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YAMÊ ARAM

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

POR QUE NÃO TEMOS UMA SHAKIRA

É bem verdade que o Brasil tem evoluído muito nos últimos tempos. E os sinais desse crescimento estão evidentes seja nas ruas entupidas de carros zero das mais variadas marcas ou no crescente número de passaportes emitidos para a classe média ávida em gastar seu dinheiro em Miami ou Bariloche. No entanto, há algo imutável no Brasil: o preconceito cultural que como uma pesada âncora nos amarra à idade média. É esse preconceito que infelizmente baliza e muitas vezes mata no nascedouro novas manifestações artísticas brasileiras. Os brasileiros odeiam - até antes de conhecer - Funk, Axé, Arrocha,Tecnobrega, ou qualquer outra novidade que não surja com a chancela dos cânones do samba, da bossa nova, da MPB. O mais cruel dessa lógica perversa é que até os brasileiros mais simples, mais pobres, da janela de seus barracos no alto do morro já ouvem com desconfiança a batida dos novos ritmos. É que a medíocre elite intelectual deste país conseguiu incutir, principalmente via escola, na cabeça das pessoas que só o que surge da classe média para cima pode ser moralmente aceito, sem ser antes taxado de aberração, anormalidade, vulgaridade, falta de cultura. Ou seja, por causa de uma miopia cultural o Brasil relega a segundo plano a periferia, o youtube, enfim, condena à clandestinidade a mais autêntica e alvissareira novidade musical. Tudo em nome de um purismo idiota que nada mais é que um conservadorismo tacanho. Fosse carioca, paulista, ou de Belém do Pará, Shakira estaria até hoje condenada a esparsos e meteóricos vídeos na internet, quando muito aos palcos do Domingão do Faustão. Mas jamais seria estrela mundial, mesmo que esperneasse, ficasse raviosa, loca, loca crazy. A Shakira brasileira, que responderia pelo nome de Gaby Amarantos, Ivete Sangalo ou MC Rodolfinho jamais cruzará as fronteiras do Brasil. Não porque não tenha talento, mas, por estar desde sempre acorrentada ao preconceito de um povo hipócrita que embora se refestele descendo até o chão com os novos ritmos ainda acredita que tudo que surja longe das paredes mofadas da Academia Brasileira de Letras ou do Teatro Municipal do Rio não seja legítimo e deva ser curtido na surdina em escapadelas para a senzala, no escurinho da noite. A Colômbia não tem vergonha de Shakira; Porto Rico não tem vergonha de Ricky Martin ou de Luís Miguel; a Coreia do Sul não tem vergonha do Psy; a Espanha se orgulha de Julio Iglesias. Houvesse surgido hoje, nem a pequena notável Carmem Miranda teria conseguido ser reconhecida fora do Brasil. Portanto graças ao nosso preconceito travestido de apuro cultural, graças à hipocrisia de gente que se diverte com as novelas da Globo e mente que só ocupa o tempo lendo livros, nunca teremos um cantor de sucesso internacional. Mas continuaremos a tentar sufocar dentro da nossa mente aquela balada envolvente que chega dos morros, das periferias de SP, dos bares sujos da esquina. Shakira teve muita sorte de nascer na Colômbia.

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