-se dentro d'água, seu esposo que estava roçando capoeira, tinha na mão um gancho, instrumento usado para afastar o mato quando se está roçando o campo, evitanto assim picadas de surucucu, peçonha das mais perigosas do Amazonas, ao ver que Tia Raimundinha iria pular na água seu esposo engatou o gancho no seu pescoço e a puxou para trás e a agarraram uns quatro caboclos que não conseguiam segurá-la tamanha era sua força e seu desespero. Os gritos de choro de Tia Raimundinha ecoam até hoje em minha mente lembrando-me da brutalidade do que acontecera.

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