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YAMÊ ARAM

terça-feira, 5 de junho de 2012

O SAPO GIGANTE DO AMAZONAS

          Certa vez conheci uma região do Amazonas que nunca a figura humana havia sido vista por aquelas bandas. Distante da cidade, longe do homem, totalmente isolada do mundo, essa região chamada Paraná do Miri, um afluente do rio Andirá, tem uma fauna riquíssima. Mas, essa riqueza me deixou pobre. Depois que conheci um bichinho lindo que tem lá que salta até quatro metros de distância.

          Os caboclos convidaram eu e meu irmão para irmos caçar. Não sei nem atirar. Que dirá caçar! Eu neguei imediatamente o convite. Mas, meu avô que acretiva ainda poder reverter minha identidade sexual, mandou-me ir com eles. Afinal de contas, era uma boa oportunidade para um curumim efeminado como eu, aprender a ser macho de verdade. Que no meu caso, era perder o medo de tudo que havia naquela mata. Impossível, eu tinha medo até do amanhecer, quando caía a noite então, me batia uma depressão! Eu ia lá pra trás, lá na popa do barco, escondido do meu avô e do meu irmão, meu arqui-inimigo, aquele que gritaria pra todo mundo que eu estava chorando -por estar em um lugar com tantos perigos como aquele onde nós estávamos  - e ainda iria fazer meu amável avozinho me dá uma surra.

          Meu irmão sorriu entre dentes debochando de mim. Minha barriga começou a doer de medo, só de imaginar o que poderia vir pela frente. Corri pra privada, rapidamente. Devo ter ficado no trono do pensamento -Que trono que nada! Lá não tem esses luxos, não. Lá tem é um buraco na terra, com dois paus enormes pra você se equilibrar por cima, mirar, e pronto. Isso, quando muito! Porque na maioria das vezes, quando você vai pra um lugar novo assim, a gente tem é que cagar no mato mesmo. Correndo risco de uma cobra vir e picar a bunda da gente. - durante umas duas horas. Após todo esse tempo, acabei emagrecendo quatro quilos.

         Por volta das onze horas da manhã, entramos na mata. Comecei a ficar claustrofóbica dentro daquela jaula de árvores. Não tem nada, só mato e aquele barulho assustador que a selva produz. Arrepia até pêlo que ainda não nasceu, acredite! Nunca havia rezado tanto. E acho que nunca vou rezar mais do que naquele dia! A cada passo que dávamos,  mais no coração da selva amazônica íamos nos afundando. Aquilo parece infinita, não tem sol que entre naquilo, e três horas da tarde já é noite na mata. É por isso, que muitos se perdem para sempre no meio da vermelhidão selvagem. -Sou daltônica, enxergo o verde em tonalidade de vermelho. O quê piora ainda mais as coisas!

         Depois de caminharmos umas três horas, adentrando definitivamente aquela imensidão de mata, os caboclos avisaram, que deveríamos ficar atentos, e não fazer barulho! Nem ousei perguntar o porquê, obedeci imediatamente. Estava morrendo de medo. Desde que entramos na mata eu não pronunciei uma palavra sequer. Somente o vaqueiro Romildo era que estava me dando alguma força. Ele sabia que eu tinha chegado da cidade há pouco tempo, e não estava adaptada a uma vida de perigos e riscos como aquela que estava enfrentando naquele momento doloroso de minha história. Ele sempre pegava em meu ombro, e dizia pra eu ficar perto dele, que se ele mandasse eu  correr, eu era  pra eu correr muito sem olhar pra trás. De certa  forma, além de me acalmar  um pouquinho, suas advertências estavam aumentando meu medo. -O quê poderia aparecer em nossa frente para que eu tivesse correr muito sem olhar pra trás? Que tipo de bicho existia ali pra ele está tão preocupado comigo?

         Mas, andando na mata, é melhor seguir o conselho de quem conhece. Seu Jurandi, um caboclo de 56 anos, ia na frente. O resto andava em fila indiana, e no final da fila vinha seu Antônio, outro caboclo experiente em andar na mata. Ele conseguia entrar e sair de  qualquer mata. Sabia vê as horas através do sol, e durante à noite, ele conseguia saber que horas eram olhando somente pras estrelas ou para a lua. Segundo eles, eu e meu irmão, deveríamos ficar no meio da fila, era mais seguro, pois os "bichinhos lindos", sempre pegam a pessoa que vem atrás, no final da fila. -Que vício horroroso! Na mata, aquele ditado antigo, de que "quem rir por último, rir melhor." não parece funcionar muito por aquelas bandas. Surucucu então, só morde o derradeiro.

          -De repente, ouvimos um barulho, como se uma pedra tivesse caído do céu, Seu Jurandi mandou a gente fazer silêncio, e nos escondermos dentro de uma árvore caída. -Entrem ali dentro daquela arvore, curumins! -Seu tronco estava oco, e cabia eu e meu irmão dentro dele. Achei que fossem ouriço de castanha do Pará caindo, mas, o barulho era milhões de vezes maior, chegava a tremer o chão. Meu lindo irmãozinho, já tinha troca o sorriso sarcástico por lágrimas. -Nem eu que sou veado do rabo-roxo tava tão apavorada assim! Ele não era corajoso? Eu que era mais medrosa estava somente atenta às palavras de Seu Jurandi, qualquer coisa que ele falasse, ou ele  ou Romildo, eu faria.

          -Seu Antônio, dá um grito estrondando aquela mata imensa, -SÃO SAPOS GIGANTES!!!!”.

          Não acreditei no que estava ouvindo, o maior sapo que já tinha visto, era o sapo cururu - que não é tão grande nem gigante assim. Mas faz criancinhas choronas dormirem rapidinho. Tem até musiquinha inocente, como tudo que é infantil "Sapo cururu da beira do girau, vem pegar menino que não quer tomar mingau!". É assim que se faz crianças dormirem por lá pelo meio da mata! Fiquei imaginando o que seria um sapo gigante.

         Achei que fosse mentira, de repente um bicho enorme, medindo quase um metro e meio de altura, caiu bem na porta do buraco da árvore onde eu e meu irmão estávamos escondidos . Aquilo parecia um bicho pré-histórico de tão grande que era, dessa vez quem gritou fui eu! -AAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
-Aquelezinho, o bicho era grande demais. Parrudão mesmo! Aquilo podia engolir uma criança inteirinha se quisesse! A boca do bicho era quase do tamanho do meu braço.

          Seu Antônio corre para nos socorrer, o SAPO GIGANTE dá um salto e cai a uns quatro metros de distância da gente, e sua queda faz aquele barulho horroroso de novo, pude ver que realmente seu Antônio tinha razão, não eram ouriços de castanha, eram os sapos gigantes saltando. Tínhamos entrado em sua região, e eles começaram a pular. Pelo barulho que estava fazendo na mata, parecia que eram centenas de sapos gigantes pulando. Era assustador! Minhas mãos estavam suando muito. Meus pés estavam frios de tanto medo que eu estava sentindo ali naquele momento.Meu irmão, de preto, ficou branco, os lábios dele estavam até roxo de tanto susto que curumim tinha tomado.

          O perigo é se um cair em cima de você, não há como sobreviver com um bicho daquele tamanho caindo em cima de você de uma altura de cinco metros. -Gostou neném? Eu não! Já tinha prometido minha vida pra Deus e pro Diabo para que uns deles pudesse me tirar com vida dali. Sabe-se lá pra quem mais eu ofereci minha alma naquele dia! Só sei que pedi ajuda pra tudo que podia existir. Meus pensamentos voavam lembrando de de onde eu morava em Parintins, se contrapondo àquela realidade que estava literalmente caindo sobre minha cabeça.

          Seu Jurandi, conseguiu com muito custo agarrar um. Aquele caboclo estava com as veias do pescoço saltando para conseguir manter o sapo-gigante erguido, para que pudéssemos ver o tamanho daquele animal, e olha que Seu Jurandi era um homem forte, de uns quase dois metros de altura. Eu não sabia se tinha medo, ou se ficava curiosa para ver aquele bicho. Nunca  imaginei que algo tão grande como aquilo pudesse existir. Mas, é claro que naquela mata virgem o que mais deveria existir era bicho grande e perigoso!

          Suas pernas traseiras mediam um metro, e tinham músculos como se fossem pernas de um homem , mas, seu tamanho total era de quase dois metros. -Isso mata um homem se cair em cima de sua cabeça.- A boca do sapo tinha mais de um palmo e meio de tamanho. -Podia engolir minha cabeça se quisesse.- As cores dele eram bem fortes, nas laterais de suas pernas traseira, era de um vermelho intenso, nas partes de dentro de suas pernas, era de um amarelo luminoso.  Nas suas costas manchas grandes e redondas de um preto muito escuro com pequenos círculos amarelos dentro delas.  -Diz o seu Raimundo, que ele era verde e amarelo com pintas pretas redondas e grandes, de cores amarelas com branco dentro. Mas, como eu já lhes avisei, sou daltônica e não enxergo verde. Tudo que você veem de verde no mundo, eu vejo de vermelho. É lindo a cor do meu mundo! Quem deras vocês pudessem ver como eu vejo!- Tinha outros sapos-gigantes que já eram amarelos e vermelhos,  com a parte da barriga deles de um azul tão forte que chegava doer nos olhos da gente. Tinha outros que eram azul por fora e na  parte da barriga eram laranjados,

          Todos tinham cores vibrantes e muito vivas. Mas vi também um sapo-gigante todo branco. Seu Raimundo disse que era porque ele era o REI SAPO-GIGANTE, e realmente ele que ia pulando na frente de todos.

          Seu Raimundo nos contou uma história sobre o REI SAPO-GIGANTE. -Lógico, depois que todos os sapos-gigantes haviam passado pela gente.- Já dava pra ouvirmos o barulho deles pulando muito distante de nós. Era muito rápida a velocidade que eles pulavam e se distanciavam de nós.

          Seu Jurandi resolve abortar nossa caçada, alegando que corríamos perigo, pois, a qualquer hora um poderia cair em nossas cabeças e matar.

          -Parece que Deus ouviu minhas orações!!! Obrigada, obrigada, obrigada, Deus existe mesmo!

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