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YAMÊ ARAM

terça-feira, 29 de maio de 2012

O GARROTE FURA FURA

Certa vez, eu por força de tudo e de todos, e acho “que para vossa alegria”, fui enviada numa missão para ajudar meu avô a passar o gado do Paraná do Moura, região de terra firme, para um rio chamado Saracúra, afluente do Paraná do Limão, região de várzea, uma viagem de pelo menos 36 horas. Era época da vazante no Amazonas, e o gado devia ser transportado para essa região, que estava saindo do fundo das águas, e que continha muita comida para os animaiszinhos que comem até 100 quilos de capim por dia. O gado que estávamos transportando eram búfalos. Temidos pelo seu tamanho e pela força mortal. Entre os búfalos havia um garrote chamado Fura Fura, nome que ganhara dos vaqueiros que ele deixara abatidos. Meu avô, homem muito amável, havia alertado-me para não passar pela grade onde estava preso o Fura Fura. Mas, o único caminho para se ir da prôa do barco para a pôpa, onde ficava a sala de máquina e o banheiro, era passando pelo lado fora da grade do barco, que não deixava de ser pela frente daquele demônio de chifres . Se conselho prestasse, não se dava, vendia-se. Eu, naquela escuridão que são os rios no Amazonas durante a noite, não sabia se tinha mais medo da viagem, dos búfalos ou do meu avô, caboclo experimentado em dores e que sabia o que era sofrer, e que estava tentando transformar-me em homem de verdade. Tadinho dele… ele acreditava que era possível, gente! Fui então, tentar atravessar o barco da prôa para a pôpa, pois, eu estava cozinhando um Tatu Mucúra que matamos quando ele cruzava um rio. Adoro comer tatu… pena que dá dor nas costas! Quando eu estava quase na metade do caminho para a pôpa, bem enfrente à sela do Fura Fura, com aquele mundaréu de água atrás de mim, credo…como eu sofri! Não sei dizer, se escorreguei, se cai, ou se a loca se jogou de proposito. Derrepente fui imprensada contra a parede do barco por aquele animalzinho de uma tonelada. Totalmente lôca e “pavorada”, eu tentava de todas as formas me esquivar daquelas chifradas, que maltratavam meu pequeno corpinho, indefeso e infantil, daquele Jack estripador, que sem nenhuma dó, violentava-me com seus chifres pontiagudos. Meu avô percebendo que sua netinha, ou melhor…netinho, estava prestes a ser furada pelo Fura Fura, que nem tinha cifres grandes, mas, muito afiados e duros, larga o leme do barco sozinho, e arranca-me pelos cabelos dos cifres incontroláveis daquele furador de crianças indefesas, e com três tapões no pé do ouvido que zumbe até hoje, que som maravilhoso que estou ouvindo agora…cria um registro sensorial no meu corpo de “fica alerta, sua besta”, forma muito eficaz de se educar uma criança no Amazonas. Ah…doces lembranças de uma infância sem dores!

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