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YAMÊ ARAM

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O NEGUINHO VII

-...Eu mesma nunca vi o Neguinho.  E olha que foi eu que criei ele! Mas ele nunca quis se mostrar para mim. Sempre senti sua presença no meu quintal.  Sabia quando ele saía durante a noite.  Conseguia claramente ouvir seus passos de curumim.  Mas aquele corno nunca me deixou vê-lo. 

-Nossos espíritos flutuavam sobre uma mata fechada. Eu fitava meus olhos em Dona Lolita, para não deixar de ouvir uma palavra sequer que ela estava falando.  Sabia que precisaria delas mais à frente.  Afinal de contas,  eu estava me tornando uma Feiticeira da mata.

-Quando ele mostrou-se para ti, vi que alguma coisa em ti, chamou a atenção dele, e o fez querer revelar-se. Foi aí que vi o que Ele viu. Tu é curumim feiticeiro.  E teu dom é da própria natureza,  que te escolheu e fala e mostra,  toda a força da mata para teu espírito.

-Não imaginava o porquê Dele ter se revelado a mim. Só senti que deveria perguntar à senhora,  que era aquele curumim preto que estava rondando em volta de sua casa? Quando a senhora deu-me aquela resposta, fiquei muito curiosa.  E também,  não saiu da minha cabeça,  o espanto com o qual reagiu quando ouviu minha pergunta. .

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

AS DUAS CIGANAS XVII

-Você deu-nos um presente,  Yamê! Quando abriu nosso Jardim novamente.  Deu-nos novas flores,  nova chuva, novo solo. Estávamos presas aqui a muitas eras. Mas finalmente estamos livres de novo.

-Uma escuridão medonha subjugou tudo que havia naquele Jardim.  Um vento destruidor começou a varrer o chão dali, levantando folhas e flores secas.

As Duas Ciganas começaram a soltar raios de dentro dos seus espíritos. Em seguida,  trovões medonhos também começaram a soar de dentro delas.

-Você é corajosa,  pequenina! Tua coragem nos inspira. Sabemos que há outra Cigana oculta em ti, além de ti mesmo.  Ela te passou o Dom quando você ainda tinha três anos.  Mas ela não está mais entre nós. Também não está morta. Você pode até fugir de seu Dom, mas ele sempre fluirá de você,  querendo ou não.  Tua mente ainda é nova para que possa compreender tudo que estamos falando.  Caminhe sem medo e sem temor, e nós estaremos sempre contigo. A voz das Cartas Sagradas também te acompanharão.

domingo, 15 de outubro de 2017

O LEVIATÃ II

-Você está pronta para ir comigo ? Tenho que levá-la à um lugar muito longe e perigoso.  Você precisa ver o que tenho para lhe mostrar. 

-Sua voz era imperativa e poderosa,  que chegava estremecer meu espírito.  Seus olhos fugiam do meu,  mas não era de temor, era para proteger-me de ser destruída por sua glória,  que seus olhos revelavam.

-Estou pronta sim. Onde vamos ? Senti sua chegada. Assim que você quiser podemos ir. 

-Dê-me sua mão ! Quando atravessarmos o rio, segure-se firme, pois o vento será forte.  E você pode cair e ser pega pelo guardíão do mundo onde iremos.

-Pode deixar que segurarei firme sua mão.  Tenho feito muitas viagens assim.

-Não se engane criança ! Nenhuma viagem espiritual é igual a outra.  Por isso,  não toque em nada.  Somente veja e ouça o que lhe será dito.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O SEGREDO DOS SERAFINS III

-Gostaria muito que me libertasse. Mas é imperioso que siga em frente.  Já estou aqui há muitas eternidades. Posso esperá-la aqui. Agora vá! Você tem muito para caminhar neste céu.  Não se deixe enganar pela forma que a natureza se mostra. Você pode nunca mais conseguir voltar.

-Não tenho intensão de voltar. Nasci para seguir em frente.  Nunca olho para trás.  Meus olhos e espírito estão sempre fixos à frente.  Sinto-me impelida a libertar-te . Não posso  deixá-la condenada sob o julgo desse grilhão. Não deixarei a natureza dos céus dos Serafins ser morta.

-É nobre e misericordioso teu sentimento . Mas você não tem muito tempo para poder libertar-me. Você tem que achar as seis asas guardadas, cada é protegida e escondida por um Sefarim. E isso não será fácil achá-las. Você será julgada e perscrutada por cada um deles. Se for achada justa, então,  eles lhe darão dereito a conhecê-las.

-Então,  cansei de palavras e afundei meus pés no chão daquele céu.  Senti imediatamente a força da natureza dali. Pude sentir  tudo que já foi vivo e livre naquele lugar.  Depois vi e senti a morte que havia destruído o santuário dos Sefarins, e toda a glória que existia a tempos atrás.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

DONA MARINA III

Estava todo mundo nervoso. Ninguém estava prestando atenção em mim. Sorrateiramente escorreguei minhas costas para trás do banco que estávamos sentados. Ninguém nem viu. Saí correndo rápido para que ninguém desse por falta de mim. Entrei debaixo do assoalho, e rastejei até debaixo do quarto. Uma brecha dava-me uma visão perfeita de Dona Marina rezando, puxando a barriga da Solange, e pronunciando encantamentos para acelerar e abençoar o parto dela.

Agasalhei-me para poder espiar melhor. Minha atenção inteira estava voltada para Dona Marina, aquela velha preta que não gostava de crianças, mas dominava a feitiçaria das plantas. Podia matar ou curar se quisesse. Sabia puxar desmentidura -a ciência cabocla de colocar os ossos de qualquer coisa no lugar. -Benzia quebranto de toda a curuminzada do bairro São José e São benedito. Não havia ninguém melhor para isso. Mas nunca pegava a criança em seu colo, a mãe é que ficava segurando o filho para que Dona Marina o benzesse.

-Vala, Minha Nossa Senhora do Bom Parto! Ajudai-me e a esta mulher que tem que parir! Faça com que sua entranha vomite esse filho, para que assim, ela possa segurá-lo em seus braços, e possa amamentá-lo. Soltai-lhe de seu ventre para que veja a luz do dia que está findando. Não deixe que a boca da noite nos engula. Mas, antes pelo contrário, que esta mulher possa descansar de suas dores de mãe!

-Meus olhos queriam ver a hora que a cegonha chegasse para entregar a minha mãe o seu bebê. Mas, parecia que a cegonha estava atrasada, ou talvez, não fosse vir trazer meu irmãozinho. Senti uma certa raiva daquela cegonha preguiçosa. Não era possível que ela fosse deixar de entregar logo o meu irmão.

-Vai, minha filha! Mete força! Ajuda-me também! Sozinha eu não dou conta, minha filha! Vai Dona Jojó, sopre mais fumaça para defumá-la, vamos fazer aumentar as dores dessa mulher. Ainda está com pouca passagem. Aumente, Dona Jojó, a fumaça. Vai mulher! Corre! 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O NEGUINHO VI

      Não podia deixar aquela Feiticeira sofrendo sob a voracidade da força daquele cancêr. Não importava o que ela tinha feito. Ela não falou-me, mas pude ver tudo que havia feito enquanto feiticeira. Vi sua luz quando curou os doentes. Vi sua treva quando matou seus inimigos sem piedade, e sem que tivessem chance de se defender. Vi até seu guardião, o que muito a assustou.

       Mas, de alguma forma e, por algum motivo que não sei o qual, o Neguinho revelou-se a mim. Ele mostrou-se circulando a casa de Dona Lolita. Era o seu guardião oculto, aquele que só se mostra quando ameaçam seu Feiticeiro. O Neguinho que vi andando em volta da casa daquela Feiticeira era tão negro, que brilhava refletindo raios de luzes. Isso fez-me perceber que Ele não era um curumim humano.

        -Eu lhe ajudo, Dona Lolita. O que tenho que fazer para ajudá-la? Farei qualquer coisa para libertá-la das garras desse cancêr que está devorando seu corpo. O quê preciso fazer?

        -Primeiro ouça o que tenho para lhe dizer. Aí, depois lhe digo o quê terás que fazer. Você precisa entender porque o Neguinho decidiu revelar-se a você. Quando você me disse que havia visto Ele, sabia que tinha sido Ele mesmo que havia permitido que você o visse, e mais ainda, Ele é, e sempre tímido, e nunca permitiu que ninguém o visse. Perguntei a Ele, por que Ele havia revelado-se a você, e permitido que o visse? Mas Ele nunca respondeu-me o porquê.

domingo, 1 de outubro de 2017

O ANÁTEMA II

Mas, no novo testamento Jesus Cristo através de sua morte, revelou aos homens que o Anátema era mais que uma maldição.  Ele mostrou que o Anátema era também um estado de evolução espiritual,  quando, depois de sofrer a morte cruz, e levar sobre si os pecados do mundo,  tornou-se maldito.  Dando através de sua alto humilhação  a possibilidade do espírito do homem ascender-se.

Já os gregos criam que o Anátema era uma oferta imaculada e, que uma vez ofertada , era aceita em sete altares, de sete céus,  ao mesmo tempo. 

Um dia,  vi um Espírito poderosíssimo  ofertar um Anátema aos céus,  e eles responderam  com grande manifestação de poder e glória.  Entendi naquele momento,  o que realmente era um Anátema.

Nessa época,  eu estava muito aflita com tudo o que estava acontecendo com o mundo dos homens,  e o grande perigo que o planeta terra estava correndo.  Eu sabia que podia usar dessa sabedoria,  mas não tinha idéia de qual Anátema  ofertar para que os sete céus respondessem- me . Comecei então,  a busca incansável  por um Anátema imaculado para ofertar a Deus.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A APARIÇÃO DE COSME E DAMIÃO

Eu estava passando por uma evolução espiritual,  que como sempre,  afetou meu corpo,  deixando-o enfermo. Geralmente meu espírito evolue fazendo com que ele sofra para digerir o poder  da sabedoria que está entranhando-se em minha carne.  A matéria carnal é frágil diante da realidade do Espírito.

Não estava assustada com a enfermidade que massacrava-me já a algumas semanas.  Tranquei-me em minha casa para que ninguém interferisse no processo,  que já conheço muito bem desde criança.  Somente a dona da casa da qual eu era inquilina, tinha autorição para entrar e vê como eu estava. 

Já faziam-se alguns dias que não via a luz do sol.  Quando estou nesse processo de evolução,  minha fotofobia fica mais intensa, e torna-se necessário proteger-me na mais densa escuridão.  Até porque,  fica mais fácil de ouvir tudo o que será me dito durante o tempo de evolução pelos espíritos.

Então,  quando o processo de evolução chegou ao seu ápice,  a enfermidade tornou-se uma barreira intransponível.  Todos os meus ossos doíam.  Uma febre infernal queimava meu corpo como se estivesse dentro de uma fornalha.  E nada que se pudesse fazer resolvia ou aliviava aquela enfermidade que estava preparando meu corpo para a maior evolução espiritual que já sofri.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A APARIÇÃO DE SÃO MIGUEL III

Depois de ver tudo aquilo,  olhei novamente para a mulher.  Ela olhou-me de volta,  e com um sorriso enigmático,  perguntou-me:  -Você quer falar com ele? É só você chamá-lo que ele virá falar com você.  Chame-o!

-Não quero falar com Ele agora.  Outro dia o chamo novamente para conversarmos. Hoje não.  Outro dia. 

-Minhas pernas tremiam. Um temor opressivo tomou conta do meu espírito.  Pude sentir o tremor e temor que sua presença causava. Aquele Anjo não  era um ser celeste,  Ele era um Deus. Seu principado subjugava a tudo e a todos.

A mulher perguntou-me novamente : -Você deveria chamá-lo para falar com você.  Ele responderá ao seu chamado. Chame-o!

-Não.  Não hoje.  Depois eu converso com Ele em outra hora. Será que poderia levar-me de volta para meu corpo?  Quero voltar.  Já vi o tinha que ver.  Meu espírito precisa retornar ao corpo que habito. Por favor !

-Claro que o levarei agora para seu corpo.  Não entendi sua atitude diante do Anjo. Mas, não vim aqui para julgar-lhe. Vim para ajudar-lhe.

-E ela então levou-me de volta para meu corpo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A APARIÇÃO DE YANSÃ III

-Meu nome é Yansã, minha pequena ! Saudaçoes ! E teu nome,  qual é ?

-Meu nome é Yamê.  Saudações !

-Esta batalha não é tua.  Ela é minha.  Volte e sente em tua mesa, e tome tua bebida.  Enquanto eu travo esta luta. Porque ela é minha.  Somente assista-me  batalhando. 

-Amém,  minha Senhora.  Será como disseste.

-Voltei para o mesmo lugar onde estava sentada antes tomando minha cerveja.  Sentei-me. Minha alegria era tanta,  que minha vontade era de lutar junto com Ela.  Estava em gozo espiritual  pelo que estava vendo. 

Um vento tempestuoso começou a soprar de detrás das minhas costas, em direção de  Yansã, que montava seu cavalo negro arreiado com couro de búfalo negro e ouro muito fino. Seu cavalo levantou suas patas dianteiras  para o ar e relinchou três vezes. 

Raios caíram  dos céus  atingindo a nuvem negra que vinha em nossa direção,  e queria destruir a Vila. A nuvem também respondeu com raios e trovões.  Então,  Yansã colocou seu elmo Dourado,  e o sol nasceu novamente, desembanhou sua espada e o sol tornou-se a coroa de sua cabeça,  e deu ordem para Ventania  cavalgar em direção da nuvem negra,  que também se aproximava com fúria e destruição.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A ARUANÃ DE FOGO IV

Quando meu irmão iluminou melhor o bicho que havia roubado todas as minhas iscas a noite toda.  Ele era enorme.  Mais de um metro,  com certeza.  Suas escamas eram douradas e vermelhas.

Era uma Aruanã de fogo.  Mas como nunca havíamos visto uma, não tínhamos certeza se era mesmo.  Subi o resto do caminho do porto arrastando o bicho enorme preso em meu anzol, até chegar próximo do pé da escada, onde Seu Bené esperáva-nos sentado tomando seu café quentinho que Dona Jojó havia preparado com beiju de tapioca.

Seu Bené deu um pulo quando viu o tamanho do peixe que eu havia pescado. -Georgina, os curumis pegaram uma Araruanã de Fogo. Esse peixe além de gostoso é muito raro. Difícil demais pegar um peixe desse. Leva lá pro giral que tua mãe vai cuidar.

-Não.  Eu vou cuidar ele. Deixe que eu cuido mãe.  -Disse-lhes eu sem pensar e com um tom de voz imperativa. 

-Mas esse peixe é muito grande.  Tu tem certeza que dá conta de cuidar dele, curumim?  -Perguntou curiosa Dona Jojó sobre minha disposição para limpar o peixe.

-Sim. Eu dou conta sim. A cabeça é minha.  -Respondi-lhes sem gaguejar. Era o dia mais feliz da minha vida.  Iria agora levar a cabeça de uma Aruanã de Fogo para Dona Binhí. Ela agora teria que me ensinar os segredos da feitiçaria da mata.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A LUA NEGRA DOS ÍNDIOS VERMELHOS XII

Yara e Yupã decidiram caminhar escondidos de todos da tribo, próximo ao local proibido à todos de seu povo. Eles nunca souberam exatamente o porquê dessa proibição. Mas, Yara era uma jovem índia curiosa e cheia e ousadia, e numa noite escondida de todos, ouviu uma conversa entre o Pajé e o Cacique, que não entendeu direito sobre o que era, mas sentiu que o que ouviu, tinha haver com um futuro muito próximo, e que todos seriam pegos de surpresas pela força da Lua Negra que aproximava-se.

Ela estava ciente que Tupã era corajoso mas que não tinha tanta sabedoria para entender ao certo o que sua tribo iria passar  nos dias da lua de sangue,  que com certeza faria um rio de lágrimas e prantos correr por todo o seu povo. Mas, Tupã era destemido e teimoso, e faria qualquer coisa para livrar sua tribo de tal mal.

-Yara, por que estamos caminhando próximo à mata proibida? Isso só não me faz correr porque não tenho medo de nada. Meu pai vai me matar se souber onde viemos caminhar! O quê mesmo viemos fazer aqui ? Espere! Acho que vi alguma coisa nos observando do meio da mata proibida. 

-Não tenha medo,  Tupã! Sei o que estou fazendo.  Confie em mim.  Não tenho certeza se o que viemos fazer é certo.  Mas diante de tal situação não temos muita opção.  Os mais velhos índios não estão falando,  mas sei que a situação é muito grave. Desde ontem tenho tentado me lembrar de tudo que ouvi naquela noite.  Acho que há alguma coisa que possamos fazer para ajudar nosso povo.

-Um vulto novamente moveu-se rapidamente na direção dos dois. Tupã atirou-se sobre Yara jogando-a para longe de onde estavam. Yara levantou-se imediatamente do chão,  e correu para uma árvore próxima,  e gritou para que Tupã a seguisse.  Mas Tupã já não estava mais lá.

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