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YAMÊ ARAM

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

AS LEGIÕES IV

Legião estava ali há eternidades sofrendo naquele cemitério, alimentando-se dos copos apodrecidos e decompostos que fediam em seu nariz e eram nojentos aos seus olhos. Mas, Legião tinha que estar ali. Por algum motivo, ele estava naquela situação deplorável para um principado de seu nível. Sua sabedoria era longe maior que a de Jesus Cristo, por isso, o havia reconhecido descendo do barco, habitando um corpo mortal e frágil, invólucro de um espírito divino.

Os discípulos viam a sabedoria das palavras com a qual Jesus cristo falava, mas não viam o quê e quem estava vivendo e caminhando com eles. Legião era tão antigo que nem mesmo aquela forma mortal conseguiu esconder dele a chegada do Filho do Altíssimo. E mesmo em sua forma imunda e vergonhosa, correu e adorou pela primeira vez o verbo vivo de Deus. Sua adoração irritou os seus discípulos e o próprio Senhor.

O Espírito Santo o havia levado até aquele lugar, para mostrar-lhe que havia adoração verdadeira dentro de Legião, e que ela poderia vir da boca que alimentava-se de cadáveres, e que ela moraria dentro de um cemitério, e dormia dentro de sepulcro. A voz de legião idolatrou o espírito de Jesus Cristo, e fez os joelhos dos discípulos tremelicarem. Não era a voz de um espírito imundo que estava soando. A voz de legião era excelsa e desconhecida aos ouvidos deles.

Sua voz soberana soou e fez com todos calassem-se diante dele. Estavam inquiridos por Legião à responder pela ofensa proferida contra ele. O seu principado havia manifestado-se através de sua como um relâmpago. Os discípulos esconderam-se atrás de seu mestre. Jesus Cristo imediatamente reconheceu o que tinha lhe ofertado Legião, e mediatamente tratou-o com o respeito que seu principado exigia como comprimento. E sabia que teria que retratar-se para com ele. E não fez diferente do que faria o Filho de Deus, libertou Legião para que entrasse na manada de porco e precipitasse-se no abismo que dava para o mar.

SÃO GABRIEL O ARCANJO IV

Então, um dia quando tudo estava normal e prosperando para mim em Guarapari, fui surpreendida por dois espíritos que pediram para que os seguisse até um outro lugar onde deveria desenvolver meu ultimo dever dentro mundo evangélico. Eu sabia que ainda restava um tempo para cumprir a missão junto às eles, o povo pentecostal que precisava ainda vê o poder do Espírito Santo de Deus, e ser surpreendido pelo poder Daquele  contra quem não há perdão para quem peca.

Os dois espíritos disseram-me para apressar-me em terminar tudo que havia sido ordenado para que fizesse. Pois, já estava na hora do espírito que poderia tirar o espírito que devorava a árvore se manifestar,  e a reviver com o poder da natureza. Libertando assim, o espírito que esteve aprisionado por muitas eternidades por aquele que a entregou na mão daquele que ainda julgará este mundo e os homens.

Eles pegaram-me pelos braços e fizeram-me atravessar a divisa entre o Estado do Espírito com Minas Gerais. Quando levaram-me de volta à onde estava o meu corpo, disseram-me que não tivesse medo porque muitos já haviam concordado em ajudar-me nessa batalha divina, e que receberia ajuda necessária assim que houvesse necessidade. Mas, minha caminhada era sozinha e dolosa.

Respondi-lhe que não tinha medo, e que desde de que pus-me a travar essa guerra, estava ciente de tudo que passaria e de tudo que teria que fazer. E pedi a eles que não deixasse-me sozinha quando tudo escurecesse para os homens, porque a maldade e a loucura os tornariam maléficos, e capazes de matarem-se uns aos outros.

Eles responderam-me dizendo que não me preocupasse com o que iria acontecer com os homens e com o mundo, porque tudo estaria preparado para quando esse momento chegasse, e que eu deveria terminar minha missão em Guarapari, e mudar rapidamente para Belo Horizonte, onde alguém já estava esperando porque havia sonhado comigo e sabia o que estaria eu fazendo naquela capital das Minas Gerais.





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A APARIÇÃO DE SÃO MIGUEL II

O palácio vinha caindo no ar em alta velocidade. A mulher continuava parada inerte ao meu lado. Meu coração estava quase saltando pela boca de tanto desespero. Meu Dom sempre me impele a ajudar quando vejo alguém em perigo. Principalmente, se for ajuda espiritual. Sempre vivi nesse mundo, e isso tornou-se normal para mim: ajudar quando necessário e possível. Mas, a mulher segurou-me com força meu punho, e ordenou-me ficar parado e observar.

Então, quando o avião ultrapassou as nuvens e vi que realmente iria cair sobre o chão matando a todos, fiz forças novamente para ajudar. Mas, mais uma vez a força daquela mulher segurou-me sobre o chão, e impediu-me de mover-me um metro sequer. -Você tem que aprender a ouvir-nos quando falarmos com você. Aprenda a aquietar seu coração e domar seu impeto. Não deixe o desespero movido pela pressa roubar uma bela visão.

Um barulho flamante começou a fazer tudo tremer. O próprio primeiro céu atroou-se inteiro, e nuvens cor de chumbo invadiram todo o firmamento, cobrindo completamente a luz do sol. Raios de luz como milhares de arco íris começaram efluir das nuvens, e duas asas enormes apareceram batendo nas nuvens e desfazendo-as como poeira no ar. Quando as luzes diminuíram sua intensidade, pude ver que era um anjo enorme, de uns três mil metros de altura, que havia saído do primeiro céu, e voou em direção ao palácio.

Ele estendeu sua mão esquerda e pegou o palácio com os dedos, como se fosse um brinquedo, olhou-me fixamente em meus olhos, e segurou o castelo em sua mão. E, com muita cautela e delicadeza, desceu-o com segurança sobre a terra, sem que lhe fosse causado dano algum, nem aos que estavam dentro dele. Quando deixou o palácio no chão,  olhou-me novamente dentro do meu espírito e deu três passos sobre a terra, que agradeceu por ter tocado-a com as plantas dos seus enormes pés.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A APARIÇÃO DE YEMANJÁ V

Imediatamente estávamos em frente a um grande palácio cercado por águas vivas  guardiãs da câmara secreta da Rainha das Águas. Elas abriram-se dando-nos passagem entoando louvores  Àquela que domina os oceanos. Quando entramos dentro da primeira sala, percebi que suas pilastras eram de águas que subiam do chão do castelo e sustentavam seu teto. O chão era todo de espelho d'água que acariciava as palmas dos nossos pés.

Uma escada d'água subiu do chão em direção ao teto que abriu-se como um portal, de onde saiu uma luz azul tão forte que iluminou toda a primeira sala e ordenou que subíssemos a escada e entrássemos no portal de luz. -Suba, minha filha! Nossa conversar tem que ser em outra sala deste castelo. Ainda aqui é possível que nos ouça quem ainda não pode ouvir minhas palavras. Mas na outra câmara que está preparada para nós, poderemos conversar sem que possam ouvir as palavras que tenho para falar a ti. 

Yemanjá flutou sobre a escada como se estivesse sendo levada pelo vento e não pelas águas. Eu segui a Deusa dos mares com muita alegria e felicidade. Não podia acreditar que a Dona da coroa que carrego estava levando-me para adentrar sua câmara secreta. Ela atravessou o portal de luz tornando sua luz quase mortal para mim. Mas, águas que corriam da escada percorreram todo o meu espírito e invadiram cada parte do meu corpo etéreo.

O dano que a luz estava causando-me sessou imediatamente. Senti um poder como energia percorrer todo o meu espírito, e fortaleceu-me para adentrar o reino da luz azul. Durante algum tempo fiquei sem enxergar nada. Mas, logo em seguida pude ver a grandeza de Minha Mãe Yemanjá. A lua estava acima de sua cabeça e emitia a luz azul que iluminava tudo, e movia-se de seu lugar à medida que Yemanjá movia-se. Então, a lua veio em minha direção e pôs-se sobre minha cabeça e banhou com sua luz minha coroa, e todos os fios do meu cabelo brilharam e reluziram com a mesma força de luz que emanava dela.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A APARIÇÃO DE YANSÃ III

O cavalo daquela mulher linda e poderosa era maior que uma montanha enorme. Suas pernas eram musculosas e fortes, tanto, que quando suas patas dianteiras tocavam o chão, abriam crateras gigantescas na terra, e seu relinchado era forte e tenebroso, que soava como trovões medonhos estremecendo tudo,  e faziam com que todos caíssem de joelhos diante daquela que o montava poderosamente.

Nessa época minha feitiçaria já havia despertado-se dentro de mim, e mudado-me completamente. Então, estava vestindo um vestido dado-me por Oxum, para servir-me como armadura. Era um vestido todo cheio de desenhos de bichos e matas, e nunca havia usado-o ainda. Guardava-o para uma ocasião de grande perigo e necessidade, como era aquela estava em minha frente. Estava preparada para enfrentar aquela nuvem novamente, e quantas vezes fossem preciso.

Então, olhei novamente para a mulher que montava aquele enorme cavalo, a nuvem negra que trazia todo tipo de imundície estava pertinho da gente, mas no mundo espiritual o tempo é determinado por aquele que tem maior sabedoria. As coisas que podem ser feitas em um milésimo de segundos no mundo espiritual  são infinitas. Mas, também não se é o único com conhecimento por lá. Há um que pode surpreender com uma sabedoria nova e desconhecida.

Meu espírito conseguiu vê dentro da nuvem de imundície, e senti o cheiro de sua podridão. Sabia que vinha para destruir meus amigos e eu, e teria que enfrentá-la à qualquer custo. Preparei-me para o impacto com a nuvem. Senti um poder tremendo emanando de mim. A mulher não olhou-me em momento algum, somente fitava com seus olhos negros e reluzentes aquela nuvem que já fazia seus ventos tocarem a pele de nossos rosto. Concentrei o máximo de poder e força em minha mão direita, mantendo-a estendida na direção da nuvem que já fazia alguns corpos apodrecido atingirem e explodirem  em alguns muros de casas que haviam por perto com impacto.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

DONA MARINA II

Dona Marina faria minha mãe parir. Não estava preocupada com o parto. Queria mesmo era poder ouvir Três palavras da Senhora negra de cabelo  branco.  Ela não olhou para mim. Mas senti sua repulsa quando percebeu-me observando-a. Ela não poderia se esconder, no máximo, iria afastar-me para não ficar bisbilhotando enquanto trazia à luz minha terceira irmã. A voz de minha mãe soou imperiosa para a Dores nos levar para longe da casa.

Seu Bené não tinha forças para falar qualquer coisa que fosse. Estava branco de medo. Foi assim quando nasci, foi assim quando meu segundo irmão nasceu, e seria assim para sempre. Não adiantava contar com ele nessas horas. O caboclo desmontava todinho diante da gente, ficava gago, suava e tinha que sentar imediatamente, se não, caía sem do desmaiado no chão, e ainda ia dá trabalho numa hora que todo mundo estava preocupado com a mãe e o bebê.

Dona Marina era daquelas parteiras que só chega na hora exata do aumento das contrações. Não adianta ficar apressando-a, só a deixaria  com raiva, e  xingava sem dó com palavras tenebrosas e com tanta autoridade que o caboclo chegava tremer as pernas de medo. Elas não precisam tocar-lhe se quiserem dá uma surra em alguém. Lógico, que lá as pessoas sabem do que elas são capazes. E temem entrar em seus quintais. Cada uma tem sua própria personalidade e feitiçaria. As parteiras são feiticeiras que fazem as mulheres parirem em paz e em segurança.

-Eu vos invoco, meu Pai Celeste, minha Mãe do Céu, ajudai esta mulher que passará pelo inferno para parir seu filho. Que ela quer trazer ao mundo. Ajudai-a abrir suas entranhas para que este pequeno que seguro agora, possa respirar o primeiro ar, e possa chorar nos braços de sua mãe com fome para que ela o amamente.

-...Milésimos atrás estávamos do lado de fora do portão da casa, sentados no banco que seu Bené havia feito de uma árvore caída que pareceu-lhe boa para fazer um banco lindo para sentarmos quando quiséssemos apreciar a rua Oneldes Martins.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SEU SABAZINHO VI

Juvenal conseguiu vê que a visagem o atacaria de cima, uma fumaça escura em forma de lança atingiu com extrema força e violência o lugar onde estava caído, abrindo um buraco enorme na areia do chão que levantou uma nuvem poeira. Era um rapaz forte e veloz, e conseguiu pular por cima da própria visagem antes de ser atingido. Acostumado a remar por dias tinha os braços fortes. Uma mão pegou sua cabeça no ar e girou várias vezes até que perdeu a consciência completamente. O jovem com vaidade de bode grande, daqueles que até o dono tem medo, sucumbiu dia da força e brutalidade daquela visagem.

Uma luz se acende na cara de Juvenal que piscou várias vezes, e abriu os olhos rapidamente. Num salto já estava de pé e com a respiração ofegante. Seu medo havia passado, somente uma raiva pulsava em seu sangue. Não seria humilhado daquela forma por aquela visagem maldita que estava espancando seu corpo robusto. Nunca havia apanhado de ninguém, nem mesmo de seu pai que era bravo, e que o tinha criado com toda sagacidade de um caboclo da mata e rio.

Era caçador e bom de mira. Não errava um tiro sequer. Era o orgulho de seu pai. Atravessava rio no peito como se diz por lá e mata no terçado afiado que sempre levava consigo, amarrado na cintura por cinto de couro tecido com envira. Sabia algumas rezas que começou a pronunciá-las imediatamente. Alguém o havia cordado da morte. Sim, ele havia morrido e sabia disso. Mas não era desprotegido, e tinha certeza que ouviu sua vó lhe chamando, e a velha não gostava de demora.

Ele pôde sentir que a visagem o atacaria por trás e saltou  desferindo o murro no rosto da visagem, que gritou o amaldiçoando por aquela infâmia. Seu coração ficou repleto de alegria porque pelo menos a briga agora seria de matéria para matéria. Era hora de usar de tudo que tinha aprendido com sua vó, e ela não era fácil. Agora ele entendia porque ela sempre o ensinou pela dor e não por amor os poderes das feitiçaria da mata.




sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A VOVÓ DO ACABA MUNDO VII

Aquele Preto Velho acendeu uma luz dentro do meu entendimento, e fez-me ver e entender o que deveria ser feito por mim ali naquela dimensão. Principalmente, com relação ao espírito que decidiu acompanhar-me. Não queria que ele se machucasse. Apesar de nunca reagir como um espírito humano nessas horas de batalhas espirituais, não queria que ele sofresse por causa de sua coragem e impetuosidade. Ele era lindo, mas ainda não era para aquela situação. Sabia que o dragão lhe pagaria facilmente.

Ele destemidamente seguia-me como uma sombra. Quase não nos falamos porque minha atenção estava voltada para aquela Vila, e tudo que pertencia à aquela espiritualidade. Nem consegui conversar direito com ele, por causa da apreensão que eu estava para entender tudo o que precisava ser feito ali. Nada me tirava a atenção. Ele tentava conversar comigo, mas não conseguia sair do estado de atenção e apreensão tão facilmente, e não conseguia responder-lhe direito.

Chegamos à um calabouço de um grande castelo, que parecia não estar habitado, mas sentia que havia alguma coisa ali que estava ocultada de todos. O espírito que estava acompanhando-me, começou a alertar-me de que não deveríamos entrar ali. Ficamos parados durante um bom em frente à uma porta enorme que ficava escondida debaixo de uma grande pedra, e era impossível de se entrar naquele cabouco. Então lhe disse: -Não tenha medo, meu rapaz! Mas se está com medo, não poderás entrar comigo, muito menos me acompanhar.

-Eu levantei minhas mãos para o céu, falei em uma língua espiritual que havia ouvido há muito tempo atrás, e que sabia ser indispensável naquele momento. O espírito que acompanhava-me ficou atordoado com som daquelas palavras. Era uma língua poderosa e  que até momento não havia usado dentro de uma batalha. Como sentia o que seria o embate à frente, era hora de mostrar um prisma da sabedoria que adquiri em minha caminhada espiritual. O som das palavras fizeram a pedra flutuar no ar, meus olhos cruzaram-se pela última vez com os olhos dele. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

AOS 37


Meia noite trouxe os 37 até mim com muita beleza e amor. Aos 37 sinto-me pronta e segura para alçar o voou mais alto que já fiz. O primeiro bater de asas de mim mesma. O destino é seguir o vento e ser sua voz. Rumo ao pôr de sol dourado e púrpura. Com nuvens de ouro e reluzentes como o relâmpago que lhe abre caminho sobre as asas de uma grande águia vermelha.

A mulher que sou é emanente da mata de minha terra, e está agora conectada definitivamente á força da feitiçaria do meu povo, dos caboclos e índios que dominam as peçonhas e a própria mata, rasgando suas entranhas para sobreviverem à sua força mortal. Ouço a onça rugir no fundo quintal da casa mas os cachorros são bravos e curados na lua nova, e só param de morder quando minha voz soa imperiosa.

Sinto a minha vida e meu corpo nas minhas mãos, e estou pronta para rasgar meu invólucro para dar-me as asas que ainda dormem dentro de mim. Somente isso me atormenta. Na realidade, não. Não atormenta. Desperta é força que me falta para abrir de vez minhas lindas asas azuis, e poder colorir meu reflexo no espelho para mim mesma deleitar quando olhar meu corpo nu.

A gratidão que habita meu coração por toda essa vida que tive a oportunidade dada pelas espiritualidades de viver, é tão mais forte e mais poderosa que qualquer dor que este mundo possa ter causado-me, e não deixou nem deixará que máculas  turvem minha visão desta vida tão grandiosamente linda que tenho vivido e experimentado ao lado de todos os meus amigos, que são minha família e porto seguro, e  roubem-me a beleza de viver livre e plenamente.

Como dizia Clarice Tarrago "Encontre a mulher selvagem em você e liberte-a. Somente nela habita a sua verdadeira essência e sua verdadeira força. E esta mulher não é subserviente nem escrava. Ela é dona das noites frias do deserto, caminha entre os ossos secos e quando sente misericórdia, faz flautas deles e devolve-lhe a vida. Ela vive nos arbustos e nas raízes secas, e também nos leitos de rios secos. Mas a vida está e anda nela."

Obrigada, minha amiga!

Foto by Naiara Silva!


terça-feira, 1 de agosto de 2017

O SAPO GIGANTE DO AMAZONAS III

Toda volta é mais rápida e mais  curta que a ida. Chegamos em casa quase na velocidade de um relâmpago. Não sei se de medo, ou porque realmente andamos rápido com medo de sermos esmagados por um sapo gigante. De longe, assim que saímos da mata, podemos a vistar Dona Jojó no fogão à lenha, fazendo alguma comida em sua panela grande preta. Geralmente quando Dona Jojó usava aquela panela, era porque o peixe era grande, ou então, era caça. Seu Raimundo imediatamente exclamou: -Graças a Deus, Dona jojó na cozinha, o rango é bom hoje!

-Os homens todos riram. Mas acho que é porque estavam aliviados por estar chegando  com segurança em casa. Caboclo tem medo mas não demonstra, somente quando passa o perigo é que ele relaxa e desabafa seu medo, geralmente exclamando com alivio e agradecimento. Seu orgulho é maior que sua coragem, então, ele sempre esconde que está com medo. Eu percebia que todos estavam com medo, eu talvez, era a que mais estivesse amedrontada.

Minha mãe quando nos viu, saiu correndo do fogão em nossa direção. Ela preferia mil vezes a gente em casa, do que tentando ser caboclo corajoso no meio da mata. Assim, ela sabia que estávamos em segurança, e não correndo perigo de ser esmago por um sapo gigante, que não saía do meu pensamento, desde a hora que eles pararam de cair do céu.

-Curumim, vai lavar essa tua venta, que depois do almoço vou contar-lhe a história do Sapo Rei Branco. Acho que aquela chuva de sapos era para avisar-nos que algo está para mudar no meio da mata. Sinto que toda essa natureza irá mudar. Isso que aconteceu hoje é só um sinal para nós. Sei que tu ficou com medo, mas de alguma forma, há coragem em ti. E isso é o maior poder que um caboclo tem. Coragem é força de um caboclo, é ela que lhe faz vencer tudo, até mesmo a mata.

domingo, 30 de julho de 2017

A COBRA GRANDE DO AMAZONAS III

Seu Raimundo Caiá conseguiu equilibra-se dentro do casco, e por pouco não caiu dentro d'água. O rabo da sucurijú gigante enrolou-se em nosso casco. Fiquei apavorada porque sabia que ela conseguiria partir aqui casco no meio se o apertasse com seu enorme rabo. Seu Raindo Olhava-me fixamente nos olhos, como se estivesse tentando acalmar-me porque sabia que eu estava apavorada. Nunca havia visto uma cobra tão grande como aquela. Já tinha ouvido histórias que o povo classificava como "história de pescador", mas nunca me imaginei lutando com uma.

Seu Raimundo Caiá pronunciou umas palavras antigas, que já tinha ouvido mas nunca em ação, como estava vendo aquele caboclo antigo usá-las. Era um encantamento para serpentes,  que os velhos antigos sabem muito bem usar quando necessário. Por alguns segundos minha atenção voltou-se totalmente para a boca daquele caboclo, não poderia perder a oportunidade de ouvi-lo pronunciando aquelas palavras de trevas. Eram palavras que tinham muito poder quando usadas com sabedoria e fé.

A sucurijú gigante apertou nosso casco ao meio com o rabo. Ouvimos os estalos do casco quebrando-se ao meio. -Valei-me minha antiga mãe! Valei-me minha noite do silêncio! Escondei-nos desta serpente maligna! Valei-me minha Mãe dos rios! Protegei-nos com teu canto e teu cabelo sagrados! Enrolai essa serpente em teus cabelos e tornai-a mansa. Levai-a para a profundeza de tuas águas. Que a negridão de tuas águas seja nossa sombra neste momento de perigo. Amém! Assim Seja!

A sucurijú pareceu enfurecesse ainda mais com as palavras de Seu Raimundo Caiá, e deu mais um bote com sua boca completamente aberta na direção dele, que caiu para trás sobre a proa do casco, e o pote daquela peçonha passou à poucos centímetros de seu rosto. Ela já estava dando duas voltas no casco, que naquele momento estava completamente dominado por aquele bicho demoníaco. -Me passa o arpão curumim! Que vou dar uma arpoada nessa sucurijú pra ela soltar nosso casco agora. Se não estaremos perdidos dessa vez! Rápido curumim!


sexta-feira, 28 de julho de 2017

O CAVALO BRANCO XIV

Depois que o consolei por algum tempo, ele mesmo disse-me que deveríamos ter pressa pois logo toda aquela montanha estaria cercada por espíritos demoníacos, e que seria muito mais difícil vencê-los. Eu me ri dele, e disse-lhe que não tivesse medo, porque não havia sido escolhida à toa para aquela missão. E, olhando em seus olhinhos, falei com palavras espirituais e ocultas, que não temesse nada nem espírito algum porque eu estava com a espada de Áirôis, e ela não falharia em defender-nos.

Rasguei uma tira de minha saia branca, que só percebi que estava usando-a quando procurei para fazer aquilo que estava em minha mente. A saia branca é uma armadura que sempre usei em batalhas espirituais nas quais precisei lutar pelo espírito de alguém. Mas, ali naquele momento não era necessário que eu a usasse como armadura, e sim, como uma arma para defender o espírito do garotinho.

-Yamê, não rasgue sua saia! Você vai danificar sua armadura e ficará vulnerável! Não faça isso, Yamê! Só a espada de Áirôis não é necessário para nos defender? -Ele segurava minha mão esquerda para que não rasgasse a barra de minha saia branca.

-Tem que ser a espada e a saia da rainha. Não tenha medo, garoto. Não perderemos essa luta. Mas, confie em mim, porque tudo eu fizer será extremamente necessário. Não julgue-me pelo que farei, ou por qualquer outra coisa que fizer. Sou aquela que eles escolheram para levá-lo de volta à terra. Meu jeito de lutar no entanto, não é convencional. E em muitas vezes, parece sanguinário e louco. Até mesmo injusto porque as vezes temos que lutar contra algo divino com uma certa dose de maldade.

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