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YAMÊ ARAM

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PRA CALOR, SUCO DE TAPEREBÁ!

               Num calor desse que cai sobre BH, seria refrescante um suco de Taperebá. Refresca mais que suco de Cupu-Açu, Bacuri e Araçá. Todo esses sucos refrescam, mas, nenhum como o suco de Taperebá. Este é azedo, se for amarelo, agora o doce, só se for laranjado.

                A árvore é podre, não dá pra trepar, o jeito é esperar cair, como quase tudo no Amazonas. Tudo lá é alto e difícil de subir, somente o Araçá dá pra apanhar com a mão, sua árvore é pequena e sua copa arredondada é próxima do chão.

                 Curumim é danado! Trepa em tudo. Come a fruta no galho da árvore, que as vezes quebra, mas, como diz o ditado " do chão não passa e forte faz ficar".

              Driblar com bola é fácil, quero ver nadar driblando, jogando água na cara, fazendo bolhas que confundem os olhos de quem quer pegar pra passar a pira. N'água preta é complicado pegar quem brinca de pira, tem que saber mergulhar, que também refresca, não como o suco de Taperebá. No interior do Amazonas os curumins mergulham demais. Dá até medo na gente de tanto que eles demoram pra boiar. Demorei uns meses conseguir nadar na mesma velocidade. Além deles nadarem demais, eles mergulham muito fundo e em alta velocidade, são uns botos-humanos os curumins, de tanto que aqueles cornos são rápidos debaixo d'água.

Taperebazeiro também é danado pra dá caba-tatu, um marimbondo que entra até debaixo d'água pra picar o caboclo. A casa dessa caba-tatu tem formato identico ao de um tatu-mucura. Mas a bicha é brava demais, Seu Moço! O caboclo tem que ser bom de perna e de braço, e ainda por cima saber aguentar muito tempo debaixo d'água sem respirar. Pois a peste da caba-tatu fica voando por cima d'água esperando o pobre boiar. E a ferrada da bicha dói demais, aquelezinho e aquelazinha!

              Melhor que isso, é chupar a fruta com caroço grande, maior que a polpa, só que não diminui o gosto desse sabor azedo-doce. Isso é o Amazonas, azeda adoçando a vida de quem mora lá. Pra fazer o refresco, o taperebá deve ser amassado, o caroço se joga fora, que nasce sem se atrapalhar, tornando-se numa árvore enorme no quintal de casa, onde é bom de plantar.

              Um copo só não é suficiente. Um litro é melhor de tomar, gelado com pedras de gelo, ou batido no liquidificador. Tudo é gostoso gelado, quente só mingau de fubá. No Amazonas, tudo é do mato, que cresce por todo lugar. Tem fruta até no serrado, Jurubeba tem espinho, o danado, e ainda poeira pra lavar, com tanta água não tem como não apanhar e comer de tudo calado, inclusive o azedo-doce taperebá!

             Minha mãe sempre dizia que taperebazeiro é podre e fácil de quebrar. Como sua árvore é alta, a queda de seus galhos não dá pra qualquer um suportar, no mínimo umas três costelas o caboclo há de quebrar. Mesmo assim, eu era louca pra trepar na árvore do taperebazeiro, loucura de curumim efeminado, mas que tinha sim coragem pra balançar os galhos do taperebazeiro , trepado no alto pra apanhar taperebá.

            Um dia eu eu meu irmão subimos no taperebazeiro que tinha no quintal da fazendinha onde vivemos durante uns anos. Como ficava um pouco longe da casa, ninguém conseguiria nos vir trepando na árvore de Taperebá, que estava cheio de frutos laranjados de maduro, gritando para nossos olhos de curumim, para irmos apanhá-los.

            Meu irmão era mais corajoso, e logo conseguiu subir no mais alto galho da árvore, e começou a jogar caroço chupado de Taperebá, que ele já estava comendo trepado naqueles galhos podres, como olhos por todo lugar. É assim mesmo, o taperebazeiro tem olhos espalhados por todo lugar, chega até a machucar a gente, quando se sobe pra colher Taperebá.

            Subimos rapidamente, quando cheguei lá em cima, no mais alto galho do Taperebá, balancei um galho com força, queria levar muitos taperebás para minha mãe fazer suco pra gente tomar, e junto com os taperebás, caí com galho e tudo no chão, fazendo o estrondo enorme, que até do outro lado da rua, o vizinho ouviu a hora que o galho quebrou comigo em cima, estrondando como um trovão. Minha mãe saiu correndo, já gritando meu nome, pois sabia que era eu que tinha acabado de quebrar o galho do taperebazeiro.

           Nessa época, a desgraça me seguia, e todo quanto era acidente feio, só acontecia comigo, eu já estava até acostumada, e nem reclamava mais, aliás, nunca fui muito de reclamar de nada. Todos que nos conheciam já sabiam de minha de azarado "É tão estranho falar de mim no masculino, parece que estou falando de outra pessoa, que não sou eu.", que já nem mais estranhavam quando alguma notícia de acidente, envolvendo a mim, chegava até seus ouvidos.

          Minha mãe já veio gritando meu nome igual uma louca "DENER! É O DENER QUE CAIU! QUER APOSTAR?", e lá estava eu estatelado no chão, por cima do pau do galho do taperebazeiro, ainda em choque por causa da queda de trinta metros de altura. Meus olhos arregalados indicavam o quando eu estava assustado e com medo, pois sabia que minha mãe, antes de me levantar do chão, com certeza iria me dá uma surra, com o primeiro pedaço de pau que ela achasse por perto, como não tinha forças para levantar do chão, não conseguia me mover para jogar uns galhos de goiabeira que estavam bem a minha frente.

          O meu irmão nem ousou descer do galho do taperebazeiro, com medo de que minha mãe também lhe desse uma surra, e nem sequer perguntou se eu tinha sobrevivido à queda, ao contrário, enrolou-se no galho da árvore igual uma sucuriju, e mal estava respirando para não fazer barulho, e ser descoberto pela nossa mãe.

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